Capa de PENSE NISSO

PODCAST · 3375 EPISÓDIOS

PENSE NISSO

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

Compartilhar

Episódios

Ordenar por:Mais recentes
VALORES E TOLERÂNCIA
30 Mar 20263:55EP 3239

VALORES E TOLERÂNCIA

Há muito tempo atrás, o sol se levantou orgulhoso por ser parte fundamental da vida, por ser grande e poderoso, e todos o tinham em mais alta relevância. Quando atingiu o topo mais alto do céu, mostrando toda a sua imponência, uma nuvem veio e escondeu o seu brilho. Logo, o vento começou a soprar e uma chuva caiu, refrescando o seu calor. Zangado, o sol gritou para a nuvem que saísse do seu caminho, pois estava impedindo que seu brilho e seu calor chegassem até a terra. Paciente, a nuvem respondeu: estou aqui apenas para exercer o meu dever de trazer sombra, serenidade e molhar a terra, para que as sementes possam germinar e abastecer os rios, para que todos possam ter água para beber. Por alguns instantes, o sol refletiu sobre o assunto e entendeu que, por mais que fosse vital, não era o único, e que, para a vida evoluir, é essencial que todos cumpram o seu papel e a sua função. É importante conhecer os valores dos que nos cercam, aprender a conviver com a diferença e entender que, por mais que a nossa presença seja importante, é fundamental a diversidade e a qualidade que recebemos, que cada um pode agregar para o mundo. “Amai-vos uns aos outros.” Essa frase, tão conhecida por todos, fala da importância de aceitar e entender a relevância das pessoas ao nosso redor, com todas as suas peculiaridades e diferenças. Não estamos aqui para sermos superiores ou julgar quem é o melhor ou quem pode estar no mesmo espaço que nós. Todos que passam pelas nossas vidas têm o seu valor e são essenciais para a nossa história. É comum pensarmos que somos melhores e mais importantes que o outro, seja na vida social, no trabalho e até mesmo no meio familiar. Mas estamos na terra para aprender a viver e a conviver com o próximo. E há virtudes que só desenvolvemos no contato com o outro. Por mais desafiantes que certas companhias possam ser, temos que valorizar e entender que estão no nosso caminho por razões muito valiosas e precisas. Observemos, convivamos, conheçamos e nos autoconheçamos. Seja mais tolerante e valorize os que te cercam. Não seja compreensivo só com os que erram pouco ou com quem é parecido com você, porque isso é fácil, mas seja compreensivo com os que erram muito e são diferentes da sua personalidade. E, fazendo bom uso da tolerância, você servirá como exemplo de valor. Pense nisso, mas pense agora.

