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PODCAST · 200 EPISÓDIOS

Pense Nisso

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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 A CARIDADE DO RESPEITO
8 Jun 20264:56EP 136

A CARIDADE DO RESPEITO

Você já parou para se perguntar o que é a verdadeira caridade? A palavra caridade, tão conhecida das pessoas e instituições a que ela se propõe, nem sempre é bem entendida. Rara às vezes é bem praticada. De um modo geral, aquelas pessoas que se dispõem a exercê-la não se atentam para um detalhe muito importante. Estamos tratando com pessoas. Homens, mulheres, crianças. Todos têm, como nós, seus gostos, suas vontades. Como nós, eles gostam de algum alimento e não de outros. Apreciam uma fruta e não outra. Como nós, eles gostariam, por vezes, mais de um pedaço de chocolate do que um pão com manteiga ou margarina. Podem estar com fome, mas como nós, sonham em saborear esse ou aquele prato. Então, seria válido nos perguntarmos o porquê que nas nossas ações de voluntariado, se é que acontecem, devemos servir o mesmo alimento todos os dias. Não seria interessante variar o cardápio, oferecer algo mais aos nossos irmãos que precisam? Alguns talvez possam entender tal prática como luxo. Não é isso. Esta é apenas uma chamada para que voltemos a nossa atenção ao respeito. Seria importante nos colocarmos no lugar de quem está recebendo o prato de comida. Não gostaríamos que, vez ou outra, ele fosse diferente, tivesse outro sabor. E se falarmos de roupas e calçados? Alguns de nós simplesmente damos sem permitir que a pessoa escolha por esse ou aquele tipo de doação. Muitos gostariam de receber um calçado que realmente pudesse usar, que servisse no seu pé. Temos a ideia equivocada de que quem está precisando de ajuda deve aceitar o que lhe seja ofertado. Muitos limpam o guarda-roupa, mas sem propósito. Sim, o necessitado engole sua vontade e veste o que lhe damos porque ele precisa. Quanto melhor se sentiria se lhe permitíssemos a escolha? Ainda que tenhamos as melhores das intenções, faltamos muitas vezes o gesto gentil de dizer, amigo, não sei se pode servir para você, mas é o que eu tenho. E se você tem condições de fazer melhor, faça. Isso é tratamento que não é de um ser humano a outro ser humano. Um irmão a outro irmão. Se você tem a disposição e condições de doar uma cesta básica a uma família, que tal escolher os melhores alimentos, como se fosse para abastecer a sua casa? Seja generoso. A recomendação de Cristo é de fazermos aos outros o que gostaríamos que nos fizessem. Então temos que nos questionar se gostaríamos de vestir uma roupa de número 50 quando nosso manequim é 42, se calçaríamos um sapato 40 quando nosso número é 36. Temos ainda que nos perguntar se comeríamos algo sem qualidade, tudo pelo simples fato de que a necessidade nos visita. Olhemos aquele que nos busca com respeito, com compaixão. Se nada tivermos que lhe possa servir, que possamos dizer. Mas olhemos nos olhos dele, falemos como quem se importa verdadeiramente. Muitos que buscam a caridade alheia são pessoas que mais do que o pão, o leite, o abrigo, precisam de um coração que os abrace, de um olhar que os descubra visíveis, gente como toda gente. São mães que buscam corações sensíveis que os ajudem a manter vivos os filhos queridos. Há filhos órfãos que precisam encontrar uma mão estendida para os livrar das garras da morte. Há pais de família que, mesmo trabalhando de sol a sol, não ganham o suficiente para manter a família. Pensemos nisso e atendamos com respeito e amor as pessoas e famílias a nossa conta. Pense nisso, mas pense agora.

