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PODCAST · 3375 EPISÓDIOS

PENSE NISSO

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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O DIA EM QUE PAREI DE DIZER, ANDA LOGO!
9 Mai 20266:35EP 3271

O DIA EM QUE PAREI DE DIZER, ANDA LOGO!

Quando você leva uma vida distraída, cada minuto precisa ser contabilizado. Parece que você está sempre riscando alguma coisa da lista, olhando para uma tela ou correndo para o próximo compromisso. E por mais que tente dividir seu tempo e atenção de um jeito ou de outro, por mais deveres que tente equilibrar ao mesmo tempo, o dia nunca dura o suficiente para correr atrás do prejuízo. Não é isso mesmo, caro ouvinte? Ouça a história da professora norte-americana Rachel Massey. Conta ela. Durante dois anos a minha vida foi de extrema correria. Meus pensamentos e minhas ações eram controlados por alertas eletrônicos, toques de celular e agendas abarrotadas. Apesar de cada gota do meu sargento interior me mandar chegar a tempo para cada compromisso e meus dias superlotados, eu não conseguia. Acontece que seis anos atrás eu fui abençoada com uma filha calma e despreocupada, daquelas que sabe relaxar um pouco e aproveitar o mundo. Quando eu precisava já estar fora de casa, ela escolhia uma bolsa ou uma tiara com todo o tempo do mundo. Quando precisava estar em algum lugar cinco minutos atrás, ela insistia em colocar seu bichinho de pelúcia na cadeirinha do carro e apertar o cinto de segurança. Quando eu precisava pegar um almoço rápido em algum fast food, ela queria conversar com a velhinha que parecia sua avó. Quando eu tinha 30 minutos para dar uma corridinha, ela queria que eu parasse o carrinho para acariciar todos os cachorros do caminho. Quando eu tinha um dia cheio que começava às seis da manhã, ela pedia para quebrar os ovos e mexê-los bem devagarinho. Minha filha calma e despreocupada foi uma dádiva para minha natureza, workaholic e frenética, mas eu não enxergava isso, não, nem de perto. Quem leva a vida distraída está sempre usando viseiras, sempre de olho no próximo item da agenda. E tudo que não pode ser riscado da lista é pura perda de tempo. Sempre que minha filha me forçava a desviar do meu cronograma, eu pensava, nós não temos tempo para isso. Por consequência, as duas palavras que mais dizia para minha pequena amante da vida eram, anda logo! Eu começava minhas frases com elas, anda logo, vamos chegar atrasados! Eu terminava minhas frases com elas, vamos perder tudo se você não andar logo! Eu começava meu dia com elas, anda logo e come esse café da manhã de uma vez, anda logo, vá se vestir! Eu terminava meu dia com elas, anda logo, vá escovar os dentes, anda logo filha, vai dormir! E apesar das palavras anda logo, não fazerem nada para acelerar a minha filha, eu as repetia ainda assim. Talvez até mais do que aquelas outras palavrinhas, eu te amo! A verdade dói, mas a verdade cura e me deixa mais próxima da mãe que quero ser. Até que chegou o dia fatídico e tudo mudou. Haviam-nos acabado de buscar minha filha mais velha do jardim de infância e estávamos saindo do carro. Como a menor não estava saindo rápido o suficiente, a mais velha disse para a irmãzinha, ah você é tão lenta! E então ela cruzou os braços e soltou um suspiro de frustração. Foi como me ver no espelho e a sensação foi horrível. Eu estava fazendo bullying com minha própria filha, pressionando e apressando uma criancinha que simplesmente queria aproveitar a vida. Meus olhos se abriram, eu enxerguei os danos que minhas insistências apressadas estavam causando em minhas duas filhas. Minha voz tremeu, mas eu olhei nos olhos da minha pequenininha e disse, desculpa por estar fazendo você se apressar tanto. Eu adoro que você faz as coisas com calma e queria ser mais parecida com você. Eu prometo que vou ser mais paciente a partir de hoje, eu disse, abraçando minha menininha de cabelo cacheado que agora sorria com a promessa da mãe. Foi fácil riscar a expressão anda logo do meu vocabulário, mas difícil foi adquirir a paciência para esperar minha filha mais descansada. Para ajudar a nós duas, eu comecei a dar a ela mais tempo para se preparar quando tínhamos que ir a algum lugar. Às vezes, ainda assim, chegávamos atrasadas. Eram os momentos em que eu repetia para mim mesma que só teria mais alguns poucos anos de atraso enquanto ela fosse jovem. Quando saíamos para caminhar ou íamos ao mercado, eu deixava minha filha determinar o ritmo. E quando ela parava para admirar alguma coisa, eu tentava esquecer minha agenda e simplesmente assistia o que ela estava fazendo. Vi expressões no rosto dela que nunca tinha encontrado antes. Estudei as covinhas em suas mãos e o jeito que seus olhos se enrugavam quando ela sorria. Vi o modo como as outras pessoas reagiam quando minha filha parava para conversar com elas. Vi o modo como ela encontrava insetos interessantes e flores bonitas. Ela era uma percebedora e logo descobri que os percebedores são dádivas raras e belas. Foi quando finalmente entendi que ela era um presente dos céus para minha alma frenética. Fazer uma pausa para aproveitar as alegrias simples do cotidiano é o único jeito de viver de verdade. Pense nisso, mas pense com calma.

