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PODCAST · 3375 EPISÓDIOS

PENSE NISSO

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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 SÍNDROME DO ELEFANTE PRESO
20 Mar 20266:22EP 3231

SÍNDROME DO ELEFANTE PRESO

Você já parou para pensar por que o elefante, um animal enorme, fica preso a uma corda frágil que, com poucos esforços, ele arrebentaria? Isso ocorre porque o homem usa um meio eficaz de submetê-lo, onde o elefante ainda é um bebê e desconhece a força que tem. Preso a uma corda, o bebê elefante tenta escapar, faz esforços, se debate, se machuca, mas não consegue arrebentar as amarras. A cena se repete por alguns anos. As tentativas de libertar-se são inúteis. O elefante desiste. Vencido pelas amarras, ele acredita que todos os seus esforços serão inúteis para sempre. Assim é que, depois de adulto, o gigante fica preso a uma fina corda que ele poderia romper com esforços insignificantes. Fazendo um paralelo com o ser humano, poderíamos indagar por que um ser tão grandioso, com tantos talentos, se deixa vencer por amarras tão sutis e sem fundamento? São cordas invisíveis que vão imobilizando um gigante e, por fim, ele se conforma e se submete sem questionamentos. Desde a terra idade até a adolescência, somos amarrados com cordas ou correntes. Conceitos, doutrinas, costumes, escala social, ensinamentos de obediência, subordinação. E crescemos carregando essas fictícias amarras na mente, e não importa a cultura ou o país em que se vive. E mais, tudo isso em nome da tradição e do bem-estar social. Quem não segue a tradição é considerado um desajustado. Se teimar em continuar a desobedecer é tido como subversivo, isso em relação a governos, herege em relação a igrejas, ou louco ou demente pela sociedade. Fugir do padrão imposto incomoda aos líderes. Pais, governantes e religiosos, ninguém gosta de ser desobedecido e adoram impor normas. Claro, quando somos pequenos é necessário que alguém cuide de nós, nos eduque, nos proteja, nos encaminha para a vida. Porém, toda esta didática emprega o medo. Desde a mais inocente história nos contada tem fundo de submissão. O bicho papão, a cuca vêm pegar, saci pererê, mura sem cabeça, o medo do escuro, a religião dominante onde se reside é que é a correta. O pecado, Deus castiga. Todos elogiam e gostam de pessoas humildes, mas poucos desejam possuir esta virtude. Entretanto, os costumes mudam, mesmo sem a anuência dos que tentam manter as rédeas de tudo. Surgem novas religiões, novos meios de comunicações, o saber se espalha via livros, jornais, rádios, televisão, internet, a ciência desmente boa parte de mitos e lendas e, mesmo assim, muitos ainda continuam presos às correntes fictícias que os aprisionam a vida inteira. Surge nova safra dos donos do poder entupindo-nos e massacrando-nos de verdades e conceitos e tudo volta a ser como antes, mas com uma nova metodologia de se fazer a mesma coisa, obedecer. Submissão. Todos pregam a liberdade, mas para propagar livremente sua causa, criticam ou rebaixam outras doutrinas ou qualquer outro estilo de pensamento para se sentirem por cima. Mas se está no mesmo lugar, pois foi o outro que foi rebaixado e não a sua organização que subiu. Não é por ter mais torcedores que um time de futebol é o melhor time ou sempre é o campeão. Portanto, ter ou pertencer à maioria não significa possuir a verdade. Ser livre é não pertencer a nenhuma causa, mas ter a sua própria causa é ter conhecimento de todas para não serem gestado, criar sua própria base de ensinamentos para orientar-se na vida. Quem pertence a uma determinada causa não é livre o bastante para falar em liberdade. A causa o torna preso a determinados conceitos. Sua visão é míope e distorcida para poder opinar sem paixões sobre outros assuntos. Jamais devemos nos ater a um só princípio ou causa. Quanto mais se sabe sobre outras coisas, melhor entendemos e respeitamos nossos semelhantes. Devemos sempre dar uma peneirada em tudo que nos falam e ensinam e toda a doutrina tem seu ponto fraco, então exclua-os. Assim, sempre se terá a parte mais benéfica e saudável e se cria por si só um compêndio de boas coisas. Sempre veja os dois lados de tudo. Você é um ser especial. Seu destino lhe pertence. Não se permita prender pelas cordas invisíveis que outras mentes desejam impor a você. Você tem um sol interior e sua força é muito maior do que se possa imaginar. Rompa com todas as amarras e busca as alturas. Você é filho da luz e herdeiro das estrelas. Pense nisso, mas pense agora.