DESUNIÃO E DIVERGÊNCIA
6 Jun 20264:30EP 135

DESUNIÃO E DIVERGÊNCIA

Depois das últimas eleições no Brasil, tenho percebido que muitas pessoas que antes eram amigas hoje nem sequer se falam, por conta das divergências políticas e religiosas. Essa é uma situação que, em grande escala, o mundo já provou ser extremamente maléfica. As grandes atrocidades cometidas pela humanidade, muitas vezes, começam exatamente assim: pelo nosso pretenso pragmatismo, ou seja, pela imposição das verdades de cada um. Sim, é correto e salutar que nos posicionemos diante das ideias e opiniões. No entanto, isso deve acontecer sempre com bom senso, respeito e equilíbrio, compreendendo que outras pessoas podem pensar de maneira diferente. Sem fanatismo, intolerância ou personalismo, poderemos, por meio das nossas ideias, fomentar a paz e o progresso. Seria impossível existir qualquer grupo humano, por menor que fosse, sem pensamentos divergentes ou opiniões contrárias. Entre dois amigos, como entre dois irmãos muito próximos, pode haver divergências profundas em assuntos políticos, religiosos ou sociais, sem que isso provoque qualquer arranhão na amizade. Discutam, discordem, assumam posições opostas, mas permaneçam unidos. Afinal, o que todos nós desejamos é viver em paz e prosperidade. Essa reflexão me faz lembrar um dos discursos mais marcantes do cinema, presente no filme "O Grande Ditador", interpretado por Charles Chaplin: "Todos nós queremos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Queremos viver pela felicidade do próximo, e não pela sua desgraça. Não queremos odiar nem desprezar ninguém. Neste mundo há lugar para todos, e a boa Terra é rica e pode prover as necessidades de todos. O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, mas nós nos perdemos. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e fez-nos marchar, a passo de ganso, para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos tornaram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido." Essas palavras permanecem atuais. Elas nos lembram que o verdadeiro progresso não está apenas na tecnologia, na economia ou na política, mas, sobretudo, na capacidade de convivermos com respeito, mesmo quando pensamos de forma diferente. Como também dizia Chaplin, o povo tem o poder de tornar esta vida livre e bela, de fazer dela uma aventura maravilhosa. Portanto, em nome da democracia, usemos esse poder para nos unir. Lutemos por um mundo novo, um mundo bom, onde todos tenham oportunidade de trabalhar, onde os jovens possam sonhar com o futuro e os idosos vivam com segurança e dignidade. Infelizmente, muitos chegam ao poder prometendo exatamente isso, mas acabam enganando aqueles que depositaram neles sua confiança. Os ditadores libertam a si mesmos, mas escravizam o povo. Por isso, lutemos para libertar o mundo do ódio, da ganância e da prepotência. Derrubemos as barreiras que nos separam e construamos um mundo em que a ciência, o progresso e a solidariedade caminhem lado a lado em benefício de toda a humanidade. Que essas palavras, eternizadas na voz e na interpretação inesquecível de Charles Chaplin, nos inspirem a refletir sobre o respeito, a tolerância e o valor da convivência. Pense nisso... mas pense agora.