TUDO VAI FICAR BEM
8 Mai 20264:22EP 3270

TUDO VAI FICAR BEM

Let It Be é o 13º e último álbum do grupo inglês The Beatles. Foi gravado entre janeiro de 1969 e março/abril de 1970 e lançado em 8 de maio de 1970. Inicialmente, o nome previsto para o álbum era outro, mas acabou sendo o mesmo nome da balada composta por Paul McCartney. Paul a escreveu em homenagem à sua mãe, Mary McCartney, vítima de câncer de mama, quando ele tinha 14 anos de idade. À época, a morte da mãe o abalara profundamente. Conta Paul que, certa noite, sonhou com a mãe vindo em sua direção e lhe dizendo “Let It Be”, algo como “deixa estar” ou “vai ficar tudo bem”. Quando acordou, já estava com a melodia da música na cabeça, e os versos foram brotando. “Quando eu me encontro em tempos difíceis, Mãe Maria vem para mim, falando palavras de sabedoria: vai ficar tudo bem. E, nas minhas horas de escuridão, ela está em pé bem na minha frente, falando palavras de sabedoria, sussurrando palavras de sabedoria: vai ficar tudo bem. E, quando as pessoas de coração partido, morando no mundo, concordarem, haverá uma resposta: vai ficar tudo bem. Pois, embora possam estar separados, há ainda uma chance de que eles verão. Haverá uma resposta: vai ficar tudo bem. E, quando a noite está nublada, há ainda uma luz que brilha em mim. Brilha até amanhã: vai ficar tudo bem. Eu acordo ao som da música. Mãe Maria vem para mim. Não haverá tristeza. Vai ficar tudo bem.” Os versos traduzem a alegria. Alegria ante a constatação de que a mãe vive a imortalidade do espírito e, de onde quer que esteja, nesse imenso universo de Deus, vem ao encontro do filho quando as dificuldades se fazem maiores, quando as dores se tornam superlativas. É o atestado do amor materno, que jamais abandona os seus filhos, sublimando-se no sentimento de amar incondicionalmente. Muitos filhos, como Paul McCartney, detectam essa presença generosa. Outros podem nem perceber, nem se dar conta. Mas mãe é essa criatura especial que vela sempre, que faz da vida do filho a sua própria, que renuncia aos seus prazeres e necessidades para suprir o que carece ao filho. Também é uma canção de esperança. Esperança de que, um dia, todos possam perceber essa realidade. Tudo é passageiro na Terra. Tudo passa. A morte separa as pessoas fisicamente, mas ninguém pode separar espíritos que se amam, porque o amor é indestrutível. Tudo vence: vence o tempo, vence as fronteiras da morte, brilha na imortalidade. E, para amenizar a saudade da ausência física, nas asas do sono os seres se encontram: uns ainda prisioneiros na carne, outros já libertos no mundo espiritual. E, enquanto as horas do sono se fazem reparadoras para o corpo cansado, o espírito sonha nos campos espirituais. Finalmente, depois dos dias de separação, dos anos de paciente espera, o grande reencontro das almas se faz. Pensemos nisso e não nos permitamos o mergulho no poço da depressão. Nossos amores vivem, e a dor que nos castiga agora vai passar. Tudo vai ficar bem, logo mais. Pense nisso. Mas pense agora.