SOMOS RESPONSÁVEIS PELO MUNDO
19 Mar 20265:08EP 3230

SOMOS RESPONSÁVEIS PELO MUNDO

Em tudo que fazemos, afetamos as pessoas de três modos: alteramos o seu tempo, a sua memória e as suas reações. Os mínimos comportamentos podem interferir na história da humanidade. Quando alguém, em uma região isolada da Amazônia, abate um pássaro, ele afeta a história. O pássaro não porá ovos, chocados, e não gerarão descendentes. Isso afetará o consumo das sementes, dos predadores e toda a cadeia alimentar. Afetará o ecossistema, a biosfera terrestre. A ausência do pássaro abatido afetará o processo de observação dos biólogos, interferindo em suas pesquisas, seus livros, sua universidade e sua sociedade. Quando um aluno tem problemas na leitura perante uma classe e é obrigado a repetir muitas vezes o mesmo trecho, sob deboche dos colegas, registra a experiência. Isso pode se transformar em um bloqueio da sua inteligência. Pode gerar gagueira, insegurança, afetando de forma drástica seu futuro como pai e como profissional. Eventualmente, poderá nunca mais conseguir falar em público. Quem se suicida altera o tempo dos amigos e dos parentes. Ele despedaçará a emoção e a memória deles. Terão lembranças tristes, pensamentos perturbadores que afetarão as suas histórias. Consequentemente, cada um deles interferirá na história de outras pessoas, alterando o futuro da sociedade. Quando Hitler se mudou para Viena, em 1908, tinha o objetivo de se tornar um pintor. Rejeitado pelo professor da Academia de Belas Artes, ele teve afetada a sua afetividade, a sua emotividade. Tudo isso influenciou sua compreensão do mundo, suas reações, sua luta no partido nazista, sua prisão e seu livro. O processo interferiu na Segunda Guerra Mundial, afetando a Europa, o Japão, a Rússia e os Estados Unidos. Os rumos da humanidade foram alterados. É possível que, se Hitler tivesse sido aceito na Escola de Belas Artes, tivéssemos um artista plástico medíocre, mas não um dos maiores sociopatas da história. Não que a sociopatia de Hitler seria resolvida pelo seu ingresso nas artes, mas poderia ter sido abrandada, ou até mesmo deixado de se manifestar. E, como consequência, se teria poupado quase 70 milhões de vidas que foram perdidas nos 6 anos da Segunda Guerra Mundial. Não somos uma ilha. Somos uma grande família, uma única espécie. Dessa forma, cada um de nós é responsável, em maior ou menor proporção, pela violência do mundo, pelo terrorismo, pela fome. O que fazemos influencia as pessoas que influenciam outras, que alimentam os sistemas e desencadeiam reações. Somos mutuamente afetados pelas reações uns dos outros. Assistir a um filme, conversar com um amigo, elogiar alguém, promover um ato cívico, auxiliar a outra pessoa em acolher uma criança pode mudar pouco ou muito o curso de nossas vidas. O que fazemos afeta a nossa vida e a de outras pessoas. Pensemos, assim, em tudo que dizemos e fazemos. Em meio a um incêndio, podemos usar nosso verbo para acalmar as pessoas ou para aumentar o desespero. Da nossa forma de agir poderão resultar muitas mortes ou muitas vidas salvas. Pensemos nisso, antes de agir no próximo minuto. Somos responsáveis pelo mundo.

