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PODCAST · 3375 EPISÓDIOS

PENSE NISSO

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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A VIDA ESTÁ SEMPRE EM TRANSFORMAÇÃO
29 Ago 20263:49EP 3367

A VIDA ESTÁ SEMPRE EM TRANSFORMAÇÃO

Há quem diga que a vida está perfeita e que não quer mudá-la em nada, ou então o oposto, dizendo que a vida é sempre insatisfatória. São pessoas que não aprenderam uma regra básica da vida, a qual se manifesta no médio e no longo prazo. É a constatação de que a vida sempre muda. O bom mesmo é experimentar a mudança com curiosidade, buscando aprender a interpretá-la, mesmo que nos cause dor, ao invés de prazer. Afinal, nenhuma mudança é permanente a ponto de estagnar e, por isso, não temos que nos lamentar por algum revés que se apresente a nós. Sempre há uma perspectiva nova. No entanto, já repararam que, às vezes, passamos longos períodos, dias, meses até, sonhando com pessoas que há muito tempo não vemos? Na verdade, às vezes, até mesmo encontramos alguém fisicamente. Ao contrário do senso comum, o tempo é cíclico. Há um padrão triplo: sempre se busca algo, sempre se consolida alguma coisa e sempre se desestabiliza o que se construiu, só para se começar de novo. Ao invés de prosseguirmos em uma linha infinita do passado para o futuro, estamos, na verdade, dando uma volta e formando um círculo. Cada ponto da circunferência do círculo tem sua própria memória, seus próprios personagens, embora às vezes mudem os atores que os representam, e um enredo próprio. É como se vivêssemos histórias repetidamente, sem nos darmos conta. Há quem chame essas histórias de carma, mas eu vou lhes contar um segredo: podemos quebrar esse carma se entendermos as histórias e mudarmos nosso papel nelas. Podemos, por exemplo, nos reconciliar com alguns de seus personagens. Podemos também mudar o padrão de nossas decisões para obter resultados diferentes. O resultado é que criamos outras histórias. No esoterismo e no ocultismo, usualmente se refere ao tempo cíclico como a passagem de grandezas. Só que o macrocosmos se assemelha ao microcosmos de forma que normalmente não se suspeita ser possível. Uma pequena mudança de estratégia pode facilitar o alcance de um objetivo, de uma meta, de um resultado. Por vezes, nós perdemos muito tempo em tentativas vãs e não nos damos conta de que uma pequena mudança bastaria para facilitar a nossa vida. Se você está sentindo que seus passos não estão lhe conduzindo numa direção segura, pare um instante e reflita sobre onde quer chegar e, se for necessário, corrija a direção da sua existência e siga em frente. Quando você bate em uma porta por muito tempo e ela se recusa a abrir, talvez esteja na hora de você buscar outra saída. Embora muitas situações nos pareçam fruto do acaso, não imaginemos que estamos à revelia das leis que regem o universo do qual fazemos parte. Pense nisso e procure ouvir e seguir essa sugestão para que faça uma pequena mudança na estratégia. E lembre-se: se a porta na qual você está insistindo em bater não se abre, talvez seja o momento de buscar outra alternativa. Transforme sua vida. Pense nisso, mas pense agora.