EMPREENDEDOR DA SUA FELICIDADE
28 Mar 20266:23EP 3238

EMPREENDEDOR DA SUA FELICIDADE

O conselho que diz. Nada importa. Só faça o que você gosta. A resposta é muito ingrato. E tem pessoas ficando muito frustradas por aí por causa disso. Por que falamos isso? A resposta não é direta pela sua complexidade. Então, façamos aqui uma dissertação a respeito do assunto. É insensível e talvez até ignorante, no sentido de ignorar, afirmar que essa geração é mimada, perdida e vive no mundo da ilusão. A verdade é que tem muita gente fazendo e criando muita coisa fantástica por aí. E mais, aqui no Brasil mesmo. Hoje temos a internet. Essa maravilhosa rede que nos conecta com qualquer pessoa do mundo. E hoje tudo que a gente precisa para começar qualquer coisa é de uma rede wi-fi e uma ideia. Não estou falando de empreendedorismo. Não precisa ser uma empresa. Não precisa ter um milhão de lucro a cada ano. Não precisa sair na capa da revista Forbes. Não precisa ser seu ganha-pão. Mas são negócios criados por jovens com uma vontade enorme de não deixar a vida passar em branco. A gente vê os casos de pessoas que deixam tudo para abrir uma empresa e hoje são milionários como casos de exemplo. Mas eles não são exemplos. Eles são apenas outras pessoas que ralaram para caramba para chegar lá. Isso não quer dizer que você precisa seguir o caminho delas para abrir o seu negócio. Esse negócio de empreender não é para todo mundo. Mas fazer o que você ama e acredita não precisa ter a ver com empreender. Tem simplesmente a ver com fazer. Não é todo mundo que pode desistir de tudo e viajar pelo mundo. Por isso, eu acho que esse conselho que diz nada importa, só faça o que você gosta, é muito ingrato e há realmente pessoas ficando muito frustradas por aí por causa disso. Tenha um emprego que te dê um mínimo de estabilidade, que não te dê vontade de morrer e não ocupe todo o seu tempo. Faça alguma coisa que você goste minimamente, que te faça aprender, crescer e ao mesmo tempo te dê gás para focar naquilo que você realmente quer. Trabalhar sempre te dá um know-how importante. Vai te conectar com pessoas. Vai fazer você aprender a trabalhar em parceria. E isso, você vai precisar em qualquer negócio. Mais do que coragem para começar a fazer o que gosta, é preciso ter disposição. E você vai encontrar motivação em outras coisas que não sejam dinheiro. Esse texto, por exemplo, não traz retorno financeiro nenhum. E mesmo assim, escrever ou fazer adaptações de textos para o Pense Nisso é o que eu tenho de mais valioso na minha vida profissional. Minha motivação é a troca que eu tenho com os ouvintes, o frio na barriga que eu tenho toda vez que clico no botão Enviar. É aquela ansiedade de ouvir o texto interpretado pelo locutor, em seguida, acompanhar as edições. Será que a triga, ou seja, a música de fundo usada, combinou com o tema? Com o tom de voz que o locutor usou? Será que a mensagem vai acrescentar algo positivo para a pessoa que vai ouvir? Toda vez que eu aperto esse botão, eu não tenho mais controle em nenhuma das minhas palavras. Elas são suas, e o que a sua imaginação ou entendimento fizer delas. Por isso eu falo que a mensagem que escrevemos é um mapa para a sua imaginação. E sinceramente, dinheiro nenhum compra isso. Criar alguma coisa do zero sempre requer coragem e requer confiança em você mesmo. Não importa se você não quer fazer isso para o resto da vida. Faz o que você tiver vontade de fazer agora. Vai tocar numa banda, entra numa aula de teatro, vai fazer natação, gastronomia, qualquer coisa que faça seus olhos brilharem. Não precisa esperar o momento certo de fazer. Não precisa ser popular. Não precisa ter uma grana guardada. Felizmente, é gratuito colocar sua ideia na internet e se conectar com pessoas. Afinal, sucesso para mim sempre foi sinônimo de felicidade. E felicidade é melhor quando compartilhada. Tenho mais de 50 anos. E por mais que a lógica diga que tenho mais passado do que futuro, continuo fazendo projetos. Continuo plantando árvores, mesmo que não desfrute de sua sombra e de seus frutos. Porque eu sei que novas gerações desfrutarão dela. E é a maneira mais concreta e real de dar um sentido para minha existência. A vida é constituída de desafios constantes. Sempre há que se começar a viver de novo. A cada momento, você pode recomeçar uma tarefa edificante que ficou interrompida. Nunca é tarde para fazê-lo. Nunca desista de lutar. Albert Einstein disse uma vez, a lógica pode levar de um ponto A para um ponto B. A imaginação pode levar a qualquer lugar. Use sempre a imaginação a fim de ganhar força e continuar a jornada. Tenha o tempo que for. Lembre-se, o seu futuro são as boas obras. Não só para você, mas também para toda a sociedade. Pense nisso. Mas pense e faça agora.