O DIFERENCIAL
4 Jun 20264:05EP 134

O DIFERENCIAL

No mundo em que vivemos, repleto de mídias e padrões sociais, ser diferente é quase ser um estranho. Não estamos falando aqui da falta de inclusão de pessoas com deficiências físicas ou síndromes. Estamos falando daquela pessoa que opta por não ser igual apenas para se encaixar. Daquela pessoa que pensa diferente. Daquela pessoa que não quer ser apenas mais uma, mas única. Afinal, o que é um diferencial? Na matemática, é uma diferença pequeníssima, conhecida como infinitesimal. No carro, é um dispositivo mecânico indispensável. No dicionário, é algo singular e único. Como podemos perceber, o diferencial é aquilo que nos torna indivíduos. Muitas empresas, quando estão recrutando novos candidatos, perguntam: "Qual é o seu diferencial?". E a pessoa, timidamente, responde aquilo que acredita que o recrutador quer ouvir: — Ah, eu tenho boa comunicação. — Tenho formação acadêmica. — Sou especializado em determinada área. Mas por que escondemos a verdade? Por que não falamos sobre o nosso verdadeiro diferencial? Será que é por vergonha das nossas estranhas manias, que, na verdade, são apenas expressões da nossa individualidade? Todos nós, seres humanos, temos as nossas próprias carências, frustrações e dificuldades. Tentar preencher expectativas criadas pela sociedade, onde o indivíduo precisa se sujeitar a um mundo ordeiro e alienado, gera conflitos e expectativas irreais, levando-nos, muitas vezes, à depressão. "Eu preciso de mais seguidores." "Preciso postar o Reels do momento." "Preciso do mais novo modelo de celular lançado." "Nas rodas de amigos, preciso beber muito para fazer parte do grupo." Essa obsessão e essa angústia por sermos aceitos pelo coletivo pairam constantemente sobre nós. E, aos poucos, dia após dia, vamos nos perdendo. Vamos perdendo o nosso diferencial. Não se perca tentando viver em um ambiente que não lhe traz felicidade, onde não aceitam seus defeitos, suas peculiaridades e suas manias. Respeite, valorize e apoie a sua singularidade, pois é dela que se constituem a nossa originalidade e a nossa unicidade. São as nossas manias e os nossos defeitos que nos distinguem entre tantas outras pessoas. É o somatório das características intrínsecas que compõem a alma humana. E, da próxima vez que alguém lhe perguntar qual é o seu diferencial, que você possa responder: "Sou diferente porque aprendo quando erro." "Sou diferente porque amo cantar alto, mesmo desafinado." "Ou quem sabe, sou diferente porque falo sozinho as ideias mais mirabolantes, excêntricas e criativas que me vêm à mente." O diferencial é indispensável para que não percamos a nossa individualidade. Seja distinto. Seja extraordinário. Seja, simplesmente, você. Pense nisso, mas pense agora.

SEJA VOCÊ MESMO
3 Jun 20262:30EP 133

SEJA VOCÊ MESMO

Desde muito cedo, somos ensinados a disfarçar e mascarar os nossos sentimentos e a nossa personalidade. Na maioria das vezes, não temos a oportunidade de desenvolver ou seguir as nossas intuições e manias. Passamos horas tentando convencer a nós mesmos de que está tudo bem e de que isso é para o nosso próprio bem. Para piorar ainda mais, comparamos as nossas realizações e os nossos progressos com os de todos ao nosso redor. Então, aprendemos que é mais importante parecer bem-sucedidos em relação aos outros do que nos sentirmos animados ou realizados com os nossos próprios sucessos e sonhos. É doloroso e estressante sentir que estamos vivendo uma mentira, dizendo o que as outras pessoas querem ouvir e fazendo coisas que realmente não queremos apenas para agradar alguém. Mas por que fazemos isso? Por que não vivemos intensamente? Por que não dizemos não às coisas que não nos agradam? Por que não podemos ser ousados, livres e selvagens? Afinal, Deus nos deu a vida para ser vivida. Temos que aprender a ser fiéis a nós mesmos, aprender a dizer não às situações que nos incomodam e sermos honestos conosco. Pode ser difícil. Afinal, passamos anos disfarçando e mascarando nossos sentimentos e nossa personalidade. Acostumamo-nos a ser infiéis a nós mesmos. Mas precisamos nos libertar para podermos começar a viver. Então, desprenda-se de tudo o que está te prendendo a uma mentira. Retire todas essas camadas de medo e condicionamento e seja fiel a você mesmo. Quando isso acontecer, aprenderemos a viver livres e intensamente. Pense nisso, mas pense agora.

