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PODCAST · 200 EPISÓDIOS

Pense Nisso

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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 E NÃO ACONTECEU
27 Mai 20264:27EP 128

E NÃO ACONTECEU

Os dias agitados, as conturbações sociais, as dificuldades desses tempos fazem com que sejamos tocados, com frequência, por problemáticas inúmeras. Ora, somos vitimizados pela violência social que nos chega na forma de furtos, roubos ou agressões. Doutras vezes, cruzamos com pessoas desequilibradas que nos envolvem com seus desatinos e insensatez. Outros despejam sobre nós seus discursos e ações doentias, nos prejudicando ou nos conduzindo a distonias comportamentais que se refletem, como consequência, em nosso organismo. E, de tal forma, essas ações impactam nosso cotidiano que, muitas vezes, passamos a relatar tal ou qual fato que nos ocorreu, multiplicando, de vezes, o ato infeliz do qual fomos vítimas. Passamos, em nossos relatos, nas nossas conversas, a reproduzir o mal recebido, revivendo as tormentas e dificuldades da situação ocorrida. E assim vamos valorizando o mal de maneira exagerada, desnecessária e sempre prejudicial. Vamos contaminando outras pessoas e ambientes com nossos relatos, sem atentarmos onde estamos e com quem estamos, infundindo medos, receios, sentimentos de pavor, totalmente desnecessários. Por outro lado, quase nunca nos damos conta de quantas coisas não nos acontecem. Se somos alvo da maldade de uns, imprevidência de outros, desequilíbrio de alguns, sem dúvida temos muito mais a relatar de fatos que poderiam ter ocorrido conosco e não chegaram a acontecer. Enquanto preocupados em reclamar e enfatizar o mal que respinga em nós, deixamos de valorizar os recursos que a providência divina oferece para nos amparar e proteger. Não percebemos que os descuidos que nos permitimos oferecem oportunidade para grandes dificuldades, e a bondade de muitos que nos rodeiam encontra os meios para minimizar, até mesmo neutralizar, consequências nefastas que poderiam decorrer da nossa imprevidência. Quantas vezes, pessoa que achávamos pouco simpática já nos direcionou os passos a outros trajetos em nossos percursos diários, evitando que viéssemos a sofrer acidentes, percalços, dificuldades de qualquer sorte. Poucas vezes nos damos conta dessa ação bem-faze já da divindade, protegendo-nos através de inúmeros mecanismos, simplesmente para que o mal não nos alcance. Portanto, ante pequenos contratempos que furem, ou algo inconveniente que nos atinja, busquemos, antes de tudo, refletir. Antes de reclamar, de gastar nosso tempo a reviver emoções desagradáveis, reflitamos se não devemos agradecer. Reflitamos a respeito do mal que nos sucedeu e o tanto mais que poderia ter ocorrido, e constataremos quanto estamos sendo amparados. Essa breve reflexão nos permitirá perceber como somos cuidados pelo amor de Deus. Por isso, mantenhamos nos lábios e no coração o agradecimento às oportunidades que a vida diariamente nos oferece através de pessoas que nos amparam, nos protegem, nos sustentam à vida. Aprendamos a agradecer pela dificuldade, pelo mal ou pelo problema que simplesmente não nos aconteceu, graças à interferência de alguém, que algumas vezes nem sabemos quem é. E lembremos sempre: as pessoas fazem aquilo que nós permitimos. Por isso, não passemos o recibo e sejamos os portadores do equilíbrio, do bom senso e da benevolência. Pense nisso, mas pense agora.

