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PODCAST · 3375 EPISÓDIOS

PENSE NISSO

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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O VALOR DE UM ABRAÇO
30 Abr 20264:39EP 3263

O VALOR DE UM ABRAÇO

Cansado de mais um dia árduo de trabalho, um feirante sentou-se à beira da calçada onde sua banca de legumes ficava. Pensativo por não ter vendido o suficiente naquela semana e exausto da sua rotina, resolveu fechar seus olhos e pedir aos céus que lhe desse forças para continuar. Ao voltar para casa, foi recebido com um prolongado abraço do seu filho, que saiu contando do seu dia na escola. E, quando a noite se encerrou, o feirante se deu conta de como o abraço do seu filho trouxe alívio e esperança de dias melhores. Todos os dias, levantamos cedo e vamos trabalhar. Enfrentamos as dificuldades, os desafios. Superamos obstáculos, buscamos nossos objetivos, nos dedicamos, nos esforçamos e sacrificamos momentos preciosos com as pessoas que amamos. E nem sempre as coisas saem como planejamos, não ganhamos o suficiente para viver como queríamos, não economizamos o necessário, nem sempre temos tempo, energia, disposição para tentar mais uma vez. Cansados, não damos atenção a nossos familiares, que esperaram ansiosos pelo nosso retorno. E, no outro dia, estamos outra vez correndo atrás do material e, muitas das vezes, não vemos esboço de felicidade, não nos sentimos motivados ou esperançosos com o futuro. Contudo, a vida tem uma maneira especial de nos surpreender, de nos fazer recarregar as energias, de nos dar o combustível. O combustível que precisamos para continuar. E esse combustível é o amor. O amor é capaz de transformar a dor em alegria, a tristeza em esperança, o medo em coragem. O amor é capaz de curar as feridas, de renovar as energias, de iluminar as trevas. O amor pode ser encontrado nas coisas mais simples da vida, nas pequenas atitudes, nos gestos cotidianos, em um olhar, um sorriso, em um abraço. O abraço é uma das formas mais puras e sinceras de recarregar as energias. É uma forma de dizer: eu estou aqui, eu me importo, eu te apoio. É a forma mais singela de dizer: eu te amo. Aproxime-se mais das pessoas que você ama. Tente sentir do que um abraço é capaz de fazer com a nossa alma. Quando bem apertado, ele ampara tristezas, combate incertezas, diminui o medo, divide alegrias e ternuras. Um abraço pode fazer milagres na vida. Aliviar o cansaço, acalmar o coração, tranquilizar a mente, fortalecer a autoestima, aumentar a confiança, melhorar o humor. Não deixe de dar e receber abraços sempre que puder. Não deixe de expressar o seu amor através dos seus braços. Não deixe de sentir o amor através do seu peito. Lembre-se: um abraço pode mudar o seu dia e o dia de alguém. Um abraço pode mudar a sua vida e a vida dos outros. Um abraço pode mudar o mundo. Então, abra os seus braços e abrace. Abra o seu coração e sinta. Abra a sua mente. E perceba o valor de um abraço. Pense nisso, mas pense agora.