A VIDA QUE NOS É DADA
7 Mai 20264:08EP 3269

A VIDA QUE NOS É DADA

Um dia, com a permissão de Deus, chegamos a este mundo. Alguns de nós fomos intensamente aguardados e com grande alegria recebidos pela nossa família. Meses de confecção do enxoval, preparação do berço, até um quarto especial, todo decorado para nos receber. Outros, muitos de nós, não tivemos tudo isso. Mas, independente das diferenças em relação ao nosso passado, o que podemos construir hoje pode fazer toda a diferença. O essencial é lembrar que, apesar das adversidades, chegamos a este mundo. Fomos acalentados, alimentados por alguém, e aqui estamos. Temos a oportunidade de escrever a nossa história, não só como filhos, mas também na posição de pais. Pais conscientes aguardam o passar dos meses da gestação e pensam nos mínimos detalhes para bem receber o filho amado. Passam, por vezes, por conflitos pessoais. Se perguntam: “E agora? Tudo novo? Como será?” Reconhecem a imensa responsabilidade que têm no cuidado e educação da criança. Mas aqueles que confessam uma fé optam por buscar, no ser supremo, a ajuda para que possam desempenhar bem a missão. Pais amorosos e comprometidos são aqueles que conduzem os filhos na seara do bem, através de conselhos e exemplos. Que nós, pais e mães, homens e mulheres, possamos, de fato, auxiliar os nossos filhos, levando-os ao crescimento individual. Que tenhamos sabedoria em oferecer os conselhos para as melhores decisões. Que nunca esqueçamos do nosso dever de educar, amparar, proteger, jamais sufocar os seus anseios e os seus ideais. Que nossas atitudes possam inspirar os nossos filhos a viver o amor: a si mesmo, ao próximo, à natureza. Que possamos despertá-los a cuidar do corpo, mas também do emocional e espiritual. Desde o momento em que entramos neste mundo, todos temos a oportunidade de nos aprimorar. Os nossos pais tiveram um papel essencial, especialmente em nossos primeiros anos. Foram eles que nos conduziram pela jornada do progresso, que nos exemplificaram as boas ações, o bem viver. Hoje, como pai e mãe, temos o privilégio de imprimir nos nossos filhos uma versão melhor que a nossa. É responsabilidade dos pais observar os filhos, corrigi-los e também ajudá-los a detectar e preservar as virtudes. Que sejamos gratos, sobretudo, a Deus e aos nossos pais, que nos permitiram abrir os olhos e nos prepararam para este mundo. Aproveitemos a vida que nos é dada em mais este dia. Pense nisso, mas pense agora.

QUANTO VALE SER UMA PESSOA SÁBIA?
6 Mai 20263:39EP 3268

QUANTO VALE SER UMA PESSOA SÁBIA?

Certa vez, uma moça simples, órfã, ainda jovem, criada por seu primo Mardoqueu, ouviu falar que o rei estava à procura de uma nova rainha. Por sua vez, a primeira havia desobedecido as ordens dele e sido banida do palácio. Ela, mais que depressa, começou a se preparar. Recebeu alguns meses para isso e usou, prontamente, perfumes de mirra, entre outras iguarias da época. Quando chegou o dia de conhecer o rei, a moça, que se chamava Ester, entre tantas outras mulheres, foi a escolhida. Encantou seu futuro marido com sua beleza, doçura e sorriso. Ela se tornou a nova rainha, ganhando muito mais do que havia sonhado. Essa moça, tempo depois, resolveu um grande problema, salvou o seu povo, que estava prometido de morrer, que iniciou com seu primo. Ele recusou de se curvar perante uma autoridade, chamado Hamã, que ficou irado e foi pedir permissão para o rei, informou que queria matar todo o povo judeu. O rei Assuero, esposo de Ester, concedeu o pedido. Ester, sabendo disso, agiu com muita sabedoria, pediu permissão para entrar na presença do rei e, com sua delicadeza e humildade, pediu para que ele não matasse esse povo, no qual era considerado sua família, onde ela cresceu. O rei concedeu e admirou a coragem de sua esposa, pois, na época, as esposas só podiam entrar na presença do marido com a ordem dele. Ester se tornou referência para outras pessoas, inclusive hoje tem um capítulo todo no livro mais lido do mundo. Afinal, como tal pôde ser tão corajosa? Ester sabia o que queria. Ela sabia sua identidade. Amava a si mesma com todo seu coração. Sabia também que seu sucesso era cuidar do seu esposo, de forma gentil, de sua família e do seu povo. Uma mulher sábia, que se tornou inesquecível. Mas quanto vale ser uma pessoa sábia? Vale saber que sua felicidade está nos detalhes, no sentir, no falar, no agir e, principalmente, no amor por si mesma. A lição de hoje é para você: se cuide, tire um tempo para si, leia bons livros, Faça atividade física, medite, cante, dance, viaje, compre as melhores roupas e divirta-se. Essa pessoa sempre vai contagiar a todos que estão ao redor. Não espere. Pense nisso, mas pense agora.