 FEITO REVOADA
26 Mai 20264:45EP 127

FEITO REVOADA

Você já observou uma daquelas árvores comuns, altas, quando estão repletas de pássaros em seus galhos? As aves pousadas preenchem os espaços, e mesmo os ramos mais secos parecem ganhar vida com a visita animada dos pequenos seres. A árvore ganha movimentos que não possuía, ganha sons que não era capaz de emitir. A vida se soma à vida. A árvore nunca foi tão exuberante. Mas, sem avisar, sem aparente razão, subitamente todos eles resolvem bater em Revoada ao mesmo tempo. Outro belíssimo espetáculo de se ver. Coordenados, sem medo, obedecendo a um comando interno que lhes faz desafiar os ares a todo instante, eles voam. Eles voam, buscando seus destinos, continuando a desempenhar seu importante papel na criação. Mas, e a árvore? Normalmente nem mais a notamos. A árvore permanece, agora, aparentando estar vazia, incompleta. Faltam os passarinhos, os ruídos, a festa. Falta aquela alegria toda em torno da árvore. Há épocas da vida que parece que as pessoas começam a partir assim, feito Revoada, todas quase ao mesmo tempo. As redes sociais possibilitam que saibamos desse tipo de notícia instantaneamente. Lá se foi aquele amigo distante. Agora aquele outro, pai de fulano, mãe de beutrana. E quando chega a vez dos nossos próximos, nos damos conta de que todos teremos que partir um dia. Sentimo-nos então como a árvore que perdeu todos os pássaros que cantavam e brincavam em seus braços. Sentimo-nos minguados, desfolhados, silenciosos. É de se compreender a tristeza da árvore. Necessário lembrar, vez ou outra, que os pássaros não pertencem às árvores, que não fazem parte dela, como o tronco, a galhada ou as folhas. São visitantes passageiros que fizeram breve morada ali, em seu aconchego verdejante, antes de seguir suas jornadas pelo espaço sem fim. Assim poderíamos perguntar, deve a árvore sofrer com as Revoadas frequentes da existência, ou se alegrar com os belos voos de seus novos amigos passareios? A resposta é admirável. Ela precisa das duas coisas. Não há mal algum em sofrer. As almas mais sensíveis sofrem a ausência e a despedida. Choram as lágrimas da gratidão, das boas lembranças e da falta das energias do outro. Mas, também porque amam, choram de alegria pela libertação, pela beleza de um voo que é certo para todos, pois é voo de final de uma etapa e início de uma nova. É um voo de renovação. Curiosa que somos, ao mesmo tempo, árvore e passarinho. E conhecemos a história a partir dos dois pontos de vista. Bate em nós vez ou outra essa melancolia das Revoadas, quando o olhar se detém apenas nas árvores esvaziadas que ficavam. Que os momentos difíceis que temos enfrentado possam nos ensinar algo importante. A nossa vida e tudo que nela há é um privilégio. Somos agraciados a todo instante. Que possamos valorizar cada momento, cada instante, cada individuo que passa em nossa vida, cada oportunidade. Façamos isso todos os dias. Pense nisso, mas pense agora.