FOLHA DE PAPEL
29 Abr 20264:54EP 3262

FOLHA DE PAPEL

A confiança é a base de qualquer relacionamento, seja pessoal ou profissional. É ela que nos permite abrir nossos corações e mentes para os outros, compartilhar nossos sentimentos, nossos sonhos, nossos medos. É o que nos faz sentir seguros, respeitados, valorizados. Mas o que acontece quando essa confiança é quebrada? Quando alguém nos trai, mente, nos decepciona? Como podemos lidar com essa situação? Como podemos recuperar a confiança perdida? Pegue uma folha de papel e amasse bem. Agora tente desamassar e deixar a folha lisa novamente. Conseguiram? Provavelmente. A folha ficou cheia de marcas, de dobras, de rugas. Ela nunca mais será a mesma. Assim é a confiança. Quando alguém nos machuca, nos fere, nos magoa, a confiança fica amassada. Ela nunca mais será a mesma. Podemos até tentar consertar, perdoar, esquecer, mas as marcas ficam lá, nos lembrando do que aconteceu, e isso afeta a forma como nos relacionamos com as outras pessoas, como nos vemos e como vemos o mundo. Mas então, o que devemos fazer? Devemos desistir da confiança? Devemos nos fechar para os outros? Devemos viver com medo de sermos feridos novamente? Claro que não. A confiança é essencial para a nossa felicidade, para o nosso crescimento e para o nosso sucesso. Não podemos deixar que uma experiência ruim nos impeça de confiar novamente. Mas como podemos restaurar a confiança? Como podemos voltar a acreditar nas pessoas ou em nós mesmos? Não há uma resposta fácil para isso. Cada caso é um caso. Cada pessoa é uma pessoa. Mas podemos trabalhar nossos sentimentos e educar as nossas emoções. E o primeiro passo para a cura é: Não negue. Não minimize. Não ignore o que aconteceu. Encare a realidade. Admita que você foi ferido, que você se sentiu traído, que você perdeu a confiança. Isso é importante para se libertar da culpa, da raiva, da mágoa. Isso é importante para você se curar. Não se isole. Nem se feche. Compartilhe seus sentimentos com alguém de confiança, que possa te ouvir, te apoiar, te compreender, fazer sentir acolhido, respeitado, valorizado. Desabafa. Falar lava a alma. A confiança é como uma folha de papel, quando amassado, nunca mais será o mesmo. Mas isso não significa que ela não possa ser usada novamente. Podemos transformar essa folha em um aviãozinho, em um barquinho, em um origami. Podemos transformar essa folha em uma obra de arte, em uma mensagem de amor, em um bilhete de esperança. Podemos transformar essa folha em algo novo, algo melhor, algo mais bonito. Podemos transformar essa dor em uma lição, em uma oportunidade, em um desafio. Transformar essa dor em crescimento, em superação, em uma vitória. Por isso, não desista de mais. De confiar. Não desista de acreditar na bondade do próximo, de confiar na vida e, principalmente, confiar em si mesmo. A confiança é o que nos move, o que nos inspira, o que nos faz felizes. A confiança é o que nos torna humanos. Pense nisso, mas pense agora.

 PREOCUPAÇÃO
28 Abr 20264:01EP 3261

PREOCUPAÇÃO

Há um oponente que nos persegue a todo instante, surrupiando nossa paz interior, impedindo-nos de viver o agora. Ele nos persegue implacavelmente, nos ataca incansavelmente, comprometendo até nossa saúde, nos angustiando e arrancando de nós o maior presente da vida: a felicidade do aqui e agora. Com ele, não conseguimos aproveitar as coisas simples e até grandiosas da vida. Deixamos de vibrar por algo e damos lugar a um medo. Esse inimigo é a preocupação. Palavra originalizada do latim Preocupazione, que significa preocupação. E quantas vezes não estamos preocupados previamente pelas diversas ocasiões? Por elas somos bombardeados desde que acordamos e, às vezes, é o motivo de nem dormirmos. A preocupação com o amanhã nos assusta mais do que deixar de viver o hoje. E, às vezes, essas aflições são diversas. Por vezes, são as questões financeiras, contas e dívidas que parecem não ter fim; as demandas do trabalho e o futuro na carreira; ainda a família, amigos e pessoas que estão em conflitos; a saúde; e, ainda, situações globais, como doenças e pandemias. Você consegue pensar, lembrar do que te traz aflições? O que tem te deixado angustiado? Quais são as situações da sua vida que lhe geram preocupação? O que tira a sua paz? O mestre Jesus, quando passou aqui na Terra, instruiu a não nos preocuparmos com o amanhã, pois basta a cada dia o seu mal, o seu leão por dia. O Nazareno ainda nos orienta a observarmos as aves do céu, pois, quando olhamos para elas, percebemos que não semeiam nem colhem e, mesmo assim, nada lhes falta, pois o Criador cuida delas. Elas não se preocupam com a comida de amanhã, apenas vivem o hoje. Um líder budista disse, certa vez, que só existem dois dias do ano em que não podemos fazer nada: um se chama ontem e o outro, amanhã. Talvez você esteja deixando de viver momentos preso na preocupação do dia que ainda nem chegou, do problema que nem aconteceu, da falta que não surgiu, do imprevisto que nem aconteceu. O poeta William Shakespeare explanou que é possível perder-se a vida quando a pretendemos resgatar à custa de demasiadas preocupações. O que tira a sua energia? Quais preocupações tiram a sua paz? O que você pode fazer sobre elas? Às vezes, a melhor saída é viver o agora, crendo que o amanhã será melhor. Pense nisso, mas pense agora.

