Capa de PENSE NISSO

PODCAST · 3375 EPISÓDIOS

PENSE NISSO

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

Compartilhar

Episódios

Ordenar por:Mais recentes
 A SOBERBA
2 Mar 20264:52EP 3215

A SOBERBA

A soberba. Carl Sagan escreveu que a astronomia é uma experiência que forma o caráter e ensina a humildade. Certamente, não há melhor demonstração da tolice das vaidades humanas do que se observar um mapa astronômico em que o nosso planeta aparece como um minúsculo ponto. E basta estudar um pouco a história da humanidade para se ter ainda mais a dimensão da tolice das nossas ambições. Lemos a respeito dos grandes conquistadores e nos perguntamos de que lhes valeu tantos crimes em nome de conquistas de territórios e submissão de povos. Lembramos de Gengis Khan, que comandou a Mongólia, sucedendo ao pai. Bastou uma vitória militar e o povo o declarou Gengis Khan, que quer dizer imperador universal. Para fazer jus à homenagem, ele saiu em uma campanha militar que durou 25 anos. Conquistou os tártaros e a China. Depois, as hordas mongóis varreram a Rússia, detonaram o Império Persa, engoliram a Polônia, a Hungria e ameaçaram a Europa como um todo. Temujin morreu aos 65 anos. Foi sucedido por seu filho Ogedei Khan e, por algum tempo, as conquistas continuaram. Mas, depois, o império começou a se esfacelar, e as hordas mongóis tomaram o rumo de casa. Recordamos de Alexandre, o Grande, o mais célebre conquistador do mundo antigo. Tornou-se rei aos 20 anos, após o assassinato de seu pai. Sua carreira é muito conhecida. Conquistou o império que ia dos Balcãs à Índia, incluindo o Egito e o atual Afeganistão. Foi o maior e mais rico império que já existiu. Morreu antes de completar 33 anos. Não se sabe se por envenenamento, malária, febre tifoide ou alcoolismo. Não se discutem os benefícios das campanhas, pois Gengis Khan uniu as tribos mongóis e tornou conhecidos do Ocidente os povos do Oriente, enquanto Alexandre, admirador das ciências e das artes, transformou Alexandria em centro cultural, científico e econômico. No entanto, de que lhes valeu tanto sangue derramado, tantas terras conquistadas? A morte lhes encerrou as carreiras, e seus impérios bem cedo se esfacelaram. Isso nos remete a reflexionarmos a respeito de nós mesmos. O que estamos fazendo para alcançar nossa realização pessoal? Estamos agindo de forma ética, correta, ou buscamos destruir quem esteja à frente, exatamente como faziam os grandes conquistadores? Certo, não nos servimos do assassinato físico, mas quantos sonhos alheios teremos destruído em nosso propósito de ascensão? Os verdadeiros valores são morais. Esses não são destruídos pelo tempo, nem são amaldiçoados pela memória dos que foram derrotados no decorrer da nossa jornada de conquistas. Pensemos nisso. Os verdadeiros objetivos da vida são transcendentais. Afinal, a vida nesse planeta é transitória. Rapidamente se esvai. O importante é o que levaremos em nossa bagagem individual, dentro da alma. Pensemos nisso e, aproveitando os dias que se nos oferecem à frente, estabeleçamos um planejamento estribado no amor. Assim, por curta ou longa que seja a nossa existência, sempre seremos lembrados como quem semeou a boa semente em algum canteiro do mundo. Sermos benevolentes e justos. Eis a neta acerbativa. Pense nisso, mas pense agora.