A ULTIMA VIAGEM
28 Ago 20264:08EP 3366

A ULTIMA VIAGEM

Era tarde da noite quando o taxista recebeu o chamado. Ao chegar, ele pensou em buzinar e aguardar, mas imaginou que alguém que chamasse o táxi tão tarde poderia estar com alguma dificuldade. Saiu do carro, foi até a porta e tocou a campainha. Uma senhora idosa, pequena, franzina, com um vestido estampado, abriu a porta. Equilibrava-se em uma bengala e, na outra mão, trazia uma pequena valise. Ele olhou para dentro e percebeu que todos os móveis estavam cobertos com lençóis. Ele apanhou a mala e ajudou a passageira a entrar no táxi. Ela forneceu o endereço e perguntou: — Podemos ir pelo centro da cidade? — Mas o caminho que a senhora sugere é mais longo — observou o taxista. — Não tenho pressa. Desejo olhar a cidade pela última vez. Estou indo para um asilo porque não tenho mais família, e o médico me disse que morrerei em breve. O taxista, que começara a dar a partida, desligou o taxímetro, sutilmente olhou para trás, fixou os olhos nela e perguntou: — Aonde mesmo a senhora gostaria de ir? Ele a levou até um prédio na área central da cidade. Ela mostrou o edifício onde fora ascensorista quando jovem. Depois, foram a um bairro onde ela morou recém-casada com seu marido. Apontou, mais adiante, o clube onde dançou com seu amor muitas vezes. De vez em quando, ela pedia que ele fosse mais devagar ou parasse em algum lugar. Parecia olhar na escuridão, no vazio. Suspirava e olhava para trás. Assim, as horas passaram, e ela manifestou cansaço. — Por favor, agora estou pronta. Vamos para o asilo. Era uma casa cercada de árvores e, apesar do horário, ela foi recepcionada de forma cordial por dois atendentes. Ela se despediu do taxista. — Quanto lhe devo? — Nada — disse ele. — É uma cortesia. — Mas você tem que ganhar a vida, meu rapaz. — Há outros passageiros — ele respondeu. Sensibilizado, ele a envolveu em um abraço afetuoso. Ela retribuiu com um beijo e palavras de gratidão. — Sabe, você deu a esta velhinha um grande presente. Deus o abençoe. Naquela madrugada, o taxista resolveu não trabalhar mais. Ficou a cismar: “E se ele apenas tivesse tocado a buzina duas ou três vezes? E se tivesse recusado a corrida pelo adiantado da hora? E se tivesse querido encerrar o turno de forma apressada para ir para casa?” Deus sabe da riqueza que é ser gentil. Por vezes, pensamos que grandes momentos são motivados por grandes feitos. Contudo, existem coisas mínimas que representam muito para uma vida. O importante é estar atento, a fim de não perder essas ricas oportunidades de dar felicidade a alguém. Mesmo que seja um simples passeio pela cidade, uma ida ao cinema, uma volta pelo jardim, um bate-papo num final de tarde ou atender um telefonema na calada da noite. Estejamos atentos para as coisas mínimas, os gestos quase insignificantes. Eles podem representar, para alguém, toda a felicidade. Pense nisso. Mas pense agora.

A VERDADEIRA PAZ PROFUNDA
27 Ago 20264:22EP 3365

A VERDADEIRA PAZ PROFUNDA

Havia um rei muito sábio que ofereceu um grande prêmio ao artista que fosse capaz de captar, em uma pintura, a paz profunda. Muitos artistas começaram a pintar suas telas. Procuravam as cores mais tranquilas, as pinceladas mais suaves, os motivos mais calmantes. Um deles quis pintar o silêncio, mas não conseguiu. Outro quis pintar a brisa suave, mas só conseguiu fazer um furacão. Muitos tentaram retratar a paz das formas mais variadas. No dia marcado, várias telas foram apresentadas ao rei. O monarca olhou atentamente cada uma das obras. Eram realmente belíssimas, mas ele queria encontrar aquela que representaria a paz. Finalmente, ficou com duas pinturas de que mais gostou. E tinha que escolher entre elas. A primeira representava um lago muito tranquilo. Este lago era um espelho magnífico, onde se refletia uma paisagem maravilhosa, com árvores, montanhas e as nuvens do céu. Tudo suave, delicado e plácido. Era a visão do paraíso mais perfeito. Todos que olharam para essa pintura achavam que ela representava perfeitamente a paz profunda. A segunda pintura também tinha montanhas, mas estas eram cheias de escarpas e sem nenhuma vegetação. Sobre elas havia um céu onde se armava uma tempestade, com uma chuva forte, raios e trovões. Descia pela montanha uma cachoeira agitada, com a água batendo em rochas e formando espumas. As pinceladas eram vigorosas e fortes. As cores, vibrantes. Nada naquele quadro parecia ter paz. Quando todos já olhavam com estranheza para aquela obra, o rei reparou um pequeno detalhe. Atrás da cachoeira, havia um arbusto crescendo de uma fenda na rocha. Neste arbusto, um delicado ninho de passarinho. No meio da turbulência da água, o pássaro estava calmamente sentado, observando a natureza, na mais profunda paz. O rei escolheu a segunda tela. Todos ficaram espantados, e o sábio monarca explicou: “A paz profunda não é estar em um lugar calmo, sem ruídos, sem problemas, livre de dores e de tentações. A paz profunda é estar calmo e confiante, independentemente do meio que nos cerca.” Qual é o seu conceito de paz? É igual a este lago tranquilo? A paz profunda é estar calmo e confiante, independentemente do meio que nos cerca. Parece uma simbologia perfeita para definir essas palavras tão buscadas