NUNCA DESISTA DOS SEUS SONHOS
27 Mar 20263:57EP 3237

NUNCA DESISTA DOS SEUS SONHOS

Todos já passamos por situações em que o nosso planejamento não acontece como queremos ou no momento que esperávamos, e a nossa motivação começa a desmoronar. Muitas das vezes, acusamos Deus de não ouvir o nosso clamor. Culpamos a nossa criação, o sócio, o colega, o mundo, e inventamos desculpas para nossa falta de fé e desânimo. Contudo, o que não acontece é que a nossa criação. O que nós não entendemos é que o segredo de acontecer é levantar quantas vezes for necessário e fazer. Sabe essa ideia que você tem na cabeça e que acredita que é o começo que mudará a sua vida? Seja para ganhar mais dinheiro, mudar de carreira ou simplesmente passar mais tempo com a sua família. Então, o único que pode fazê-la acontecer é você. Pare de sonhar seus sonhos e comece a vivê-los. Acredite que você é capaz, que você é a chave para tudo que deseja sobrevenha na sua vida. Quando somos bebês e começamos a dar os nossos primeiros passos, acreditamos que é impossível, temos medo de cair, medo de nos machucar. Mas, com o carinho e a dedicação dos nossos pais, damos o nosso primeiro passo, depois outro e mais outro. E, quando percebemos, andar é tão natural que esquecemos das nossas dificuldades ou medos iniciais. Planejar as situações e os momentos certos é bom, traz segurança e a crença de que somos capazes de controlar situações intangíveis. Mas por que planejar? Por que não começar agora? Qual é o seu medo? Não dependa do destino ou das situações para mudar de vida e realizar seus sonhos. Seja independente das circunstâncias. Viva como sempre quis. Realize o que sempre sonhou. Abrace seu verdadeiro eu e brilhe como se fosse o sol. Assim, você se tornará um magnético de coisas boas, de evolução, e tudo o que você sempre sonhou se tornará realidade. E, quando as situações não saírem do seu agrado e o inesperado acontecer, lembre-se de que, por algumas horas, o sol também não consegue iluminar parte dos seus planetas. E, para alguns mais distantes, o calor demora a chegar, mesmo que ele viaje na velocidade da luz. Mas nunca, em momento algum, ele deixa de ser o sol e para de brilhar. Para tudo na vida existe um tempo determinado. Apenas não desista. Não se desmotive. Se cair, levante-se. Se não deu certo na primeira vez, tente novamente. Simplesmente dê um passo de cada vez, que, com certeza, você chegará ao seu destino e realizará todos os seus sonhos. Pense nisso, mas pense agora.

INVERNOS EXISTÊNCIAIS
26 Mar 20264:44EP 3236

INVERNOS EXISTÊNCIAIS

Já imaginou que, por mais bela e florida seja a primavera, o verão sempre pede passagem e traz consigo os seus dias quentes? Nós, mesmo que desejando reter esses dias ensolarados e agradáveis, notamos o outono se aproximar. Ao chegar, é como se ele estivesse obedecendo a um chamado superior. Ele se instala de maneira silenciosa, mas decidido. Depois de um lindo espetáculo de cores, as folhas caem vencidas, transformando a paisagem. É dessa forma que o outono também parte. Soberano, o inverno logo aparece e nos faz sentir as suas mais variadas formas, de seus dias frios e cinzentos. Passa o tempo, e outra vez o espetáculo colorido de folhas e flores anuncia que a primavera está de volta. E é assim que os ciclos das estações se repetem e trazem oportunidades de aprendizado para todos nós. Semelhante às estações, o nosso viver também tem primaveras, verões, outonos e invernos. Mas nem sempre percebemos as lições que cada estação enseja e nos desesperamos diante dos dias frios e cinzentos dos invernos existenciais. Que a primavera é agradável, não há dúvidas. Flores e perfumes tornam nossos dias mais alegres. No entanto, se as flores surgem na primavera, é no inverno que acumulam as horas de frio necessárias para fazer brotar a gema floral, com o choque térmico no início da nova estação. Sim, se não fosse o frio, não teríamos alguns tipos de flores e frutos. O frio quebra a dormência das gemas, que dão origem à folhagem e aos frutos na primavera, quando folhas e flores enfeitam a paisagem. É assim que nós também podemos utilizar os invernos existenciais para favorecer a floração das virtudes que embelezam nossa vida e nos trazem alegria. É assim que árvores e plantas perdem galhos e folhas, mas garantem floradas em todas as primaveras. Por vezes, nós também passamos pelos invernos existenciais e perdemos, temporariamente, a nossa exuberância. Não há dúvidas de que os dias ensolarados e alegres são encantadores, mas aprenda: são os dias difíceis que mais desafiam as nossas potencialidades e quebram a concha da nossa acomodação. Assim, diante dos açoites do inverno, pense nas preciosas lições da natureza. Observe as árvores desfolhadas. Note que, apesar da vista cinzenta e sem brilho, elas seguem em pé, firmes e cheias de esperança. Suportam os ventos, as chuvas, o frio e a falta de luz, mas conservam a seiva da vida na sua intimidade. Instintivamente, aguardam o retorno da primavera que, com sua brisa morna, vem acariciar as flores e fazê-las frutificar. Interessante, não é mesmo? Pense nisso e aproveite os dias ensolarados para armazenar o vigor que lhe sustentará nos invernos existenciais. Quando os dias escuros surgirem na sua vida, não permita que a tristeza lhe roube a esperança de ver surgir, outra vez, a primavera. Lembre-se de que, mesmo em dias nublados, o sol está sempre à espreita, esperando sua vez de brilhar e espalhar vida por sobre toda a natureza.