O SILÊNCIO É OURO
24 Abr 20263:53EP 3260

O SILÊNCIO É OURO

Creio que todos já ouvimos o provérbio que diz que a palavra é prata e o silêncio é ouro. Mas poucos conseguem, de fato, colocar essa sabedoria de vida na prática cotidiana. Infelizmente, existe um equívoco em pensar que ficar calado, em determinadas situações, é uma covardia, insegurança e falta de posicionamento. Mas o silêncio é, na verdade, uma atitude necessária e importante. Muitas situações se resolvem de modo mais construtivo e pacífico quando fazemos alguns segundos de silêncio, ao invés de discutir, criticar ou agredir verbalmente. No silêncio, é possível acalmar os ânimos, refletir com o corpo, com calma, e observar os fatos e situações com lucidez, tomando decisões com acerto. O destempero das palavras tem causado inúmeros problemas. Uma palavra, depois de proferida, possui um efeito devastador. Tenhamos cuidado com o que dizemos. O mestre de Nazaré nos alertou: o que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai dela, porque a boca fala do que o coração está cheio. Calar em discussões desnecessárias é evitar tragédias e desafetos. No silêncio, respeitamos a opinião dos outros, por mais que a nossa seja contrária. Falar sobre o que estamos sentindo e acontecimentos necessários é importante. Jamais ficamos calados diante das injustiças, do que é errado, ou aceitamos agressões verbais quietos. Todavia, sejamos cuidadosos com o que sai da boca. Da nossa boca e no momento que sai, pois existem palavras certas em horas erradas, palavras erradas em hora certa e, o pior de tudo, palavras erradas em horas erradas. No mundo em que vivemos, cheios de informações e notícias, nos vemos obrigados a proferir a nossa opinião, a comentar a respeito de tudo que nos acontece ou que presenciamos, que, muitas das vezes, esquecemos de praticar a reflexão da situação antes de falarmos. O silêncio é valioso quando verdadeiramente compreendemos a sua importância. De vez em quando, é necessário ser silencioso, habituar-se à própria presença, inteirar-se de solidão e entendê-lo e sentimentos. No silêncio, conseguimos ouvir o interior da alma, aprendemos a humildade, a deixar o orgulho de fora, a reparar nas coisas simples e a valorizar o que realmente nos importa, evitando reclamações vazias e aprendendo a praticar a gratidão. Silêncio é, em verdade, atitude necessária e importante na vida, pois o homem sábio vive em quietude e só rompe o silêncio para falar o que é verdadeiro, útil e bom. Pense nisso, mas pense agora.