UM HERÓI 669 VIDAS
25 Mai 20265:38EP 126

UM HERÓI 669 VIDAS

Quando alguém nos pergunta o que imaginamos ao ouvir a palavra herói, é praticamente unanimidade que nos venha à cabeça a figura masculina com uniforme colado ao corpo, musculoso, uma capa esvoaçante, com o peito estufado e as mãos na cintura. Aposto que foi exatamente isso que você imaginou. Quando, na verdade, esse é apenas um arquétipo que habita o nosso inconsciente coletivo. Poucos imaginaram um bombeiro, médico, policial, enfim, uma pessoa comum. O jovem britânico Nicholas Winton não se encaixaria nesse padrão de herói que a maioria de nós temos no inconsciente, mas ele foi um grande herói, um herói de verdade, de carne e osso. Tudo começou no ano de 1938, quando ele tinha somente 29 anos e viu cancelado seu plano de férias de final de ano. Atendendo ao convite de um amigo, ele foi para a Tchecoslováquia. O que Winton viu o deixou estarrecido. Eram milhares de refugiados desesperados, que tinham que deixar o país rapidamente. De imediato, ele percebeu que deveria fazer algo por eles, e fez. Teve a ideia de retirá-los daquela terra já sob o poder da Alemanha Nazista. Por conta própria, escreveu a vários países pedindo ajuda. Organizou uma primeira lista de nomes e recebeu resposta positiva da Suécia e da Grã-Bretanha. De volta ao seu país, conseguiu o apoio de organizações beneficentes e encontrou pessoas dispostas a adotar os refugiados. Também obteve os recursos necessários para o transporte e, quando o primeiro trem chegou à Grã-Bretanha, lá estava ele, na plataforma, para a recepção. Foram salvas 669 crianças por esse jovem. Crianças que se transformaram em escritores, engenheiros, biólogos, cineastas, construtores, jornalistas e guias turísticos. Todos adultos generosos, que adotaram crianças, trabalham como voluntários e fazem o bem em gratidão pelas suas próprias vidas. Infelizmente, lamentou Nicholas, um novo grupo com quase 200 passageiros não pôde partir para a liberdade porque, no dia 1º de setembro de 1939, eclodiu a guerra. Todos os meios de transporte foram bloqueados e os que não conseguiram sair foram enviados aos campos de concentração. Dizem que quem salva uma vida salva a humanidade. O que se pode dizer de alguém que salvou 669? Mas um herói não para depois de um ato heroico. Por isso, Nicholas tornou-se voluntário da Cruz Vermelha, na França, durante a guerra. Trabalhou posteriormente nas Nações Unidas e, ao se aposentar, dedicou-se exclusivamente ao trabalho voluntário. Vivendo no interior da Inglaterra, ele cuidava do seu jardim e ainda ocupava o seu tempo ajudando um asilo. Não se considerava um herói porque dizia que fez o que todos consideravam impossível. Simplesmente porque o seu lema era: “Se não é obviamente impossível, deve haver uma maneira de fazer”. Discreto, nem mesmo à esposa, com quem se casou em 1948, ele narrou o que fizera. Foi somente em 1988 que o fato se tornou conhecido, quando sua esposa, Greti, encontrou os documentos no sótão da velha casa do casal. Desde então, passou a receber homenagens do governo tcheco, da rainha da Inglaterra, dos Estados Unidos e daqueles que foram salvos por sua atitude heroica e anônima. Sua vida, seus méritos e a operação de resgate estão contidos na biografia escrita por nada menos do que uma das crianças que ele salvou, Vera Gissing, que o conheceu aos 80 anos de idade. Nicholas Winton teve uma vida longa, tranquila e produtiva. Faleceu de forma serena no estado da Inglaterra, aos 106 anos, no dia 1º de julho de 2015. Nicholas Winton sempre será um símbolo de coragem, profunda humanidade e incrível bondade. Um herói se faz com algumas gotas de amor, idealismo e uma grande vontade de promover o bem. Pense nisso, mas pense agora.

COMBATENDO O PRECONCEITO
23 Mai 20263:29EP 125

COMBATENDO O PRECONCEITO

Quando Gandhi trabalhava pela independência da Índia, empenhou-se também em combater uma questão interna: o preconceito de castas. Tradição milenar que divide a sociedade indiana em religiosos, guerreiros, agricultores, comerciantes e servos, as castas até hoje persistem. Na base da pirâmide social, há uma categoria desprezada: os párias. Sem casta, os párias são considerados impuros, e acredita-se que quem os toca fica impuro também. Por isso, são chamados intocáveis. Mas Gandhi, ao estudar profundamente os ensinos de Krishna, aprendeu que Deus não faz diferença entre seus filhos. Ele compreendeu que o sistema de castas havia sido modificado pelos homens, que o usaram para fins de dominação política e social. E foi assim que Gandhi passou a combater o preconceito contra os párias, que ele chamava Harijans, palavra que significa “filhos de Deus”. Estava certo Gandhi. Os preconceitos que carregamos são parte de um contexto social e cultural que devemos combater. À medida que a humanidade progride, os preconceitos vão perdendo espaço. A ciência vai demonstrando que certas teorias não têm validade e, aos poucos, vamos expurgando práticas vergonhosas. Vejamos, por exemplo, o preconceito racial. Ele é decorrente de uma visão que data da época da colonização. Os europeus se achavam superiores aos povos indígenas ou africanos. É uma tese absurda que o tempo se encarregou de derrubar. Sim, pois, quando se ofereceu oportunidade, negros e índios mostraram tanta capacidade intelecto-moral quanto os demais. Nunca é demais lembrar que, mesmo na época do mais rigoroso preconceito racial no Brasil, houve quem triunfasse. É o caso do maior escritor brasileiro de todos os tempos, Machado de Assis. Filho de uma ex-escrava que trabalhava como lavadeira, ele trabalhava durante o dia e estudava à noite, sob a luz de um lampião. Demonstrou que o talento e o esforço vencem o preconceito, por mais forte que seja. Hoje, por mais que se combata o preconceito, muitas vezes ele ainda aparece inesperadamente. É porque estava apenas oculto, escondido sob o verniz social. É assim na questão dos homossexuais. Os preconceitos contra eles se manifestam de forma agressiva. Eles são ridicularizados, alvo de piadas e até de violência. Muitos são espancados e assassinados. Será que já conseguimos ver todos os demais seres humanos como irmãos que também amam, sofrem e querem ser felizes? Será que ainda é preciso ter uma data para se conscientizar do quanto o preconceito é sinal de barbarismo e ignorância? Pense nisso, mas pense agora.