NÃO É UMA TRAGÉDIA
28 Fev 20263:37EP 3214

NÃO É UMA TRAGÉDIA

Essas coisas acontecem. Um jovem adoece no verão. Um senhor é atropelado por um táxi. A biópsia aponta que o tumor é maligno. Essas coisas acontecem todos os dias. E todos os dias saímos de casa achando que jamais acontecerá conosco. Uma doença leva embora um pai. O médico comunica um exame preocupante. Um neuropediatra fecha o diagnóstico, informando que seu filho é autista. Uma moto atravessa um sinal fechado. Todos os dias isso acontece. E todos os dias nossos planos são os mesmos: trabalho, almoço, trabalho, jantar. Não acho que seja uma tragédia quando essas coisas acontecem com a gente. Dizemos que tragédia é morrer tão cedo. Não acho que seja uma tragédia. Acho que a vida é um amontoado de causas e coincidências. Acho que hoje estamos aqui e amanhã não estamos mais. Não acho isso uma tragédia. Sabe o que é uma tragédia? Uma tragédia é não agradecer por esse tempinho que estamos aqui. Uma tragédia é não valorizar a vida em família. Uma tragédia é trocar o sorriso do nosso filho por um celular. Um passeio em família pelas preocupações do trabalho. E, cá entre nós, ouvinte, nós fazemos isso inúmeras vezes, não é mesmo? Uma tragédia é não abraçar as pessoas hoje. Uma tragédia é passar a vida em branco. Uma tragédia é achar que um dia vamos ser felizes, hoje não. Uma tragédia é achar que não vai acontecer com a gente. E a vida vai ficando para depois. Um dia eu mudo de emprego. Um dia eu digo que amo aquela pessoa. Um dia eu faço essa viagem. Um dia eu vou ser voluntário nesse projeto. Acho uma tragédia quando aprendemos a valorizar o que temos só depois de perder. Acho uma tragédia viver só de aparências. Acho uma tragédia ter comprado coisas, achando que isso seria a felicidade. Acho uma tragédia trabalhar em algo que você odeia. A morte não é uma tragédia. Tragédia é quando a gente não viveu. Vou te perguntar. Responda só para você: qual foi a sua tragédia de hoje? Pense nisso. Mas pense agora.

 CIDADANIA E RESPEITO AO PRÓXIMO
27 Fev 20264:13EP 3213

CIDADANIA E RESPEITO AO PRÓXIMO

Existem situações nas quais passamos no dia a dia capazes de nos fazer refletir. O que demonstramos com nossas atitudes? O que as pessoas observam em nós e o que percebemos nelas? Clara mora em uma grande cidade do Brasil, na qual milhões de pessoas dividem o espaço em movimentadas ruas. Todos os dias, na hora do almoço, ela anda seis quadras até o restaurante que costuma frequentar. Nesse trajeto, até a poucos meses, havia semáforo para pedestres em apenas uma das esquinas que cruzava. Há poucos meses, viu com alegria a instalação de novos semáforos para pedestres em todas as esquinas daquele trajeto. Mas os sinais de trânsito não eram percebidos pela maior parte das pessoas que por ali circulava. Ela pensava, é só uma questão de tempo, logo todos vão prestar atenção. Várias semanas depois, Clara percebeu que as pessoas, em sua maioria, desrespeitavam os sinais luminosos e continuavam a cruzar a rua sem segurança. Chegou a observar uma jovem com um bebê no colo cruzar a rua quando o sinal estava vermelho para os pedestres e quase foi atropellada. Dia desses, Clara resolveu contar o tempo que levaria a mais para chegar ao restaurante, se tivesse que esperar todos os sinais fecharem e abrirem. A conclusão foi surpreendente, apenas um minuto e vinte segundos. E por tão pouco, as pessoas arriscavam tanto. Ela pensou em escrever para o departamento responsável pelo trânsito e solicitar uma campanha de educação aos pedestres, mas logo pensou, o cidadão também deve fazer a sua parte. Enna continua a esperar, pacientemente, à vez de cruzar a rua, mesmo sendo muitas vezes a única pessoa a respeitar o sinal. Muito se fala em cidadania. É quando o cidadão possui e exerce os direitos civis e políticos de um Estado. Falar em direitos é sempre agradável a qualquer indivíduo e, sem dúvida alguma, todos devemos lutar por eles para viver dignamente. Mas morando em comunidades, devemos sempre estar atentos aos nossos deveres, pois se cada um buscar apenas os direitos, a vida em sociedade será um caos. Em um país, todos estão sujeitos à Constituição, que é a carta que dita deveres e direitos a todos os cidadãos. Temos sim, portanto, deveres para o próximo. E o próximo é nosso familiar, nosso amigo, nosso colega de trabalho, nosso vizinho. E você? Como você age no dia a dia? Como aqueles que só pensam em seus direitos ou como quem mostra a evolução moral de conhecer e cumprir seus deveres? Como você se comporta diariamente? Reflita com carinho e você concluirá que devemos melhorar a cada dia, aprendendo a respeitar as leis, a respeitar o próximo e a fazer a nossa parte, mesmo que aqueles com quem convivemos ainda não o façam. Pense nisso, mas pense agora.