A SOLIDÃO DE UMA VIDA LÍQUIDA
18 Mar 20265:27EP 3229

A SOLIDÃO DE UMA VIDA LÍQUIDA

A primeira vez que ouvi os termos Mundo Líquido, Vida Líquida, Tempos Líquidos, eu confesso que não entendi, até conhecer a obra do sociólogo e filósofo polunês Zygmunt Bauman, morto em 2017, aos 91 anos, com suas faculdades mentais intactas. Em seus livros, ele fala sobre a comunicação através das mídias sociais e suas dificuldades. Zygmunt chamou a história, momento pós-moderno, de relações líquidas, isto é, relações efêmeras, sem laços sólidos de afetividades. E um dos maiores efeitos colaterais das mídias sociais, isso já abordamos aqui no Pense Nisso, é a solidão interativa. O sociólogo afirma que podemos passar horas, dias na internet e sermos incapazes de ter uma verdadeira relação humana, ser seja com quem for. A solidão interativa se espalha nas redes sociais, especialmente no Facebook. São fotos e fotos postadas, a maioria forjando uma felicidade, quando, na verdade, é tudo fake. As mais usuais são aquelas em que o autor se autofotografa, as famosas selfies, e sai espalhando-as de um dia para o outro, quando não de uma hora para o outro. E aquelas dos momentos felizes. Sim, tem gente que acha que os seus instantes de lazer e diversão têm que, obrigatoriamente, ser vistos por todos. E lá vai mais um poste ao lado do namorado ou namorada, dos amigos, geralmente com áreas de forçação de barra. Porque a gaiola do tempo, forjada por nós mesmos, só pode ser aberta pela chave da felicidade plena. Temos milhares de amigos nessa cornucópia virtual, nessa caixa de pandora do século XXI. Eis-nos diante de mais uma quimera: o alto engano. O alto engano é peça-chave para a nossa sobrevivência. Mentimos não só para os outros, mas, principalmente, para nós mesmos. Mesmo protegidos na redoma da interatividade, continuamos sós, ali, onde apenas a solidão nos alcança. E, enquanto declamamos a torto e a direito, sugerindo que estamos sempre on, a vida verdadeira continua off. E nunca nos damos conta de que, no fim, toda a solidão que nos rodeia, essa sim, é real. Porque bytes, bits e pixels não transmitem calor, e o verbo sem o hálito quente é apenas palavra morta. E, no final, só informamos as nossas quimeras, as nossas fantasias, e nos comunicamos cada vez menos como pessoas reais. E é a isso que chamamos de solidão interativa. Sigmund Baumann definiu o mundo líquido em que vivemos com estas palavras: é uma situação muito ambivalente e consecutiva, frequentemente um fenômeno curioso dessa pessoa solitária numa multidão de solitários. Estamos todos numa solidão, inseridos numa multidão, ao mesmo tempo. Assim, não será a tecnologia que nos afastará da solidão. Ela ainda se faz presente em nosso existir, porque não vivenciamos os valores da solidariedade, da compaixão, da fraternidade. E, por mais que a tecnologia se desenvolva, por mais recursos nos ofereça, jamais eliminará a solidão de dentro de nós. Poderá, sim, agregar milhares de nomes em nossas redes de relacionamento. Porém, para preencher as necessidades do nosso coração, para que nele não haja mais espaço para a solidão, necessitamos cultivar a fraternidade, que pode até se iniciar no mundo virtual. Mas será que, inevitavelmente, migrar para a realidade das ações do nosso coração? Desta forma, a felicidade não será líquida, e sim sólida. Pense nisso. Mas pense agora.