PERDENDO A NOÇÃO DO TEMPO
1 Jun 20263:17EP 132

PERDENDO A NOÇÃO DO TEMPO

A frase estampada em uma arte divulgada em uma rede social me chamou a atenção: “Compromisso não é chegar sempre no horário. Por vezes, quer dizer perder a noção do tempo.” Tempo é algo tão precioso que, hoje em dia, muitos têm dificuldade em administrá-lo. Já não temos mais tempo para quase nada. Não temos paciência para uma longa conversa ao telefone. Optamos por mensagens em grupo, respostas rápidas, e assim a vida segue. Utilizamos ferramentas para otimizar o nosso tempo, mas deixamos de lado o essencial: o contato, o afeto, a presença. Quando pensamos em programar algo diferente com as pessoas que amamos, precisamos encontrar uma brecha, fazer alguns ajustes, porque, geralmente, as agendas não coincidem. No dia a dia, temos que concluir um trabalho até determinado horário porque, logo na sequência, temos outros compromissos. As reuniões presenciais e as aulas foram substituídas por encontros virtuais. E, aos poucos, começamos a perceber que nossa agenda está cheia novamente. O ano passa em uma velocidade assustadora. E o que temos feito com o nosso tempo? Muitos aproveitaram o período de quarentena para estudar mais; outros, para ajustar a vida espiritual e até mesmo a vida familiar. Por causa da pandemia, para muitos de nós, a noção de tempo mudou. O valor dele também. Aprendemos que os momentos em família são necessários, mas também aprendemos, da maneira mais difícil, que o tempo não para e que não podemos voltar atrás quando perdemos uma pessoa importante para nós. Precisou que tudo parasse lá fora por um período para enxergarmos onde estávamos falhando e como é bom ficar perto de quem amamos. E passamos a entender que o tempo pode ser o nosso maior aliado ou o nosso pior inimigo. Depende da forma como lidamos com ele. De todos os compromissos, os que têm a ver com afeição são os mais preciosos. Precisamos, sim, aprender a administrar cada minuto para tornar o nosso trabalho mais produtivo, mas não podemos nos esquecer das nossas prioridades. Que possamos nos permitir perder a noção do tempo com quem amamos: andando de bicicleta com os filhos, tomando um sorvete com a família, sem pressa alguma. A vida está passando. Será que é tempo o que nos falta para perceber isso? Hoje temos o privilégio de estarmos juntos. Parafraseando Lenine, será que temos esse tempo para perder? A vida é tão rara. Pense nisso. Mas pense agora.

O PRIMEIRO PÁSSARO
30 Mai 20264:16EP 131

O PRIMEIRO PÁSSARO

O inverno havia sido longo e muito frio, com bastante neve. E a primavera ainda não havia chegado. Levantei-me bem cedo. Olhei através de minha janela e contemplei um pássaro. Em seguida chamei minha esposa e disse, vem rápido e apressa-te para ver quem chegou à janela. Aqui está um amigo nosso que veio de um país longínquo para nos visitar. Minha esposa aproximou-se da janela e também viu a pequena ave. O pássaro olhou para nós e saiu saltitando pela terra fria e árida à procura da minhoca madrugadora. Porém o pássaro foi mais madrugador que a minhoca. E minha mulher correu à cozinha para ver o que poderia encontrar para o bichinho comer. Eu me dirigia ao pássaro e então lhe disse emocionado. Estiveste em um lugar quente onde o sol brilhou. E poderias ter continuado lá, mas estás aqui. E vieste enquanto ainda inverno porque a profecia da primavera está em teu sangue. Tua fé é a essência de coisas que esperaste e a evidência de coisas que não viste. Chegaste aqui depois de voares muitos quilômetros, sim centenas de quilômetros, rumo a uma terra desolada. Porque tens dentro de tua alma a certeza de que a primavera está próxima. Oxalá houvesse entre os seres humanos certeza tal que encaminhasse alguém para seu autodestino. Com uma convicção tão grande quanto a tua. E eu pensei nos olhos formados na escuridão, mas feitos para enxergar a luz. E nos ouvidos maravilhosamente modelados no silêncio, mas feitos para ouvir música. E na alma humana que nasceu em um mundo onde existe o erro, mas que também nasceu com a esperança da retidão. E eu abençoei o passarinho que me fez pensar nestas coisas. E quando foi à cidade naquele dia as pessoas diziam, que coisa! O inverno não está muito frio e longo. E eu respondi, não quero mais falar do inverno. E elas perguntaram, por que não devemos falar do inverno? Não estás vendo o termômetro e as latas de carvão vazias? Ergui a cabeça com orgulho e disse, não quero mais ouvir falar do inverno. Esta manhã, vi o primeiro pássaro. Para mim, a primavera já chegou. Quem dera pudéssemos ter a fé e a esperança desse ser alado dos ares terrenos. Em seu instinto está a voz do Criador, garantindo sempre a primavera após a estação do frio. Se pudéssemos, nas invernias aflitivas da vida, lembrar dessa certeza. De que tudo acabará bem. De que uma nova estação das flores não tarda em vir. De que as temperaturas gélidas nos fazem sempre mais fortes. Se pudéssemos perceber, com maior clareza, que o universo trabalha em nosso favor. Em qualquer estação do ano, por mais insuportável que essa possa ser. Quem sabe, já poderíamos ser mais felizes. Aproveitando melhor cada oportunidade, cada experiência de aprendizado. Quem sabe, inclusive, poderíamos ser o primeiro pássaro de alguém. Cuja alma ainda se encontra congelada pelo desespero implacável. Pensemos nisso. Mas, pensemos agora.