A GENÉTICA NÃO TEM PRECONCEITOS
26 Ago 20264:33EP 3364

A GENÉTICA NÃO TEM PRECONCEITOS

Durante uma conferência de ciências, uma pergunta é feita por Lawrence Summers, um dos convidados e ex-presidente da Universidade de Harvard, que sugere que diferenças genéticas explicariam o fato de haver bem menos mulheres no campo da ciência do que homens. O mediador da conferência diz: “Alguém que queira falar sobre diferenças genéticas entre homens e mulheres?” Um dos mais notáveis cientistas do nosso tempo, o astrofísico americano Neil deGrasse Tyson, se apresentou para responder a tal questão. Eis a resposta do famoso físico: “Bem, senhoras e senhores, eu nunca fui uma mulher.” Iniciou, com bom humor, o cientista. Ouvem-se muitos risos na plateia, e Tyson dá prosseguimento à sua resposta: “Mas tenho sido negro a vida toda. Portanto, lhes ofereço uma perspectiva deste ponto de vista, pois há similaridade no tema ao acesso às oportunidades sociais que são dadas quando se fala sobre negros e as oportunidades às mulheres em uma sociedade dominada por homens brancos. E serei breve, pois quero ouvir outras questões. Durante toda a minha vida, eu sempre soube que queria ser um astrofísico, desde os nove anos, quando visitei um planetário, para ser mais exato. Então, eu tinha que ver como o mundo ao meu redor reagiria ao expressar as minhas ambições. E tudo que eu posso dizer é: o fato de eu querer ser um cientista astrofísico teve grande resistência da maioria. São as raízes das forças que naturalmente agem na sociedade. Toda vez que eu expressava este interesse, os professores diziam: ‘Você não quer ser um atleta ou outra coisa?’ Porém, eu queria algo que estivesse fora dos paradigmas, das expectativas das pessoas que estavam no poder. E, por sorte, o meu interesse científico era tão profundo e tão rico em combustível que todas essas dificuldades e barreiras que tive que enfrentar eu usava como mais combustível e continuava em frente. Agora aqui estou, creio, um dos cientistas mais reconhecidos. E, quando olho para trás, me pergunto: onde estão os outros que poderiam estar aqui como eu? E não estão. E eu me questiono: quem ou o que se passou para que eu tenha sobrevivido e os outros não? Apenas porque as forças da sociedade estão resistindo em cada esquina, a cada momento. As seguranças do mercado me perseguiram, presumindo que eu era um ladrão. Eu saí de uma loja uma vez e o alarme disparou. Então, eles vieram para cima de mim. Eu passei pelo alarme ao mesmo tempo que um homem branco passou, e esse homem foi embora com as mercadorias roubadas, sabendo que eles iam me parar e não a ele. Então, minha experiência de vida me conta que, se não temos muitos cientistas negros e não temos muitas mulheres cientistas, é por uma questão das forças que a sociedade usa para estigmatizar as mulheres. Portanto, antes de começarmos a falar sobre diferenças genéticas, temos que encontrar um sistema onde as oportunidades sejam iguais e, aí sim, podemos falar de genética.” Sim, caros ouvintes, quando se dão oportunidades, as diferenças genéticas são irrelevantes. Um exemplo disso é a mãe da física moderna, Marie Curie, famosa por sua pesquisa sobre a radioatividade, pela descoberta dos elementos polônio e rádio e por conseguir isolar isótopos desses elementos. Marie Curie ganhou o Prêmio Nobel de Química de 1911. A genialidade não está no sexo ou na raça, pois a genética não tem preconceitos. Pense nisso, mas pense agora.