A EDUCAÇÃO E A MÚSICA
22 Abr 20264:30EP 3259

A EDUCAÇÃO E A MÚSICA

A música faz parte da história da humanidade desde os mais remotos tempos. As pinturas rupestres, achadas em sítios arqueológicos e que descrevem a rotina de grupamentos humanos primitivos, sugerem danças e uso de instrumentos musicais. A história das civilizações antigas é repleta de manifestações musicais, algumas delas ligadas a rituais religiosos ou a festas tradicionais de cada povo. Desde a vida intra-uterina, a música parece influir no bebê. Mulheres grávidas relatam menor agitação da criança quando escutam música suave. Durante os primeiros meses de vida, a criança já mostra percepção musical. Estudos demonstram que os recém-natos parecem se acalmar ao ouvir uma melodia suave. As crianças comumente se alegram quando ouvem música e, nessa fase da vida, podemos influenciar seu gosto musical através do hábito. Entre os séculos XIII e XIX, a humanidade foi presenteada com compositores que criaram um estilo de música elevado, conhecido hoje como música clássica e erudita, que significa música de qualidade. Entre os compositores desse período estão Johann Sebastian Bach, Ludwig van Beethoven, Wolfgang Amadeus Mozart, Frederic Chopin. Esse tipo de música, originalmente composta na Europa, ganhou adeptos no mundo todo. Hoje, grandes orquestras, em todos os países, se dedicam a apresentar obras desses gênios da humanidade. Beethoven costumava dizer que Deus se comunicava com ele através da música. Mozart dizia que a música não era sua, mas sim fruto de uma inspiração superior. Muitas composições de Bach foram influenciadas por sua religiosidade e, até hoje, emocionam o mundo, como o famoso oratório de Natal. Os espectadores de um concerto de música clássica sentem-se, comumente, enlevados, desfrutando de uma emoção muitas vezes indescritível. Comumente, tal gosto musical se associa a outros hábitos culturais. Por esse motivo, esse estilo musical é também chamado erudito, palavra que significa vasta cultura. A plateia dos concertos clássicos costuma manter-se em silêncio, comportamento bastante diverso das apresentações de estilos musicais populares, que convidam à agitação. No entanto, ainda hoje, em muitas sociedades, o gosto pela música clássica não é o mesmo. Não é o que predomina, talvez porque tal estilo não seja apresentado às crianças. Assim como a educação formal é necessária para que a criança aprenda a ler e a escrever e desenvolva um conhecimento básico que a habilite para a sua vida, a educação musical pode formar o hábito do indivíduo. Ao ouvir música de elevada qualidade desde a infância, o indivíduo poderá incorporá-la a seus hábitos com maior facilidade. Educar é desenvolver a capacidade física, intelectual, moral e afetiva de um indivíduo. Educar uma criança é uma tarefa da mais alta responsabilidade. É dever de quem educa mostrar caminhos de qualidade a uma criança e dar a ela bases morais para escolher o caminho que, mais tarde, usando seu livre arbítrio, ela escolherá. Pense nisso, mas pense agora.

APRISIONADOS PELO MEDO
20 Abr 20264:49EP 3258

APRISIONADOS PELO MEDO

Na sala de aula, a professora perguntou aos seus alunos: do que vocês têm mais medo? Depois de um breve e tenso silêncio, um garoto respondeu, um tanto tímido: ah, professora, eu tenho medo do escuro. Outro falou: tenho muito medo do bicho papão. Medo da morte? Medo de altura? Medo de ser esquecido pelos pais na escola? Vários medos foram confessados e anotados pela sábia professora, que conseguia libertar os pequenos do sofrimento gerado pelo medo através do uso da razão. Por fim, uma garotinha disse, com arde e assustada: tenho muito medo do mal amém, que é um monstro muito perigoso. E você já viu esse monstro? Perguntou, interessada, a professora. Nunca vi, mas é um monstro tão perigoso que minha mãe pede todos os dias a Deus que nos livre dele, esclareceu a menina. E concluiu: minha mãe sempre pede a Deus, no fim da sua oração, e livrai-nos do mal amém. Não é preciso refletir muito para entender a situação daquela criança com relação ao medo do monstro criado pela sua imaginação. O medo era tão tirano que ela nunca usou confessá-lo à mãe: um medo terrível de algo que nunca existiu. Mas será que somente as crianças têm medo do que desconhecem? Certamente não. A ignorância tem sido, desde todos os tempos, a grande responsável pelo terror imposto pelo medo. O desconhecido gera medos inconfessáveis em pessoas de todas as idades. Mas como podemos ter tanto medo do desconhecido? Isso ocorre justamente porque os monstros criados pela imaginação geralmente são mais terríveis do que os reais. O medo da morte é um exemplo disso. O medo do inferno também tem feito reféns. O juízo final é outro tirano que atemoriza muita gente. Todos esses temores são frutos da ignorância, não há dúvida. Existem pessoas que têm medo do futuro, medo da solidão, medo de sentir medo, e por aí vai. Enquanto a razão não lançar suas luzes sobre essas questões, o medo continuará a enfericitar os indivíduos, fazendo-os reféns da própria ignorância. Muitos pensadores já afirmaram que só o conhecimento liberta das garras do medo sem sentido. O conhecimento é diferente de crença: a crença é sempre cega, vazia de certezas. Para crer em algo, não é preciso conhecer, basta acreditar. Mas a convicção só se adquire através do conhecimento. Assim sendo, vale a pena envidar esforços para libertar-nos dos medos, buscando lançar luz sobre o que a ignorância oculta. Importante libertar nossas crianças, muitas delas reféns de monstros imaginários terríveis, dialogando com elas sobre seus medos. É preciso considerar que o medo é o pior de todos os monstros e precisa ser aniquilado com urgência. É preciso clarear os caminhos escuros da ignorância com a luz do conhecimento, para que o medo bata em retirada. Como asseverou o grande filósofo grego Sócrates, há apenas um bem, o conhecimento, e um mal, a ignorância. Sócrates foi o precursor da dialética, da lógica, mas foi vítima da ignorância de seus contemporâneos. Pensemos nisso e busquemos, com vontade firme, conhecer as leis que regem a vida. Só assim seremos verdadeiramente livres de todos os medos que tanto nos infelicitam. Pensem nisso, mas pensem agora.