FISSURAS
25 Mar 20265:08EP 3235

FISSURAS

Imagine uma parede que era robusta e aparentemente inabalável, que suportava ventos fortes e chuvas intensas há anos. Ela fazia parte de uma grande fortaleza que ninguém arriscava atacar, porque parecia ser inconquistável. No entanto, na sua face sul, onde o sol raramente tocava, havia uma irregularidade quase imobiliária. Imperceptível. Era o resultado da pressa em sua execução ou, quem sabe, do descuido de um dos executores da obra. Agora, porém, isso pouco importava. Afinal, aquela muralha foi erguida há muito tempo, e os responsáveis por ela nem mais andavam sobre a terra. No entanto, aquela imperfeição foi servindo de depósito natural da água da chuva e dos detritos trazidos pelo vento. A água foi se infiltrando no muro e trilhando um caminho próprio, em busca de uma saída entre as rochas reunidas por espessar da massa. Com o passar do tempo, uma fissura surgiu onde antes havia uma depressão quase invisível. Alimentada pelas águas das chuvas e pelo limo que invadira a parede, úmida e fria, foi se expandindo até tornar-se uma sustadora rachadora. Agora era vista mesmo à distância e parecia ameaçar a solidez de toda a estrutura. O tempo corria veloz, sem que providência alguma fosse tomada. A rachadura corrompeu a parte inferior do muro que, atingido pela umidade, deteriorava-se a olhos vistos. Em uma noite fria, quando o temporal ruidoso e inclemente avançava sobre a praia próxima, a ventania atingiu a muralha com violência. E ela, que suportara ventos ainda mais fortes, dessa vez não resistiu. Corrompida pela água, que a agredir a sua base e parte de seus materiais, a grande parede tombou, pesadamente, como se estivesse cansada de resistir. Como um robusto carvalho se permite, um dia, tombar depois de anos de majestade, também ela, traída pela pequena fissura, entregou-se à ação do tempo. Uma simples fissura, decorrente de uma imperfeição aparentemente insignificante, causou a queda do grande muro. Os que passam ao lado das ruínas daquilo que um dia foi uma imponente fortaleza ignoram que a destruição daquele monumento grandioso se iniciou com uma mera e banal rachadura. Assim também somos nós com os nossos vícios. Nos perdemos em meio a alguns hábitos infelizes, considerados muitas vezes como atitudes comuns na sociedade, que podem corromper as nossas mentes. Hoje são fofoquinhas a servir de passar tempo aos desocupados; amanhã serão mentiras ardilosas a destruir lares e prejudicar vidas. Hoje são apenas alguns goles de bebida alcoólica para descontrair; amanhã serão drogas pesadas a arruinar centros nervosos e a lesionar profundamente os destinos. Os vícios surgem como pequeninas fissuras na conduta humana. Em um primeiro momento, não despertam grandes receios e chegam até a ser ignorados pelos menos avisados. No entanto, com o passar do tempo, vão se agigantando e invadindo o espaço que deveria ser da virtude. Abalam estruturas que pareciam sólidas e destroem futuros venturosos. Portanto, estejamos sempre atentos e pensemos nisso. Mas pensemos agora, e com seriedade.