ATITUDE É TUDO
29 Mai 20264:57EP 130

ATITUDE É TUDO

João era o tipo de homem que qualquer pessoa gostaria de conhecer. Estava sempre de bom humor e tinha sempre qualquer coisa de positivo para dizer. Se alguém lhe perguntasse como estava, a resposta era logo: “Cada dia melhor”. Era um gerente especial. Trabalhava num restaurante. Os empregados seguiam-no em todos os restaurantes só por causa da sua atitude. Era um motivador nato. Se um colaborador tinha um mau dia, João dizia-lhe sempre para ver o lado positivo da situação. Eu fiquei tão curioso com seu estilo de vida que, um dia, lhe perguntei: — João, como pode ser uma pessoa tão positiva o tempo todo? Como é que você consegue isso? E João disse: — Cada manhã, ao acordar, digo para mim mesmo: “João, hoje você tem duas escolhas. Pode ficar de bom humor ou de mau humor”. E eu escolho ficar de bom humor. Cada vez que algo de mal acontece, posso escolher fazer-me de vítima ou aprender alguma coisa com o ocorrido. Escolho aprender algo. Sempre que alguém reclama, posso escolher aceitar a reclamação ou mostrar o lado positivo da vida. Confesso que nunca mais me esqueci do que João me disse. E lembrava-me sempre dele quando fazia uma escolha. Anos mais tarde, soube que João cometera um erro, deixando pela manhã a porta de serviço aberta, e foi surpreendido por assaltantes. Dominado, enquanto tentava abrir o cofre, a mão, tremendo com o nervosismo, desfez a combinação do segredo. Os ladrões entraram em pânico, dispararam e o atingiram. Por sorte, foi encontrado a tempo de ser socorrido e levado para um hospital. Depois de 18 horas de cirurgia e semanas de tratamento intensivo, teve alta, ainda com fragmentos de balas alojadas no corpo. Eu o encontrei mais ou menos por acaso, passado algum tempo, e, quando lhe perguntei como estava, logo me respondeu com seu habitual ar bem-disposto: — Ah, ótimo! Se melhorar, estraga! Contou-me o que tinha acontecido e perguntou se eu queria ver as suas cicatrizes. Eu me recusei a ver os seus ferimentos, mas perguntei-lhe o que lhe tinha passado pela cabeça na ocasião do assalto. — A primeira coisa que pensei foi que devia ter trancado a porta dos fundos — respondeu. — Então, deitado no chão, ensanguentado, lembrei-me de que tinha duas escolhas. Poderia viver ou morrer. Eu escolhi viver. — Mas você não teve medo? — perguntei. — Olha, os paramédicos foram ótimos. Diziam-me que tudo ia dar certo e que eu ia ficar bom. Mas, quando cheguei à sala de emergência e vi a expressão dos médicos e enfermeiras, fiquei apavorado. Nas expressões deles eu lia claramente: “Esse aí já era”. Decidi que tinha de fazer algo. — E o que você fez? — perguntei. — Bem, havia uma enfermeira que fazia muitas perguntas. Perguntou se eu era alérgico a alguma coisa. Eu respondi: “Sim”. Todos pararam para ouvir a minha resposta. Tomei fôlego e gritei: “Sou alérgico a balas!” Entre a risada geral, eu lhes disse: — Eu escolho viver. Operem-me como um ser vivo, não como um morto. João sobreviveu graças à persistência dos médicos, mas também graças à sua atitude. Aprendi que todos os dias temos a opção de viver plenamente e tomar decisões, pois serão essas atitudes que trarão benefícios agora e para a eternidade. Atitude é tudo. É ela que determina como enfrentamos os desafios e adversidades. Podemos escolher ser vítimas das circunstâncias ou aprender com elas e crescer. Podemos deixar que o medo nos domine ou podemos enfrentá-lo com coragem e esperança. Todos os dias, ao acordar, lembre-se da história de João. Lembre-se de que você tem o poder de escolher sua atitude. Escolha viver plenamente. Escolha ver o lado positivo. Escolha fazer a diferença. Afinal de contas, a atitude é tudo. Pense nisso, mas pense agora.