PRETEXTO
22 Mai 20263:37EP 124

PRETEXTO

Às vezes, falta-nos coragem para lutar por aquilo que desejamos ou para nos tornarmos aquilo que queremos ser. Não é que tentemos e fracassemos; é pior do que isso. Uma bendita timidez, uma inexplicável covardia, nos impede até mesmo de fazer a tentativa. Mas como explicar esse estranho comportamento? O curioso deste mundo é que aquilo que alguns têm em excesso faz uma falta terrível para outros. A autocrítica, que é a avaliação que alguém faz de si mesmo, seus defeitos e qualidades, em alguns é otimista demais, induzindo a pessoa a julgar-se a oitava maravilha do mundo e a tornar-se até mesmo ridícula por seu convencimento. Em outros, no entanto, a autocrítica é terrível, tão pessimista e tão severa que acaba fazendo a pessoa sentir-se incapaz. Um dos modos mais eficientes de nos sentirmos infelizes é vivermos nos comparando sistematicamente com os outros. Há a menina que daria tudo para ser bonita como a amiga. Há o menino que inveja a inteligência do colega de classe. Há o moço pobre que lamenta não ser rico como o moço de outro bairro. São todos vítimas do complexo de pequenez. Baixam a cabeça quando o menino inteligente, a menina bonita ou o moço rico passam, porque o sentimento de inferioridade os faz sentir-se ainda mais insignificantes. Quem se compara com os outros esquece de algo importante: ninguém é igual a ninguém. Todos nós temos aptidões diferentes. Uns somos melhores em cálculos. Outros temos talentos para idiomas. Assim por diante. É estupidez nos deixarmos escravizar aos modelos que o mundo tenta nos impor à força. Não temos obrigação nenhuma de ser inteligentes, ou magros, ou bonitos, ou instruídos para merecermos um lugar ao sol. Quem disse que precisamos ser perfeitos ou melhores do que os outros para termos o direito de lutar pela realização dos nossos sonhos? E quem disse que inteligência, beleza, riqueza ou instrução garantam felicidade a alguém? Quantos meninos que eram considerados pequenos gênios nos tempos de escola tornaram-se verdadeiros fracassos na vida adulta? Quantas mocinhas que, na juventude, arrancavam suspiros apaixonados tornaram-se mulheres frustradas no amor? E, por outro lado, quantos garotinhos atrasados transformaram-se em adultos bem-sucedidos? E quantas adolescentes desajeitadas tornaram-se muito felizes de família? A verdade é que, muitas vezes, nos apegamos a qualquer bobagem para justificar nossa falta de iniciativa. E, enquanto nos apequenamos por nos sentirmos gordinhos, ou feinhos, ou por não termos dinheiro ou instrução, homens cegos se tornam astros da música, paraplégicos se tornam gênios da física e artistas sem braços pintam obras-primas com os pés. Pense nisso e prossiga na luta com resignação.