A VIDA E O TEMPO
25 Ago 20264:41EP 3363

A VIDA E O TEMPO

Tudo começou de repente. Não lembro quando foi. Cheguei sem saber de onde vim. Tudo era novo. Dependia, sem saber de quem. Aos poucos, meu mundo foi nascendo. Aos poucos, a luz do sol. A cada dia, algo novo. Tudo era tão simples. Nem vi o tempo passar. Não percebi quando virei eu, quando as cores mudaram e os sonhos já não eram os mesmos. Novos desafios. Poxa, já tenho quase 30 anos! No tempo que voava, sem me dar explicações, sem que eu soubesse a razão, sem ouvir a batida de suas asas, sem notar quando as coisas mudaram tão rapidamente, deixando de me reconhecer. Como se agora fosse outra pessoa. Mudei sem perceber. Me transformando todos os dias. Chegará o tempo em que exclamarei: “Estou chegando aos 60 anos. Como o tempo passa!”. E eu não me dei conta desse tempo que passou. Sem ver o tempo passar, pois só posso enxergar um dia depois do outro, virei outra pessoa. Perdida no tempo que me enganou. Esse tempo me transformou. Me conduziu. Me deu. Me tirou. E me deixou sem chão. Sem saber por quê, agora, no final da minha existência, tenho essa sensação. A sensação de estar fora de casa. Como se tudo tivesse sido um sonho que, estranhamente, nunca vai acabar. Talvez eu só perceba, em parte, que estou indo a algum lugar. E que tudo é uma coisa só. Que todos os dias são um. Que tudo faz sentido, mesmo quando não faz sentido algum. E que todas as coisas só existiram dentro de mim. E elas me conduziam, todos os dias, de volta para casa. Onde fica essa casa? Sinceramente, eu não sei. Quem deve ter essa resposta é o tempo e a vida, que ainda estão por ser vividos em outro tempo. O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor. Embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento. Sem medida que o conheça, o tempo é, contudo, nosso bem de maior grandeza. Não tem começo, não tem fim. O tempo sabe ser bom. O tempo é largo, o tempo é grande. É grande, é generoso, é farto, é sempre abundante em suas entregas. Diminui nossas aflições, dilui a tensão dos preocupados, suspende a dor dos torturados. Traz a luz aos que vivem nas trevas, o ânimo aos indiferentes, o conforto aos que se lamentam, a alegria aos homens tristes, o consolo aos desamparados. Também traz a serenidade aos inquietos, o repouso aos sem sossego, a paz aos intranquilos, a unidade às almas secas. O tempo é manancial de sabedoria que flui por entre nossas existências. Nas incertezas do caminho, nos momentos de angústia, nas aflições da jornada, confiamos nele, que tem a medida de todas as coisas e o consolo para todas as lágrimas. Jamais nos permitamos acreditar que não há tempo. Fechemos os olhos. Ouçamos sua voz. Lá ele está. O tempo de um abraço. De um sorriso. De um ato de qualidade. De uma mudança de vida. O tempo para a família. Para os amigos. E para nós mesmos. Sempre há tempo. Sempre há vida. Pense nisso.

 COM AMOR, DEUS.
24 Ago 20264:07EP 3362

COM AMOR, DEUS.