DEIXE O OUTRO FALAR
26 Fev 20265:32EP 3212

DEIXE O OUTRO FALAR

Vivemos um momento em que nossas demandas diárias consomem demais o nosso tempo. Nossos compromissos profissionais, sociais, o horário na academia, a consulta médica, o trânsito… Tudo, de alguma forma, exige um pouco de nós. E equilibrar tudo isso numa agenda não é uma tarefa fácil. Por muitas vezes, falamos com tanta gente. Resolvemos os problemas. Delegamos. Mas erramos quando deixamos de ouvir. Quando permitimos entrar no automático. Bárbara sentiu isso na pele. Ela relacionava-se muito mal com sua filha, Samantha. O relacionamento se deteriorava pouco a pouco. Samantha, que foi uma criança serena e complacente, tornou-se uma filha pouco cooperativa, às vezes provocadora. A mãe passava-lhe sermões, ameaçava, punia, sem sucesso. Certo dia, contou Bárbara, simplesmente desistiu. Samantha tinha desobedecido à mãe. Foi para a casa de uma amiga antes de terminar seus afazeres domésticos. Quando voltou, Bárbara estava prestes a estourar com a filha pela milésima vez, mas não teve forças para isso. Limitou-se a dizer: por que, Samantha? Por quê? Samantha percebeu o estado em que a mãe se encontrava e, com uma voz calma, perguntou: você quer mesmo saber, mãe? Bárbara disse que sim e Samantha contou, primeiro hesitante, depois com uma fluência impressionante. A mãe fez uma reflexão e concluiu que nunca deu a devida atenção a Samantha. Nunca a ouvira. Sempre lhe dizia para fazer isso ou aquilo. Quando sentia a necessidade de conversar com a mãe sobre as coisas dela, sentimentos, ideias, era interrompida com mais ordens. Então, Bárbara começou a compreender que a filha precisava mais da mãe. Não como uma mãe mandona, mas como uma confidente, uma saída para as suas confusões de adolescente. E tudo o que fazia era falar, falar, quando deveria ouvir. Nunca a ouvira. A partir daquele momento, a mãe passou a ser uma perfeita ouvinte. Hoje, a filha conta o que lhe passa pela cabeça, e o relacionamento entre as duas melhorou de maneira imensurável. Quantos pais neste mundo têm problemas similares com seus filhos? Problemas que seriam amenizados se soubéssemos apenas ouvir um pouco mais. Como pais, como educadores, por vezes temos a falsa impressão de que precisamos falar, ensinar, proferir lições, etc., e eles, os filhos, precisam apenas ouvir. Quantos pais reclamam que seus filhos não os ouvem? E tudo parece que entra por um ouvido e sai pelo outro. Mas será que esses pais sabem ouvir seus filhos? Será que esses pais não sabem que o aprendizado não se dá apenas por sermões, por conselhos? Um tempo de qualidade pode fazer toda a diferença. E, para muitos, esta é uma importante linguagem de amor. O processo de aprendizado e, mais, o processo de construção de uma boa relação familiar, tem que passar pelo diálogo. E, quando estamos no campo do diálogo, precisamos entender que esta é uma via de mão dupla. Falamos, mas também ouvimos. Ouvir exige autocontrole, disciplina, respeito ao outro e humildade. Por isso, talvez ainda seja tão difícil para a humanidade. Ouvir nos pede reflexão, paciência e empatia. Desta forma, procuremos sempre deixar o outro falar. Ouçamos as razões do outro, suas explicações. Elas podem não justificar certos atos, mas explicam as razões da outra alma e nos fazem compreendê-la melhor. Pais, deixemos os filhos falarem. Filhos, deixemos nossos pais falarem. Famílias, conversem mais. O amor e a paz familiar sairão lucrando sempre. Pense nisso, mas pense agora.