DANDO O MELHOR
28 Mai 20263:56EP 129

DANDO O MELHOR

Muitas coisas se falam a respeito de Beethoven. O fato de ter composto extraordinárias sinfonias, mesmo após a total surdez, é sempre recordado. Exatamente por causa de sua surdez, ele era pouco sociável. Enquanto pôde, escondeu o fato de sua audição estar comprometida. Evitava as pessoas porque a conversa se lhe tornara uma prática difícil e humilhante. Era o atestado público da sua deficiência auditiva. Certo dia, um amigo seu foi surpreendido pela morte súbita do filho. Assim que soube, o músico correu para a casa dele, pleno de sofrimento. Beethoven não tinha palavras de conforto para oferecer. Não sabia o que dizer. Percebeu, contudo, que não podia. No canto da sala, havia um piano. Durante 30 minutos, ele extravasou suas emoções da maneira mais eloquente que podia. Tocou o piano. Ao contato dos seus dedos, as teclas acionadas emitiram lamentos e melodiosa harmonia de consolo. Assim que terminou, ele foi embora. Mais tarde, o amigo comentou que nenhuma outra visita havia sido tão significativa quanto aquela. Por vezes, nós também, surpreendidos por notícias muito tristes ou chocantes, não encontramos palavras para expressar conforto ou consolação. Chegamos ao ponto de não comparecer ao enterro de um amigo por sentir não ter jeito para dizer alguma coisa para a viúva ou aos filhos órfãos. Não vamos ao hospital visitar um enfermo do nosso círculo de relações porque, no estado em que se encontra, pensamos: como chegar? O que levar? O que dizer? Aprendamos com o gesto do imortal Beethoven. Na ausência de palavras, permitamos que falem os nossos sentimentos. Ofertemos o abraço silencioso e deixemos que a vertente das lágrimas de quem se veste de tristeza escorra em nosso peito. Ofereçamos os ombros para auxiliar a carregar a dor que extravasa da alma, vergastando o corpo. Sentemo-nos ao lado de quem padece e lhe seguremos a mão, como a afirmar, com todas as letras e nenhum som: eu estou aqui. Conte comigo. Servamos um copo d’água, um suco, àquele que secou a fonte das lágrimas e prossegue com a alma em frangalhos. Isso poderá trazer renovado alento ao corpo exaurido pela convulsão das dores. Verifiquemos se não podemos providenciar um cantinho para um recado, ainda que breve. Permaneçamos com o amigo, mesmo depois que todos se tenham retirado para seus lares ou se dirigido aos seus afazeres. As horas da solidão são mais longas quando os ponteiros avançam à madrugada. Ser amigo conveniente, sabendo conduzir-te com descrição e nobreza junto àqueles que te elegem à amizade. A descrição é tesouro pouco preservado nas amizades terrenas. Todas as pessoas gostam de companhias nobres e discretas, que inspiram confiança, favorecendo a tranquilidade. Ouve, vê, acompanha e conversa com nobreza, sendo fiel à confiança que em ti depositem. Pense nisso, mas pense agora.

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