Certo dia, brincando no quintal de sua casa, uma criança encontrou um bilhete que dizia: “Pode ir. Com amor, Deus.” Intrigada com aquelas palavras, correu até sua mãe e mostrou o pequeno papel que havia achado. A mãe, com delicadeza, abaixou-se até a altura da filha e disse: “Pequena, para onde formos? Se formos com Deus, tudo dará certo.” A menina sorriu com a explicação da mãe, mas ainda sentia que havia algo mais naquele bilhete. No dia seguinte, levou o papelzinho para a escola e mostrou aos colegas. Cada um interpretou de um jeito. Um disse que era um sinal para seguir seus sonhos. Outro achou que era um lembrete de que Deus está sempre por perto. A professora, ouvindo a conversa, se aproximou das crianças e disse: “Esse bilhete é como uma semente de fé. Não importa a religião, o nome que damos a Deus ou como escolhemos orar. O importante é lembrar que o amor divino nos acompanha em cada passo. Quando caminhamos com bondade, respeito e esperança, estamos indo com Deus.” É muito comum sentirmos medo: medo de mudar, medo de errar, medo de sermos mal interpretados. O medo muitas vezes se disfarça de prudência, mas, na verdade, é um reflexo da nossa zona de conforto, um lugar conhecido, mas que raramente nos permite florescer. No entanto, quando compreendemos que o medo é, em grande parte, uma construção mental ligada à comodidade, algo começa a se transformar dentro de nós. Percebemos que o desconforto da mudança é, na verdade, o primeiro sinal de crescimento. Ainda assim, é natural e profundamente humano que, em certos momentos, precisemos de apoio. Apoio emocional, espiritual, fraterno. E tudo bem. Buscar ajuda não é sinal de fraqueza, mas de sabedoria. É um ato de coragem reconhecer que não precisamos caminhar sozinhos. Em todas as tradições espirituais, há um ponto em comum: a importância da comunidade, da escuta e do acolhimento. Seja em uma oração silenciosa, em uma conversa com um amigo, em um abraço ou em um momento de meditação, encontramos forças que vão além do que imaginávamos ter. A jornada da vida não exige perfeição, mas presença. E, quando caminhamos com o coração aberto, mesmo com medo, damos espaço para que a fé, seja ela em Deus, no universo, na vida ou em nós mesmos, floresça. Inspiradas por aquelas palavras, as crianças decidiram criar um mural na escola com mensagens de paz, fé e união. Cada uma escreveu algo bonito, vindo do coração. E, no centro do mural, colaram o bilhete original: “Pode ir. Com amor, Deus.” E assim, aquele pequeno papel esquecido no quintal se transformou em um movimento de amor e espiritualidade. Porque, às vezes, tudo o que precisamos para começar uma grande mudança é uma simples frase escrita com o coração. Pense nisso. Mas pense agora.

A VAIDADE
21 Ago 20263:44EP 3361

A VAIDADE

A vaidade é o primeiro pecado capital. Usamos a palavra pecado de forma metafórica, é claro. Mas a vaidade, a soberba, o orgulho, é aquilo que faz com que alguém se ache melhor do que os outros, ou acima do outro, e faz com que o vaidoso deixe de perceber a igualdade, deixe de perceber e de se abrir aos outros. A vaidade é um defeito, porque a vaidade acaba indicando para as pessoas que eu quero ou pretendo ser diferente e acima delas. A pessoa vaidosa toma decisões erradas porque se tem numa conta excessiva e sempre se superestima. A pessoa vaidosa é difícil porque ela só vê a si. A pessoa vaidosa é pouco estratégica porque leva em conta que o mundo inteiro vai pensar sobre ela aquilo mesmo que ela pensa sobre si mesma. A pessoa vaidosa é frágil, porque alguns elogios, na sua grande maioria falsos, podem quebrar toda a resistência de uma pessoa vaidosa. A pessoa vaidosa se torna pouco produtiva, porque acha suficiente aquilo que faz. A pessoa que é tomada pela vaidade é uma pessoa que não consegue desenvolver o seu potencial, porque acha que é perfeita. Quando olhamos o mundo como um lugar de diferenças, todos são iguais na dignidade diante da lei, mas todos são absolutamente diferentes na percepção do mundo e nas capacidades. Quando percebemos que temos características boas e ruins em comparação aos outros, quando tivermos uma dimensão das nossas próprias personalidades, vamos conseguir dar os primeiros passos para superar o problema da vaidade. As vaidades não nos tornam apenas chatos. A vaidade nos torna infelizes e incapazes de amarmos. Como todo vício moral, a vaidade impede uma apreciação precisa da realidade. Quem importa esse defeito não percebe que a pena se complica ao cultivá-lo. Que seria muito mais feliz ao viver com simplicidade. Que ninguém se preocupa muito com sua pessoa e com sua pretensa importância. Que, ao tentar brilhar cada vez mais, frequentemente cai no ridículo e se torna alvo de chacota. Analise seu caráter e reflita se você não possui excesso de vaidade. Você reconhece facilmente seus erros? Elogia as virtudes e os sucessos alheios? Quando se filia a uma causa, o faz por ideal? Ou para aparecer? Admite quando a razão está com os outros? Caso se reconheça vaidoso, tome cuidado com seus atos. Esforce-se por perceber o seu real papel no mundo. Reflita que a vaidade é um peso a ser carregado ao longo do tempo. Simplifique sua vida. Valorize os outros. Admita os próprios equívocos. Ao abrir mão da vaidade, seu viver se tornará muito mais leve e prazeroso. Pense nisso, mas pense agora.