 COLABORAÇÃO
25 Fev 20263:34EP 3211

COLABORAÇÃO

Uma virtude pouco lembrada é a colaboração. A vida, generosa de sabedoria em toda parte, demonstra o princípio da cooperação em todos os seus planos. O solo ampara a semente e a semente valoriza o solo. As águas formam as nuvens e as nuvens alimentam as águas. A abelha ajuda na fecundação das flores e as flores contribuem com as abelhas na fabricação. Podemos perceber, nesses exemplos de colaboração, um convite para que também sejamos colaboradores. Sem nos darmos conta, muitos colaboram conosco no decorrer dos dias. É alguém gentil que nos cede a passagem no trânsito. Um motorista anônimo que avisa do perigo na estrada. Um pedestre que ajuda um idoso ou cego a atravessar a rua. São os médicos que nos atendem com presteza e afeto, doando-se além da sua obrigação. São os professores que se empenham um tanto mais para que os alunos aprendam as lições. São enfermeiros atenciosos que se esforçam por atender bem a um paciente, porque seu coração assim o determina. É mais que uma demanda, é um propósito de vida. Se é certo que pagamos por alguns serviços, também é certo que a dedicação e o carinho de cada profissional, ninguém e nenhum dinheiro. Se não nos damos conta disso, é porque talvez estejamos indiferentes para as coisas boas ou porque estamos acostumados a perceber somente as coisas ruins. É importante que tenhamos disposição para ver os fatos positivos que nos cercam. Dessa forma, poderemos dar a nossa colaboração, por mais singela que seja, onde quer que estejamos, para que a nossa vida e a vida dos que caminham conosco, nessa estrada evolutiva, possa ser mais suave. Agindo assim, em tudo que fizermos, estaremos colaborando de forma efetiva para o nosso próprio progresso espiritual. Quando vamos além das nossas obrigações, exercemos a função que nos cabe no progresso moral da humanidade. A vida na Terra é uma abençoada oportunidade de aprendizado para cada um de nós. Na colaboração de uns para com os outros, encontramos a chave que abrirá novos caminhos, quebrando as barreiras do individualismo e nos permitindo viver a verdadeira fraternidade. Que possamos colaborar em algo hoje, agora. Aproveitemos o momento que passa. Pense nisso, mas pense agora. Na colaboração de uns para com os outros.