PARA AQUELES QUE NÃO PODEM VER
17 Mar 20264:41EP 3228

PARA AQUELES QUE NÃO PODEM VER

Para aqueles que não podem ver. Aquela parecia ser apenas mais uma cerimônia de formatura de grau superior. Muitas pessoas reunidas para celebrar a conquista de seus amores. Nomes gritados com empolgação. Convenções ritualísticas antigas. Enfim, tudo que sempre se encontra nessas celebrações. Excelentíssimos, ilustríssimos, dissentes, docentes. Todos estavam lá. Os formandos, um a um, desciam de suas cadeiras, organizadas em fileiras atrás da mesa principal. A cada nome, ouvia-se uma pequena algazarra de 10, 15, 20 pessoas, homenageando aquele jovem, em meio ao grande público, que só prestava atenção quando ouvia o nome do formando que estavam prestigiando. Seguia o cerimonial: mais um nome chamado e um silêncio. A formanda demorou um pouco mais para chegar à mesa de autoridades e o fez com o apoio de um auxiliar da empresa organizadora do evento. Ela recebeu o diploma simbólico, e o público, que até agora apenas esperava um momento de felicitar seus parentes, iniciou uma demorada salva de palmas. As pessoas estavam surpresas. Uma jovem com deficiência visual, recebendo o grau de pedagoga das mãos do representante da universidade. Pensamentos ganharam os ares do anfiteatro. Os mais objetivos e práticos pensavam como ela conseguia, como conseguiu estudar, como fazia as provas. Outros, céticos e insensíveis, com a ideia de que ninguém consegue sucesso por merecimento próprio, pensavam: ah, ela deve ter recebido ajuda dos professores que se apiedaram da sua condição, ou deve ter facilitado sua vida para que ela pudesse conseguir. Muitos estavam simplesmente com uma expressão de admiração em suas faces. Sensibilizados, compreendiam que aquilo era possível: uma deficiente visual se formar na universidade. Sua comemoração, com o diploma nas mãos, foi vibrante, digna de uma autêntica vencedora. Prosseguiu a cerimônia, iniciando-se as homenagens. Na homenagem a Deus, lá estava ela novamente, levantando-se e sendo guiada até o púlpito. Havia um brilho especial em sua face. Uma alegria radiante, vinda de um espírito que enxergava melhor do que todos aqueles que estavam ali, que viam apenas com o sentimento da visão. Sua homenagem a Deus foi emocionante e sergela. Seus dedos passavam suavemente sobre os pequenos pontos em relevo da folha de discurso. Pontos criados por um outro jovem, o francês Louis Braille, no século XIX, e que se tornaram uma das janelas de acesso ao mundo para os deficientes visuais. Suas palavras eram claras, sua dicção perfeita e sua mensagem, divina. Ela agradecia a Deus por estar ao seu lado naquela conquista. Seu coração mostrava ao mundo o verdadeiro amor ao Criador, através da sua resignação e perseverança na existência. Para aqueles que não podem ver, que tudo é possível se persistirem, se lutarem e não desanimarem. E, sem palavras, apenas com sua presença, dizia que há muito mais beleza neste mundo do que podemos imaginar e que sonhar sempre será preciso. Ela dizia isso para aqueles que ali estavam e que ainda não haviam aprendido realmente a ver. Pense nisso, mas pense agora.

 A DOR QUE CAUSAMOS
16 Mar 20264:39EP 3227

A DOR QUE CAUSAMOS

Na nossa vida passamos por muitas situações felizes, mas também enfrentamos momentos tristes. Conhecemos a dor. Alguns dizem que a dor é ruim, outros falam da sua importância e do seu valor. Talvez você não tenha parado pra pensar que a dor física, de um modo geral, é um aviso da natureza que procura nos preservar dos excessos. Sem ela, abusaríamos de nossos órgãos até ao ponto de os destruirmos antes do tempo. Quando um mal aparece no corpo, são os efeitos desagradáveis da dor que nos informam de que algo não está bem, e podemos buscar o tratamento, a medicação adequada. Em se falando da coletividade, a dor tem um grande papel. Foi graças a ela que se constituíram os primeiros agrupamentos humanos. Foi a ameaça das feras, da fome, que obrigou o indivíduo a procurar o seu semelhante para constituir o grupo. Isso permitiu que, da vida comum, dos sofrimentos comuns, da inteligência e do trabalho comuns, saísse toda a civilização, com suas artes, ciências e indústrias. A dor ainda tem um efeito terapêutico para a alma, desde que, através dela, possamos resgatar faltas cometidas em passado próximo ou distante. A dor será uma bênção quando bem sofrida, ou seja, sem revolta e indignação. No entanto, existem dores e dores. Se há a necessidade da dor para tratar determinadas faltas, não está na mão de nenhuma pessoa impor sofrimento ao outro. Nenhum de nós tem o direito de ferir a quem quer que seja. E, se o fizermos, seremos responsabilizados. Bom pensarmos quantas vezes ferimos o nosso irmão, nosso familiar, nosso colega de trabalho. Quantas vezes erguemos a voz, irados, para reclamar de alguma coisa que desejamos que fosse diferente. Reclamamos da falta de sal no arroz, do prato que não ficou muito bom, até do cardápio ser feito sempre o mesmo. Quantos de nós reclamamos do companheiro de trabalho por não realizar a tarefa exatamente da forma que a idealizamos, como nós a faríamos? Quantas vezes esmagamos corações que buscaram fazer o seu melhor, mas não deram mais porque têm suas limitações? Toda dor que causamos ao nosso semelhante nos será computada em nossa carga de débitos. Devemos considerar também o quão fundo agredimos nosso próximo em sua sensibilidade. Não podemos avaliar a fragilidade do outro. Pode ser que ele não dê muita atenção às nossas reclamações, ou pode ser que a nossa migalha de dor lhe seja um acréscimo a tantas outras dores que sofre, e ele venha a se desequilibrar, física e psicologicamente. Não temos o direito de ferir. Tenhamos prudência com nossas palavras, faladas ou escritas. Escritas, ditas pessoalmente ou enviadas pelas redes sociais, de qualquer forma. O nosso papel nessa terra não é ferir. Que possamos semear paz, acolhimento e alegria através de nossas ações e palavras. É disso que o mundo precisa. Pense nisso, mas pense agora.