VOCÊ SE PAGA
20 Ago 20264:12EP 3360

VOCÊ SE PAGA

Certo dia, li um livro que me intrigou logo nas primeiras páginas. A pergunta era simples, mas poderosa: você se paga? Fiquei em silêncio por alguns segundos e então me perguntei: como nunca pensei nisso antes? O livro era O Homem Mais Rico da Babilônia, uma obra repleta de sabedoria prática e atemporal. Entre os muitos ensinamentos sobre finanças, disciplina e prosperidade, um deles me tocou profundamente: a importância de se pagar primeiro. Ano após ano, trabalhamos sem parar. Corremos atrás de contas, prazos, responsabilidades. Estamos tão ocupados com o mundo lá fora que, muitas vezes, esquecemos de olhar para dentro. Esquecemos que, antes de tudo, precisamos cuidar de nós mesmos. Arkad, o personagem central do livro, ensina que devemos separar uma parte do que ganhamos para nós antes de pagar qualquer outra coisa. Mas essa ideia vai além do dinheiro. Ela fala sobre valor, sobre reconhecer o nosso esforço, o nosso tempo, a nossa dedicação. Vivemos em uma sociedade onde a ansiedade e os problemas emocionais crescem a cada dia. Talvez, no fundo, o que esteja faltando seja justamente isso: nos pagarmos. Não apenas com dinheiro, mas com descanso, com respeito, com um tempo de qualidade, com silêncio, com paz. Levantar cedo todos os dias, trabalhar duro, cuidar da casa, dos filhos, cuidar dos outros... Tudo isso tem um custo. E esse custo precisa ser reconhecido. Não se trata de egoísmo, mas de equilíbrio. Porque quem não se paga se esgota. E quem se esgota não consegue prosperar. Se pagar é um ato de amor-próprio. É dizer: eu mereço. Mereço guardar um pouco para mim. Mereço investir no meu bem-estar. Mereço parar, respirar e agradecer. Quando nós nos pagamos, algo muda dentro da gente. A vida deixa de ser apenas sobrevivência e começa a se tornar presença. Começamos a perceber que prosperidade não é só ter dinheiro no bolso, mas ter paz no coração. E que cuidar de si é o primeiro passo para cuidar bem dos outros. A partir do momento em que entendemos isso, paramos de nos importar tanto com o mínimo que não foi feito, com aquilo que pode esperar até amanhã, e começamos a nos pagar diariamente: a nossa porção do dia. Então, hoje eu te pergunto: você se paga? Se a resposta for ainda não, tudo sempre é tempo de começar. Comece com um gesto pequeno: um tempo só seu, uma caminhada, um café em silêncio, uma oração ou separar um valor para investir. Porque, quando você se paga, você se honra. E quem se honra floresce. Talvez a prosperidade e a paz que você tanto busca estejam a um passo. Se pague primeiro. Pense nisso. Mas pense agora.

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