A VIDA, CORAGEM, BELEZA, MÁGIA E ROMANTISMO
18 Abr 20267:06EP 3257

A VIDA, CORAGEM, BELEZA, MÁGIA E ROMANTISMO

A vida é assim. Esquenta e esfria. Aperta e daí afrouxa. Sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. Com essa pequena citação de um dos maiores clássicos da literatura brasileira, Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa, damos início à mensagem do Pense Nisso de hoje. Sempre me pego pensando sobre o sentido da vida. Pergunto-me se cumprimos um destino ou se fazemos o nosso próprio destino. Se há um sentido maior para tudo que fazemos, ou se estamos apenas flutuando na brisa. Se a vida vale a pena ou se é uma causa perdida. Estamos sempre com pressa, correndo aqui e acolá, em tentativas desesperadas de encontrar um lugar para nos encaixar. De sermos mais amados, de prolongar os instantes de eternidade que escoam pelas nossas mãos. A complexidade da vida não permite que consigamos defini-la em um único sentido, já que somos precários e finitos, de tal modo que nunca conseguiremos ter a totalidade do que a define. Assim como nunca estivemos do outro lado para saber o que de fato nos espera. Dessa maneira, a única certeza que possuímos é que estamos vivos. E que enquanto estamos vivos, devemos impor à vida que por hora possuímos a grandeza que ela necessita. Se devemos ter uma vida grandiosa, consequentemente algo a meu ver, nós podemos concluir. A vida não é uma causa perdida. Por mais que na maior parte do tempo encontremos um mundo duro e seco, que vai aos poucos minando nosso interesse e sobretudo a nossa capacidade de sentir, a vida está cheia de belezas e magia. O grande problema é que estamos sempre ocupados demais para perceber as alegrias que a vida nos proporciona. Possuímos uma cegueira seletiva, a qual não nos permite enxergar o que é essencial na vida. As nossas vidas burocráticas e automatizadas retiram a sensibilidade e a poesia que possibilitam um olhar lúdico sobre as coisas e que nos permite reparar nos pequenos prazeres da vida, os quais escondem a verdadeira beleza e felicidades que esta possui. Por que uma criança fica encantada com a chuva, com uma flor ou com um pássaro? Por que as crianças se divertem fazendo desenhos ou comendo um biscoito? Porque em tudo isso há beleza. No entanto, conforme vamos crescendo, vamos deixando a criança que há em nós morrer. E assim, deixamos de enxergar o mundo de forma poética, isto é, com o coração, para tão somente vê-lo com os olhos. É por esse motivo que Sanezou Perri dedicou o Pequeno Príncipe à criança que seu amigo Léon Dert foi um dia, já que para enxergar o que há de belo no mundo, deve-se necessariamente se olhar com o coração. Até mesmo para aqueles que somos gestores e vivemos o competitivo mundo corporativo, devemos colocar o encantamento, a paixão, o romantismo para que de fato consigamos melhores resultados financeiros. O olhar poético não torna o mundo mais belo por ser ingênuo e sim por ser mais lúcido, uma vez que percebe todas as tristezas que retiram nossa potência e nossa vontade de viver, bem como enxerga as verdadeiras belezas da vida, desvinculadas das mentiras disfarçadas de felicidade que nós adultos compramos para preencher o nosso vazio. Sendo assim, é preciso coragem para ser criança e explorar a vida, com curiosidade para descobrir o que ela esconde, permitindo-se estar sem a padronização da vida adulta, apenas brincando de forma distraída, já que como bem atenta Guimalães Rosa, alegria só em raros momentos de distração. Até que o ciclo se encerre e os cílios toquem, a vida é como uma noite fria puxando o nosso cobertor, cheia de dor e penúria. É o abismo que olha profundamente nossos olhos numa tentativa de sedução. É tristeza, porque há tanto para se fazer em apenas uma vida. Todavia, a vida é também um desafio que está repleto de alegria. É a aurora que vem sobre as colinas toda a manhã. É o canto dos pássaros. É o cheiro da chuva. É a conversa gostosa. É o abraço apertado. É o riso demorado. Até a morte, a vida pode não ter um sentido maior. Mas ela não é uma causa perdida, porque o que é essencial está à nossa espera em raros momentos de distração, se estivermos atentos, observando com os olhos poéticos do coração. Até que o ciclo se encerre e os cílios toquem, ou até a morte, a vida é cheia de momentos tristes, de perdas e derrotas que nos levam para o fundo do poço, que tornam nosso coração tão seco e quebradiço que perdemos a capacidade de sentir. Mas é também uma experiência maravilhosa, repleta de momentos de felicidades que representam a eternidade que possuímos. Até a morte, a vida é sinuosa e complexa, sem qualquer manual de instrução. Mas, como dito, para quem sabe prestar atenção, ela está repleta de alegria. E é isso que a torna bela e grande. Assim, a grandeza da vida consiste em ter a coragem de nunca deixar a criança que existe em nós morrer, para que sempre consigamos ter poesia nos olhos e enxergar as felicidades, pois, lembrando mais uma vez Guimarães Rosa, a vida é assim, esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desenquieta. O que ela quer da gente é coragem. Pensemos nisso. Mas, pensemos agora.