IMPRESSÕES NEGATIVAS
24 Mar 20264:03EP 3234

IMPRESSÕES NEGATIVAS

Conduzir os jovens e adolescentes a um templo religioso muitas vezes não é uma tarefa fácil. Talvez seja em virtude da situação conflitante que a nossa sociedade tem passado. Isso faz recordar uma experiência vivida por um casal de amigos. Eles tinham um filho de 14 anos que não se interessava em frequentar as reuniões religiosas junto com os pais. Todas as vezes que eles foram a reuniões, falavam sobre a necessidade de buscar ajuda de Deus para enfrentar, com fé e confiança, as aflições da vida, e o filho se mantinha calado, dedilhando sua guitarra, da qual poucas vezes se separava. Um dia, já cansados de tentar convencê-lo, os pais aproximaram-se do rapaz e começaram a lhe falar da importância de ele os acompanhar ao templo religioso. O garoto, que até então estava calado, segurou as cordas da guitarra com uma das mãos, olhou para eles firmemente e disse: meus queridos pais, há quanto tempo vocês professam essa religião? O pai, imediatamente, respondeu que já fazia vinte anos, e a mãe disse que ela professava desde o berço. O jovem abaixou a cabeça e continuou a acariciar a sua guitarra, mas os pais insistiram. Então ele disse: eu não queria magoá-los, mas, já que insistem, vocês acabaram de falar os anos que cada um frequenta o templo religioso, e eu, que na verdade já sabia disso, peço que me digam com toda a sinceridade: para que serve a religião, se vocês vivem brigando dentro de casa? De que adianta buscar um Deus que não consegue fazer com que vocês se entendam e se perdoem, ao invés de viverem aos gritos um com o outro? Eu realmente não vou perder o meu tempo com coisas que não são eficientes nem para vocês mesmos. A história desses amigos vale como um motivo de sérias reflexões para todos nós. Esquecidos de que os filhos são portadores de inteligência e bom senso, os pais querem que eles acreditem no que falam, e não no que eles acabam observando no dia a dia. Devemos entender e aprender que é importante ensinar pelo exemplo e não tentar convencer ninguém com teorias vazias. Geralmente, os responsáveis pelo distanciamento dos jovens e o seu Criador são aqueles que se cercam com a sua falta de fé ou hipocrisia. Por isso, para apontar um caminho correto aos seus filhos e filhas, ou para quem quer que seja, é importante que você esteja nele também. É necessário que, além de crer e falar, você possa viver para impressionar. Pense nisso e viva de acordo com os conceitos que acredita.

APRESSADA AVALIAÇÃO
23 Mar 20265:13EP 3233

APRESSADA AVALIAÇÃO

Conta-se que um açougueiro trabalhava em um dia normal, quando entrou no estabelecimento um cachorro. Ele se preparou para enxotá-lo, quando percebeu que o animal trazia um saco à boca. Verificou que, dentro do saco, havia um bilhete. Atendeu ao que estava ali escrito, devolvendo ao cão o saco com carne bem acondicionada e o troco dos valores que encontrava. O animal, com o saco à boca, saiu tranquilamente do açougue e foi andando pela calçada. O açougueiro ficou intrigado com quem seria aquele cão tão bem treinado e resolveu segui-lo. O cão chegou à esquina, levantou-se nas patas traseiras e apertou o botão do semáforo para a travessia de pedestres, parando o trânsito. Então, atravessou a rua na faixa de pedestres. Mais adiante, outro semáforo estava vermelho, e o cão parou. Quando o sinal ficou verde, o cão atravessou a rua. Chegando a um ponto de ônibus, esperou. Quando o primeiro ônibus parou, o cão olhou para o letreiro e não entrou. Quando outro ônibus parou, um pouco depois, o animal voltou a olhar o letreiro. Dessa vez, entrou e ficou perto da porta, acompanhando o trajeto com atenção. O açougueiro estava perplexo. Nunca viu nada igual. Depois de várias quadras, o cão desceu do ônibus e andou um pequeno trecho. Em frente a uma casa, abriu o pequeno portão e entrou. Parou à porta e começou a bater com a cabeça na madeira. Depois, foi à janela e tornou a bater a cabeça contra o vidro várias vezes. Finalmente, a porta se abriu. Um homem grande e zangado veio para fora e começou a agredir o cão, chamando-o de bobão, inútil, traste. O açougueiro não aguentou, deteve a agressão e falou ao dono do cão: — Que é isto? Você tem um animal extraordinário, treinado, inteligente, e o agride desta maneira? — Inteligente? — gritou o dono. — Ele é um tonto! Já falei um milhão de vezes, e este inútil ainda não aprendeu a abrir a porta! Naturalmente, o conto é fictício, mas vale a reflexão. Quantas vezes agimos como o dono desse cão? As pessoas nos servem, nos agradam, e nós só reclamamos. Reclamamos da mãe que não nos preparou a sobremesa que pedimos e esquecemos de agradecer a roupa limpa, impecável, no armário, os pratos preparados com amor, as frutas, o suco, o cereal no café da manhã. Reclamamos dos pais que não entendem nossos sonhos, nosso papo, nossa turma legal, e não lembramos dos braços que nos carregaram depois das brincadeiras na praia, das horas exaustivas de trabalho deles para nos garantir a escola, o lazer, as viagens. Reclamamos do funcionário que não atendeu a uma ordem em todos os detalhes. Lembramos das mil coisas que ele faz todos os dias, sem errar, diligente, atento, vendendo sempre muito bem o bom nome da nossa empresa. Reclamamos sempre, numa atitude tola de quem não tem capacidade de avaliar o real valor dos que nos cercam. Pensemos nisso e tomemos ciência, primeiro, de que, por vezes, nos tornamos pessoas um tanto desagradáveis com esse tipo de atitudes. Segundo, perguntemo-nos se nós mesmos faríamos melhor. É possível que a nossa incapacidade, preguiça ou acomodação nos digam que estamos reclamando, na verdade, por nos darmos conta de como somos dependentes dessas pessoas. Pensemos nisso e foquemos no que realmente importa.