 INGREDIENTES PARA O ÊXITO
5 Mai 20265:01EP 3267

INGREDIENTES PARA O ÊXITO

Todos desejamos ter êxito em nossas vidas. Queremos alcançar os melhores resultados possíveis. E isso está ao nosso alcance. Basta estarmos atentos às oportunidades que nos surgem no caminho diário, na vontade e disposição de realizar ações que nos permitam construir a trajetória exitosa. Podemos deixar no passado os sentimentos e pensamentos negativos que nos perturbam. Se cometemos erros, que nos sirvam como aprendizado para não errarmos de novo. Seja nosso o propósito de não cair nos mesmos equívocos. Cada superação se constitui em degrau acima em nossa ascensão. Salientemos as qualidades nossas e do nosso próximo e esqueçamos os defeitos. As qualidades podem nos possibilitar boas ações. Os defeitos devem ser analisados para que possamos ir transformando-os em virtudes. Mobilizemos nossos pensamentos na construção de uma vida nova. Busquemos aprender sempre. Os novos conhecimentos nos permitirão ampliar nossa compreensão e agir com maior segurança. Fortaleçamos o recurso da simpatia. Ela nos permitirá viver de forma mais harmoniosa e nos aproximará das pessoas. Acostumemo-nos a sorrir. Um sorriso alegre ao dia. Podemos oferecer sorrisos sem qualquer custo no transcorrer das horas. Melhoremos nosso vocabulário. As boas palavras podem ser poderosos recursos de auxílio ao próximo. Uma palavra de incentivo e de esperança pode mudar a vida de alguém. Saibamos usar nossas palavras para o progresso e a transformação positiva ao nosso redor. Criemos a disposição da escutatória. Importante é saber ouvir. Quem se encontra em um momento de aflição muitas vezes quer apenas compartilhar sua dor. Cedamos algum tempo para ouvir quem precisa dizer das suas dores e dos seus desconfortos, criando um vínculo de amorosidade que a aconchega e a acalenta. Valorizemos a ação das pessoas que estão ao nosso redor. Significa a gratidão reconhecer as boas iniciativas praticadas por quem nos beneficia. Saibamos desenvolver o reconhecimento das potencialidades daqueles que caminham pelas nossas mesmas estradas. Abençoemos a vida. Saibamos ser gratos por viver mais um dia, mesmo quando as dificuldades surgem. Saibamos também agradecer as bênçãos do sol, da chuva, do ar que respiramos. Se conseguirmos desenvolver esses recursos, com certeza melhoraremos nossas vidas e conseguiremos contribuir para a melhoria daqueles que estão ao nosso redor. O êxito verdadeiro vem das conquistas íntimas. O desenvolvimento desses recursos se faz ferramenta de transformação moral. O próprio tempo é um grande recurso de que devemos nos servir da melhor forma: viver o presente sem perder a vida, sem perder tempo com aflições do passado, que geram mágoas e ressentimentos. Pensemos no futuro com proposições de sermos melhores, com desejos de construir o bem. Desenvolvamos novos recursos íntimos. Potencializemos nossas conquistas. Comecemos no hoje, no agora. Pensem nisso, mas pense agora.