FUGINDO DA VERDADE
24 Fev 20264:47EP 3210

FUGINDO DA VERDADE

A pintura A Verdade saindo do Poço, de Jean-Lion Geron, escultor e pintor francês, está ligada a uma parábola do século 19. Segundo essa parábola, a verdade e a mentira se encontram um dia. A mentira diz à verdade: hoje é um dia maravilhoso. A verdade olha para os céus e suspira, pois o dia era realmente lindo. Elas passaram muito tempo juntas, chegando finalmente ao lado de um poço. A mentira diz à verdade: a água está muito boa, vamos tomar um banho juntas. A verdade, mais uma vez desconfiada, testa a água e descobre que realmente a água está muito gostosa. Elas se despiram e começaram a tomar banho. De repente, a mentira sai da água, veste as roupas da verdade e foge. A verdade, furiosa, sai do poço e corre para encontrar a mentira e pegar suas roupas de volta. O mundo, vendo a verdade nua, desvia o olhar com desprezo e raiva. A pobre verdade volta ao poço e desaparece para sempre, escondendo nele sua vergonha. Desde então, a mentira viaja ao redor do mundo, como a verdade, satisfazendo as necessidades da sociedade, porque, em todo caso, o mundo não nutre nenhum desejo de encontrar a verdade nua. Bertrand Russell, um dos mais proeminentes pensadores do século XX, escreveu em seu decálogo: “Seja escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentares escondê-la.” Em nossos dias, o que menos se quer é a, entre aspas, inconveniência da verdade. Vivemos através dos eufemismos para que, quem sabe, possamos suavizar ou até mesmo evitar a verdade. Mentimos para nós mesmos. Procuramos nas futilidades algo que nos distraia e que nos mantém em nossa confortável e consoladora realidade. A fuga da realidade é um mecanismo de defesa a que muitas pessoas recorrem como forma de evitar determinados sofrimentos. Entretanto, na verdade, esse comportamento é uma espécie de paliativo, pois, por mais que num primeiro momento pareça que a dor irá diminuir, fugir da verdade não é o melhor caminho, já que os problemas serão apenas abafados por um tempo e continuarão ali, sem uma solução definitiva. O ideal é buscar forças para enfrentar esse desconforto, conseguir se libertar e encontrar sua felicidade. E você, como está a sua relação com a verdade? Acredita que já recorreu ao mecanismo de fuga como forma de se proteger? Reflita. Por fim, busque seu autoconhecimento de modo mais fácil. Como os acontecimentos e experiências passadas influenciam os seus sentimentos e comportamentos atuais. Isto é indispensável para você viver sua realidade sem atalhos e para conquistar uma vida mais plena, madura e verdadeira. Lembremos: conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Libertará da dor maior, do sofrimento insano, da incerteza, da desesperação, acendendo luzes de esperança em sua vida. Pense nisso, mas pense agora.

AJUDANDO A CHORAR
23 Fev 20263:50EP 3209

AJUDANDO A CHORAR

Como anda seu envolvimento com as outras pessoas? Você é daqueles que se fecha em seus problemas, em suas dificuldades, nem sequer querendo saber se existe alguém à sua volta que precisa de ajuda? Ou você é daquelas almas que já consegue se envolver com as dores alheias, procurando diminuí-las ou, pelo menos, não deixando que alguém sofra na solidão? Há uma certa passagem que pode ilustrar isso. Foi vivida pelo autor Lê Guaporé, Léo Buscalha, quando, certa vez, foi convidado a ser jurado de um concurso numa escola. O tema da competição era a criança que mais se preocupa com os outros. O vencedor foi um menino cujo vizinho, um senhor de mais de 80 anos, acabara de ficar viúvo. Ao notar o velhinho no seu quintal, em lágrimas, o garoto pulou a cerca, sentou-se no seu colo e ali ficou por muito tempo. Quando voltou para sua casa, a mãe lhe perguntou o que dissera ao pobre homem. Nada, disse o menino. Ele tinha perdido a sua mulher e isso deve ter doído muito. Eu fui apenas ajudá-lo a chorar. A pureza do coração das crianças é sempre fonte de ensinamentos profundos. Geralmente, costumamos dizer que não estamos aptos a ajudar alguém, por não sermos capazes ou porque sabemos tão pouco para consolar. Para muitos, essa é uma posição de fuga, uma desculpa que encontramos para mascarar o egoísmo que ainda grita dentro de nossa alma, dizendo que precisamos primeiro cuidar de nós mesmos e que os outros são menos importantes. Para outros, isso reflete a falta de esclarecimento, pois precisamos compreender que todos temos capacidade de auxiliar. Não nos preocupemos se não conhecemos palavras bonitas para dizer ou se não podemos conceber uma saída miraculosa para uma dificuldade que alguém atravesse. Nossa companhia, nosso ombro amigo, nosso dizer “eu estou aqui com você” são atitudes muito importantes. Muitas vezes, o que as pessoas precisam é de alguém para chorar ao seu lado, para estar ali, afastando o fantasma da solidão para longe e não permitindo que os pensamentos depressivos tomem conta de seu senso. Outras vezes, mais importante do que os conselhos, do que as lições de moral, é o nosso abraço apertado, nosso tempo para ouvir o desabafo de alguém. Não precisamos ter todas as respostas e soluções dos problemas do mundo em nossas mãos para conseguir ajudar. Os verdadeiros heróis são aqueles que ofertam o que têm, o que sabem e, mais do que tudo, ofertam seus sentimentos, suas lágrimas aos outros. Não nos preocupemos em ter algo para dizer. Um abraço fala mais do que mil palavras. Uma prece silenciosa é como uma brisa suave, consolando os corações que passam por esse momento. Pense nisso, mas pense agora.