A VIDA FORA DO MUNDO DIGITAL
17 Abr 20264:05EP 3256

A VIDA FORA DO MUNDO DIGITAL

Aquele homem, desempregado, entra num concurso da Microsoft para ser técnico de limpeza. O gerente de recursos humanos o entrevista, faz um teste, ou seja, varrer o chão, e então lhe diz: o serviço é seu. Me passa seu e-mail, e eu lhe enviarei a ficha para preencher, a data e hora que deverá se apresentar para o serviço. O homem, desesperado, responde que não tem computador, e muito menos e-mail. O gerente de RH disse que lamenta, mas, se não tiver e-mail, quer dizer que virtualmente não existe, e, como não existe, não pode ter o trabalho. O homem sai desesperado, sem saber o que fazer, tem apenas 100 dólares no bolso. Então, ele decide ir ao supermercado e comprar uma caixa de 10 quilos de tomates. Bate de porta em porta, vendendo os tomates a quilo, e, em menos de duas horas, tinha conseguido duplicar o capital. Repete a operação mais três vezes e volta pra casa. Então, ele verifica que pode sobreviver dessa maneira. Sai de casa cada vez mais cedo e volta pra casa cada vez mais tarde, e assim triplica e até quadriplica o dinheiro a cada dia. Pouco tempo depois, compra uma combi, depois troca por um caminhão e, pouco tempo depois, chega a ter uma pequena frota de veículos para distribuição. Passados cinco anos, o homem é dono de uma das maiores distribuidoras de alimentos dos Estados Unidos. Pensando no futuro da família, decide fazer um seguro de vida. Chama um corretor, acerta um plano e, quando a conversa acaba, o corretor lhe pede o e-mail para enviar a proposta. O homem disse que não tem e-mail. Curioso, o corretor lhe diz: você não tem e-mail e chegou a construir este império? Imagine se você tivesse um e-mail? O homem pensa e responde: se eu tivesse e-mail, seria um homem da limpeza da Microsoft. A história não é sobre um cargo ou outro, mas sim sobre a vida real que podemos construir fora da internet. Vivemos em uma era onde o digital parece ser a resposta para tudo, desde empregos e comunicação até compras e entretenimento. Há uma necessidade urgente de se estar inserido nas redes sociais e se sentir pertencente deste novo mundo. No entanto, essa história nos ensina que a vida real, com seus desafios e oportunidades tangíveis, é onde a verdadeira transformação acontece. No off, onde ninguém vê. A internet pode, sim, facilitar o processo, mas é a atitude que realmente move montanhas. Experimente, como esse homem, construir uma vida fora da urgência das selfies e dos vídeos de 30 segundos. Existem várias possibilidades fora da internet. Pense nisso, mas pense agora.

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