O HOMEM QUE NÃO SE IRRITAVA
21 Mai 20265:20EP 123

O HOMEM QUE NÃO SE IRRITAVA

Conta-se uma parábola que numa cidade do interior havia um homem que não se irritava e não discutia. Sempre encontrava saída cordial. Não feria ninguém, nem se aborrecia com as pessoas. Morava numa modesta pensão onde era admirado e querido. Para testá-lo, um dia seus companheiros combinaram de levá-lo à irritação e à discussão numa determinada noite em que o convidariam a um jantar. Trataram todos os detalhes com a garçonete que seria responsável por atender a mesa. Assim que iniciou o jantar, com uma entrada foi servida uma saborosa sopa da qual o homem gostava muito. A garçonete chegou próximo a ele pela esquerda e ele, prontamente, levou seu prato para aquele lado a fim de facilitar a tarefa de servir. Mas ela serviu todos os demais e quando chegou a vez dele foi para outra mesa. Ele esperou calmamente e em silêncio que ela voltasse. Quando ela se aproximou outra vez, agora pela direita, ele levou outra vez seu prato na direção da jovem. Mas novamente ela se distanciou, ignorando-o. Após servir todos os demais, passou o rente a ele com a sopeira exalando o saboroso aroma como quem havia concluído a tarefa e retornou à cozinha. Daquele momento não se ouvia qualquer ruído. Todos o observavam discretamente para ver sua reação. Educadamente, ele chamou a garçonete que se voltou. Fingindo em paciência, ele disse, o que o senhor deseja? Ao que ele respondeu naturalmente, a senhora não me serviu a sopa. Ela retrucou para provocá-lo desmentindo-o. Servi-se em senhor. Ele olhou para ela, olhou para o prato vazio e limpo e ficou pensativo por alguns segundos. Todos pensaram que ele iria brigar. Suspense e silêncio total. Mas o homem surpreendeu a todos, ponderando tranquilamente. A senhora serviu sim, mas eu aceito um pouco mais. Os amigos, frustrados por não conseguir faze-o discutir e se irritar com a moça, terminaram o jantar, convencidos de que nada mais faria com que aquele homem perdesse a compostura. O protagonista dessa história nos deixa uma lição. A maneira como reagimos às situações é que determinará os seus efeitos nas nossas vidas. Um único deslize daquele homem poderia manchar algo que ele já tinha construído há muito tempo. Ele era um homem reconhecido e admirado por sua postura. Tinha uma reputação invejável. Talvez você pense, é, mas é injusto o que fizeram com ele. Sim, até seria seu direito cobrar um melhor atendimento. Ou ele poderia simplesmente ter levantado do seu lugar, decidido sair sem experimentar a sopa. Uma outra pessoa talvez pensasse numa maneira de punir aquela garçonete. Mas aquele homem, embora injustiçado, decidiu abrir mão da razão. Na vida, muitas vezes, esta é a melhor escolha. Numa discussão com o cônjuge, os insultos desenfreados não trarão nenhum tipo de benefício. Pelo contrário, poderão provocar feridas, desgastes nas emoções e distanciamento. No trânsito, qualquer comportamento errado pode resultar numa grande confusão. Discutir não é uma regra. Sempre foi opcional. E como diz o ditado antigo, quando um não quer, dois não brigam. A verdade é que reagir com irritação em qualquer momento da vida, poderá atrair consequências graves. No trabalho ou entre amigos, faça também o possível para evitar discussão. Se ainda assim o clima pesar por qualquer motivo, experimente um exercício. Respire fundo. Beba um pouco d'água. Peça a Deus sabedoria. Releve. Perdoe. Peça perdão. Recomece. Não deixe a ira invadir o seu coração. Não perca a razão. Mas seja o primeiro a abrir mão dela. Seja um pacificador. O que as pessoas costumam observar em você? Você é lembrado por aquilo que você faz de bom ou pelas consequências dos seus atos impensados? Pense nisso. Mas, pense agora.