 BRUNO GIORDANO
14 Mar 20264:37EP 3226

BRUNO GIORDANO

A cidade de Roma estava abarrotada de gente. Eram peregrinos vindos de toda a Europa para as celebrações do jubileu do ano de 1600, que aconteceriam durante o ano todo. Especialmente naquele dia, a população se aglomerava para contemplar um espetáculo singular. As tochas acesas ao longo do caminho iluminavam a pala e da manhã de fevereiro. O filósofo e monge de 52 anos caminhava lentamente sobre as pedras frias, descalço e acorrentado pelo pescoço. Vestiam lençol branco estampado com cruzes, demônios e chamas verneiras. Aquele homem magro vencia, a passos lentos, os 800 metros desde a Torre Nona, onde estiver encarcerado, e o Campo das Flores, ampla praça onde seria executado. Alguns monges seguiam ao seu lado, convidando-o ao arrependimento. De tempos a tempos aproximavam o crucifixo dos seus lábios, dando-lhe oportunidade de salvar-se. A população se acotovelava para ver um herége famoso morrer na fogueira. Chegando à praça, onde a morte o aguardava, o filósofo se negou mais uma vez a beijar a cruz. Então foi amordaçado, despido, atado a uma estaca de ferro e coberto com lenhas e palhas até o queixo. O fogo foi ateado, e enquanto as labaredas chamuscavam-lhe a barba e seus pulmões se enchiam de fumaça, Giordano Bruno tinha um olhar fixo no infinito. Enquanto a pele estalava sob o calor das chamas e o sangue fervia nas veias, o notável filósofo ainda guardava uma convicção: não iria para o inferno. A certeza de que veria outros inúmeros mundos celestiais e viajaria através do infinito lhe dava uma paz indescritível. Em seu julgamento, no ano de 1592, em Veneza, Giordano Bruno disse aos seus julgadores que a terra não era o único planeta criado por Deus e cada estrela possuía vários planetas. Bruno foi morto na fogueira por defender a ideia de que a terra não era o único planeta que existia no universo e que muitos orbitam outras estrelas. Ironicamente, ele acreditava que suas ideias apenas engrandeciam a glória do Criador. O monge Giordano Bruno escreveu: Deus é reverenciado não apenas em um, mas em muitos incontáveis sóis. Não em uma única terra, num único mundo, mas em milhares, milhões, numa infinidade de planetas. Isso é um convite para que todos nós celebremos um Criador muito maior, o Criador do universo infinito. Foi graças às suas convicções que Bruno não titubeou ante a fogueira que o aguardava. Bastaria apenas beijar a cruz, mas ele preferiu a liberdade da verdade. Sabia que as chamas nada mais fariam do que enviar sua alma na direção de outros sóis, onde poderia viajar através do infinito. Há muitas moradas na casa de meu pai. Se assim não for, eu vou. Diz que a casa do Pai, o universo, é um local de muitos lares, de muitas humanidades. Não estamos sós neste imenso universo. Nossa terra não é o único planeta habitado. A vida é farta e infinita no cosmos, que é a casa do nosso Pai. Do nosso Pai. Somos herdeiros. Pense nisso.