A CULPA É MINHA E COLOCO EM QUEM EU QUISER
21 Fev 20264:48EP 3208

A CULPA É MINHA E COLOCO EM QUEM EU QUISER

O título do Pense Nisso pode parecer irônico, mas tem sido o principal lema do nosso comportamento. Mesmo que inconscientemente, nós usamos desse jargão: a culpa é minha e eu coloco em quem eu quiser. Pare e pense: estamos dando muitas desculpas sobre os nossos erros e dos resultados que não conseguimos atingir? Se a resposta for afirmativa, possivelmente estamos sofrendo de desculpabilidade. Isso é, sempre colocamos a responsabilidade dos nossos atos negativos em fatores externos, como no trânsito, a crise, a falta de sorte, o governo e, é claro, nas pessoas. Se os fatores fossem os donos do nosso destino e não temos responsabilidade, sempre damos desculpas pelos nossos descaminhos. Ouvindo histórias por aí, temos a impressão de que, em muitas das nossas fantasias, não precisaríamos pedir desculpas. Muitos de nós cultivam secretamente delírios nos quais somos infalíveis, honrados, dignos, fortes. Aí, quando não encontramos uma desculpa pelos nossos erros, nós usamos de um expediente muito em moda nos dias atuais: a vitimização. Pensando nisso, seguem seis regras para que possamos conviver melhor com os nossos limites, buscar ampliar os nossos horizontes e fugir do vitimismo. Primeiro: abaixe a guarda. Em situações de trabalho, na família ou em relacionamentos, pode ser importante se aproximar com as guardas baixas, reconhecer o ponto de vista do outro, respirar e falar de coração. Ouça. A hora de falar virá, mas, antes de qualquer coisa, é essencial ouvir. É desse processo que surgem as bases para o diálogo, para a conexão que pode permitir o surgimento de uma relação ainda mais madura do que a anterior ao erro. Assuma a responsabilidade. Não se vitimize. Todos nós já cometemos erros, sem exceção. Isso não é motivo para sair agindo de maneira irresponsável e não ligar para as consequências dos próprios atos. Mas também não significa que devemos nos culpar e nos posicionar como vítimas. Seja claro e honesto. E lembre-se: o foco não é você, é o erro. Não tente escapar do erro se explicando. Não se explicar não é deixar a pessoa no escuro, sem informação alguma a respeito do que ocorreu. Errou? Conte o que aconteceu. Explique a situação, mas não use isso como justificativa. Cuidado em usar o mas. Quando usamos o mas, é sinal que estamos nos justificando. Peça desculpas. Você pode até achar que passar por todo o processo de assumir o erro, não se justificar e reparar os danos é suficiente, mas não é. Portanto, peça desculpas. Peça ajuda. Melhor do que fazer promessas é pedir ajuda. Estamos todos no mesmo barco. Desta forma, podemos caminhar lado a lado, fortalecer os laços e crescer juntos. Reconhecer o erro, pedir perdão e ressarcir: eis um dos caminhos da felicidade. Pense nisso, mas pense agora.

Nada tocando
PENSE NISSO
0:00
0:00