COMPARAÇÕES
4 Mai 20264:16EP 3266

COMPARAÇÕES

Você tem o costume de se comparar com alguém? Escute a história sobre o Jardim do Rei. Certa vez, o Rei foi visitar o seu jardim e ficou surpreso com o que viu. O jardim estava murcho, as árvores estavam secas e as flores não brotavam. Imediatamente, ele chamou o jardineiro, que também não soube explicar o porquê de o jardim estar da maneira que estava. Ele explicou que estava irrigando, adubando, podando e cuidando da melhor maneira, mas não adiantava. Então, o rei resolveu perguntar às plantas o que estava acontecendo e, para sua surpresa, elas responderam. O carvalho estava triste porque não era tão alto quanto o pinheiro. O pinheiro estava triste porque não produzia uvas como a parreira. A parreira queria produzir flores como a roseira. E a roseira queria ser uma árvore como o carvalho. Somente um pé de amor-perfeito estava belo e florido. Intrigado com tudo aquilo, o rei foi falar com o amor-perfeito, que respondeu: “Como posso querer ser alguém além de mim mesmo? Somente tento ser o melhor que posso ser a cada dia.” Essa história de hoje nos ensina a importância de se aceitar e reconhecer as suas próprias qualidades. Nessa história, o jardim pode ser interpretado como uma metáfora da vida humana, onde cada planta representa um indivíduo com características próprias. O rei percebeu a tristeza e a insatisfação de suas plantas e perguntou a elas o que estava acontecendo. Ele entendeu as inquietações delas, mas somente quando falou com o amor-perfeito, aprendeu uma lição valiosa. O amor-perfeito representa a autenticidade e a integridade do eu. Ele não aspira a ser outra planta, mas se esforça para ser o melhor em sua própria natureza. É preciso cultivar a autoaceitação e a gratidão pelas próprias características e conquistas. Assim como o amor-perfeito, devemos buscar a autenticidade e nos valorizar, ao invés de nos confundir, comparando-nos constantemente com os outros. A verdadeira beleza e contentamento vêm de aceitar e prosperar em nossa própria essência. Uma pensadora disse, certa vez, que a comparação é a mãe da insatisfação, e a insatisfação é o parente mais próximo do fracasso. Outro do ser humano: é hora de olhar para si apenas. O quanto já evoluiu do eu do passado? E quanto pretende evoluir para ser o eu do futuro? Não se compare. Cada um tem uma jornada, um ponto de partida e uma linha de chegada. Não é uma corrida. Viva a sua vida enxergando a maravilha da singularidade. Você não precisa ser o carvalho almejando ser o pinheiro. Seja como o amor-perfeito: único e feliz por ser quem é e ter o que tem. Pense nisso, mas pense agora.

ACOLHIMENTO QUE ARREBATA
2 Mai 20264:46EP 3265

ACOLHIMENTO QUE ARREBATA

Francisco de Assis, em seu tempo, revolucionou ideias e inaugurou parâmetros de comportamento. Tinha uma forma toda especial de tratar com os desertados da sorte, os pobres, os equivocados. Conta-se que, certa feita, três ladrões que viviam atormentando a cidade de Monte Casale foram pedir comida a Freangelo. Ciente de quem eram e dos danos que poderiam provocar, ele os afugentou. Tão logo se fez a oportunidade, tudo narrou a Francisco, confiante de que receberia agradecimentos pelo que fizera. No entanto, Francisco de imediato não concordou com essa atitude, pois não condizia com a proposta de amor dos evangelhos e com os exemplos do mestre, Jesus. Chamando os frades, a todos determinou outro padrão de tratamento para com os irmãos ladrões. Disse-lhes que, caso tornassem a encontrá-los, deveriam ter para com eles um procedimento diferente do comum das pessoas. Propôs, então, que os frades adentrassem a floresta, onde costumavam se esconder os malfeitores, levando alimento e uma toalha, oferecendo a refeição, mais ou menos nos seguintes termos: Irmãos ladrões, venham comer. Não precisam assaltar as pessoas. E, quando assaltarem, por favor, não batam nelas. O ritual deveria ser repetido dia após dia e, finalmente, quando conseguissem a presença dos ladrões para a refeição, deveriam aproveitar para lhes falar de outra forma: Irmãos ladrões, não seria melhor que vocês trabalhassem em vez de roubar? Podemos ajudá-los? Arrumar alguma ocupação? Que tal? A proposta de acolhimento e regeneração, nessa aproximação gradativa e singela, feita de forma sincera e interessada, acabou por convencer alguns dos ladrões a modificarem a sua vida, aderindo à proposta de amor e fraternidade pregada e vivenciada por Francisco. É possível que, nos dias atuais, com tanta violência vigorando e a criminalidade alcançando patamares inimagináveis, nenhum cidadão se sinta seguro a qualquer hora do dia ou da noite, nas ruas, nem em sua casa ou em seu local de trabalho. Por isso mesmo, dificilmente buscaria um diálogo com malfeitores de qualquer ordem, até mesmo por temor à sua própria vida, pela sua integridade física. Mas o exemplo vivenciado pelos frades, sob a batuta de amor de Francisco, pode nos servir para meditarmos a respeito de novas fórmulas de tratarmos com os que qualificamos de malfeitores ou criminosos. Uma proposta de regeneração, de reeducação, iniciando pela conquista através da pedagogia do acolhimento. Também uma maneira de nos conduzir a reflexões sobre nossa própria forma de tratar os malfeitores da nossa paz: os que nos causam problemas, levantam calúnias, estabelecem obstáculos na harmonia das nossas vidas. Como poderíamos interagir de forma positiva com eles? Talvez iniciando por não estabelecer sintonia com sua maldade. Depois, vibrando de forma diversa, endereçando-lhes, como resposta às suas agressões, o desejo de que se reabilitem, que se deem conta do desastre que estão causando para si mesmos. Que, quem semeia ventos colhe tempestades, já sentencia o provérbio popular. Com certeza, essa nossa mudança de comportamento nos conduziria a melhores dias, a horas mais harmônicas e produtivas. Pensemos nisso. Tentemos a proposta franciscana.