 RESPEITO PELA VIDA
13 Mar 20264:29EP 3225

RESPEITO PELA VIDA

O respeito pela vida abrange o sentimento de alta consideração por tudo quanto existe. Não apenas se detém na pessoa, mas em todas as expressões da natureza. Quando não existe essa manifestação, os valores éticos se enfraquecem e todos os anseios superiores perdem o significado. A criatura humana, impulsionada por ilusões, tem se esquecido disso, sem se dar conta da gravidade de tal atitude. O egoísmo tem controlado os sentimentos, impondo seu interesse em detrimento de todos os valores mais dignos. Os membros da sociedade têm sido separados, lamentavelmente, dividindo-se em classes, considerando os recursos sociais e econômicos, porém nunca os morais. Surge, então, um abismo entre os seres. As emoções e anseios individuais se convertem em ódios tolos, abrindo campo para as batalhas da violência doméstica e urbana. Alguns acreditam que, possuindo dinheiro e desfrutando de projeção política ou social, serão capazes de conseguir afeição e companheirismo. Amargo engano. Afeto e amizade não se compram, nem tampouco se impõem. Alguns se deixam seduzir por esses recursos transitórios e, lá na frente, se frustram. Iludem-se pensando que a criatura pode ser identificada pelo que possui e não pelo que realmente é. Todas essas fantasias, no entanto, são passageiras, porque as riquezas trocam de mãos rapidamente. A beleza e o poder não enfeitam as mesmas faces por longos anos. Tocadas pela brisa do tempo, elas desaparecem e cedem lugar à verdadeira essência, que pode ser boa ou ruim. Ninguém consegue ser feliz individualmente no deserto que cria para si mesmo ou numa ilha isolada de convivência social. Tentando ignorar essa verdade, muitos se valem de práticas infelizes. Tornam-se pessoas agressivas, insensatas. Esse é outro equívoco que conduz a tragédias ainda mais dolorosas. A vida só se faz digna e próspera quando se estrutura na pedra fundamental do respeito. O respeito pela vida eleva o padrão de conduta, dignificando aqueles a quem é direcionado e elevando moralmente quem assim se comporta. A honestidade, por sua vez, indispensável no sucesso dos relacionamentos humanos, proporciona confiança e bem-estar aos seres. Nesse dia, temos a oportunidade de refletir: quais são os desafios íntimos que nos levam a situações embaraçosas? Trabalhemos item a item, a cada dia, experimentando as alegrias que decorrem do respeito pela vida. Assim, vamos redescobrir o amor e a satisfação de compartilhar os júbilos com os outros. Respeitando a vida, passaremos a ser respeitados e estimados. Notaremos em nós mesmos a satisfação de estar em paz com a própria consciência. A vida é a sublime concessão de Deus, que não pode ser desconsiderada por quem quer que seja. Pense nisso, mas pense agora!

SOLIDARIEDADE ENTRE AS GERAÇÕES
12 Mar 20263:31EP 3224

SOLIDARIEDADE ENTRE AS GERAÇÕES

De um modo geral, temos uma grande tendência para reclamar da vida. Reclamação que não se restringe apenas a pequenas desventuras individuais. Reclamamos do país onde vivemos, dos políticos, das escolas, dos vizinhos. Comparamos a nossa estrutura social com outras que julgamos melhores e nos sentimos injustiçados. Alguns países do primeiro mundo parecem um paraíso. Lá, há educação e saúde de qualidade, bons empregos, segurança. Há menos violência e desonestidade. Ocorre que a vida não é feita de acasos. Bênçãos e desgraças não são sorteadas de forma aleatória. Como protagonistas do próprio destino, temos liberdade de atuação, mas devemos assumir as consequências dos próprios atos. As opções do passado influenciam decisivamente o presente. Dessa forma, vivemos no ambiente que ajudamos a construir. Quem nasce em um meio social bem estruturado certamente teve alguém que colaborou para que ele assim se tornasse. Se o mundo que nos rodeia não é agradável, constitui nosso dever agir para torná-lo melhor. Muitas vezes, colocamos a culpa do caos social na falta de atuação precisa das gerações passadas. Ocorre, porém, que nós mesmos deixamos de buscar alternativas para melhorar a nossa realidade. Se ontem agimos de forma indigna e egoísta, hoje experimentamos o resultado desse agir. Assim, é importante assumir o papel que nos cabe na construção de uma sociedade melhor. É de nosso interesse direto que nossa cidade, estado e país melhorem, que as criaturas que nos rodeiam evoluam em todos os sentidos. Muitas vezes, ouvimos com desinteresse notícias relativas ao meio ambiente. Equivocadamente, pensamos que isso não nos diz respeito. Afinal, estaremos mortos há muito tempo quando não houver mais água no planeta ou o ar se tornar difícil de respirar. Trata-se de um erro enorme de planejamento. Não nos atentamos que nossas ações e omissões produzirão um efeito. Devemos cuidar do planeta, educar as pessoas, vigiar o governo. As gerações são solidárias, muito mais do que pensamos. Pensemos na herança que estamos deixando para as gerações futuras. Sim, pense nisso, mas pense agora.

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