TUDO É TRANSITÓRIO
21 Mar 20264:22EP 3232

TUDO É TRANSITÓRIO

Um relator de importante revista nacional escreveu, em um de seus artigos, algo que nos levou a reflexões a respeito da vida que levamos. Escreveu ele que pode até não ser verdade. Talvez a história não comprove o fato. Contudo, é uma excelente ideia. Na Roma Antiga, quando um general voltava de uma campanha vitoriosa no estrangeiro, fazia-se uma grande procissão pela cidade. O povo saía às ruas da cidade para assistir ao desfile triunfal do comandante vencedor e homenagear a grandeza que ele trazia para a pátria. Era a honra máxima que um cidadão romano podia almejar. Mas, para chegar a isso, ele devia ter trabalhado muito por Roma. Ele devia ter matado, em combate, pelo menos cinco mil soldados inimigos. Tinha de mostrar os chefes derrotados, que desfilavam atrás do seu carro. Devia ter enfrentado um exército, no mínimo, equivalente ao seu. E, acima de tudo, devia trazer a sua tropa de volta para casa, porque um líder é responsável pelos seus liderados. Entretanto, os romanos, que passaram à história como os símbolos do orgulho, paradoxalmente, tinham em alta conta a modéstia pessoal. Como, então, receber toda essa homenagem? Desfilar vitorioso pela multidão como um rei? Ser ovacionado como grande triunfador? E não se encher de soberba? É aí que aparece a grande ideia. Logo atrás do general vitorioso, no mesmo carro puxado por quatro cavalos que ele conduzia, ficava um escravo. De tanto em tanto tempo, ele dizia baixinho no ouvido do triunfador: memento mori. Ou seja, lembre-se de que você vai morrer um dia. Com certeza, nada melhor para baixar a soberba de qualquer alta autoridade que começa a se achar o bom, o melhor. Lembre-se de que você vai morrer um dia. Essa reflexão que, de tempos em tempos, seria oportuno nos permitirmos. Não somos imortais na carne, embora alguns, antecipando novas e surpreendentes conquistas da ciência médica, apregoem que chegará o dia em que não mais teremos de morrer. Seria trágico. E enfadonho. Isso se chama dinamismo e renovação. Mas lembrar que teremos fim um dia, que nossos eventuais inimigos também haverão de morrer, que tudo passa, é medida salutar. Nada é perene sobre a Terra. Passam as questões corriqueiras, o poder, a autoridade humana, a vida física. O que hoje é, amanhã poderá deixar de ser. Assim, reflexionando, não ficaremos agarrados a pretensos cargos, a fortunas, a interesses mesquinhos. Tudo é transitório na Terra. Hoje detemos o cargo. Amanhã estará em outras mãos. Hoje comandamos centenas de pessoas. Amanhã, essas mesmas pessoas poderão estar acompanhando o nosso funeral. Assim sendo, semeemos o bem. Façamos nosso melhor como se hoje fosse nosso último dia neste mundo. Amemos, abracemos, façamos o nosso melhor, porque o amanhã poderá nos surpreender nos campos de uma realidade que apenas supomos, mas da qual temos certeza absoluta. Pensemos nisso, mas pensemos agora.

Nada tocando
PENSE NISSO
0:00
0:00