O ZELADOR DA FONTE
1 Mai 20265:16EP 3264

O ZELADOR DA FONTE

Conta uma lenda austríaca que, em determinado povoado, havia um pacato habitante da floresta que foi contratado pelo conselho municipal para cuidar das piscinas que guarneciam a fonte de água da comunidade. O cavaleiro, com silenciosa regularidade, inspecionava as colinas, retirava folhas e galhos secos, limpava o limo que poderia contaminar o fluxo da corrente de água fresca. Ninguém lhe observava as longas horas de caminhada ao redor das colinas, nem o esforço para a retirada de entúrios. Aos poucos, o povoado começou a atrair turistas. Cisnes graciosos passaram a nadar pela água cristalina. Rodas d'água de várias empresas da região começaram a girar dia e noite. As plantações eram naturalmente irrigadas. A paisagem triste dos restaurantes era de uma beleza extraordinária. Os anos foram passando. Certo dia, o Conselho da Cidade se reuniu, como fazia semestralmente. Um dos membros do Conselho resolveu inspecionar o orçamento e colocou os olhos no salário pago ao zelador da fonte. De imediato, alertou aos demais e fez um longo discurso a respeito de como aquele velho estava sendo pago a âmbito, pela cidade. E para quê? O que é que ele fazia, afinal? Era um estranho guarda da reserva florestal, sem utilidade alguma. Seu discurso a todos convenceu. O Conselho Municipal dispensou o trabalho do zelador da fonte de imediato. Nas semanas seguintes, nada de novo. Mas, no outono, as árvores começaram a perder as folhas. Pequenos galhos caíam nas piscinas formadas pelas nascentes. Certa tarde, alguém notou uma coloração meio amarelada na fonte. Dois dias depois, a água estava escura. Mais uma semana, e uma película de lodo cobria toda a superfície ao longo das margens. O mau cheiro começou a exalar. Os cisnes emigraram para outras bandas. As rodas d'água começaram a girar lentamente. Depois, pararam. Os turistas abandonaram o local. A enfermidade chegou ao povoado. O conselho municipal tornou a se reunir em sessão extraordinária e reconheceu o erro grosseiro cometido. Imediatamente, tratou de novamente contratar o zelador da fonte. Algumas semanas depois, as águas do rio da vida começaram a clarear. As rodas d'água voltaram a funcionar. Voltaram os cisnes, e a vida foi retomando o seu curso. Assim como o conselho da pequena cidade, somos muitos de nós que não consideramos determinados servidores. Aqueles que se desdobram todos os dias para que o pão chegue à nossa mesa, para que o mercado tenha as prateleiras abarrotadas, os corredores do hospital e da escola se mantenham limpos. Há quem limpe as ruas, recolha o lixo, dirija o ônibus, abra os portões da empresa. Servidores anônimos; quase sempre passamos por eles sem vê-los. Mas, sem seu trabalho, o nosso não poderia ser realizado, ou a vida seria inviável. O mundo é uma gigantesca empresa, onde cada um tem uma tarefa específica, mas indispensável. Se alguém não executar o seu papel, o todo perecerá. Dependemos uns dos outros, para viver, para trabalhar, para ser felizes. Pensem nisso, mas pense agora.

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