 RENOVAÇÃO
20 Mai 20263:38EP 122

RENOVAÇÃO

Você já observou que, de repente, as folhas das árvores começam a nascer, as flores aparecem e tudo passa a ter tons de roxo, amarelo, rosa, branco, uma infinidade de cores, de vida, que começa a substituir o marrom do inverno e, sem perceber, mais uma estação acabou e um novo ciclo começou? A primavera chegou com suas cores e o perfume inigualável das flores no ar e, observando o seu colorido e aproveitando os dias, esquecemos que, algum tempo atrás, tudo estava sem cor e sem vida. O curioso é que nossas vidas são como as passagens das estações. Em algumas delas, estamos felizes e realizados e, em outras, estamos tristes e com dor no coração. Porque uma estação acabou, e as estações da vida de alguém que amamos acabaram. E esses invernos são tristes, sem cor, sem vida, desolados. Sentimos frio e, aparentemente, nada aquecerá nossos corações. Mas tudo é efêmero. Assim como as estações, a vida tem ciclos. E, no transcorrer dos anos, muitas mudanças ocorrem. As estações nos dão a oportunidade de redescobrirmos o significado da vida, de renovarmos o nosso sentido, a nossa cor, e passamos a viver e não apenas existir. Quando os ciclos mudarem e novas estações chegarem, viva o momento. Abrace o inverno; não há mal algum em sofrer. Sorria na primavera, colhe os frutos do outono e aprecie o calor do verão. A vida é uma dádiva divina que nos permite experimentar todas as nuanças. Cada uma delas tem sua beleza, sua lição, seu propósito. Cada uma delas nos prepara para a próxima estação, nos fortalece, nos amadurece, nos enriquece. A cada amanhecer, é uma chance para que um novo ciclo comece. Mas tenha sempre em mente que a renovação é um processo contínuo e pessoal. Cada um tem o seu ritmo e seu estilo de se renovar. O importante é não deixar que ninguém estrague o dom divino de se reinventar. Não tenha medo das mudanças; elas são inevitáveis e necessárias. Não se apegue ao que se foi, mas agradeça o que foi vivido. Não se entristeça pelo que não pode mais ter, nem por aquele que não se pode mais abraçar. Mas alegre-se pelos momentos e memórias que aquecem a alma. Cultive as estações! Aproxime-se das pessoas que te amam e te apoiam. Demonstre o seu amor e o seu apoio a elas, pois o amor é o alimento da vida. Compartilhe momentos bons e ruins. Seja gentil, compreensivo, generoso, seja inteiro. Viva todas as estações e não apenas exista nelas. Renove-se a cada ciclo, porque as almas mais lindas do mundo são moldadas pelas sabedorias dos anos. Pense nisso, mas pense agora.

O POÇO
19 Mai 20264:46EP 121

O POÇO

Narra uma lenda chinesa que, no fundo de um poço pequeno, mas muito fundo, vivia um sapo. O que ele sabia do mundo era o poço e o pedaço de céu que conseguia ver pela abertura, bem no alto. Certo dia, um outro sapo se abeirou da boca do poço. — Por que não desce e vem brincar comigo? É divertido aqui — convidou o sapo lá embaixo. — O que tem aí? — perguntou o de cima. — Tudo. Água, correntes subterrâneas, estrelas, a luz e até objetos voadores que vêm do céu. O sapo da terra suspirou. — Amigo, você não sabe nada. Você não tem ideia do que é o mundo. O sapo do poço não gostou daquela observação. — Quer dizer que existe um mundo maior do que o meu? Aqui vemos, sentimos e temos tudo que existe no mundo. — Aí é que você se engana — falou o outro. — Você só está vendo o mundo a partir da abertura do poço. O mundo aqui fora é enorme. O sapo do poço ficou muito chateado e foi perguntar a seu pai se aquilo tudo era verdade. — Haveria um mundo maior lá em cima? O pai confirmou. Sim, havia um outro mundo, com muito mais estrelas do que se podia ver dali de baixo. — Por que nunca me disse? — perguntou o sapinho, desapontado. — Para quê? O seu destino é aqui embaixo, neste poço. Não há como sair. — Eu posso! Eu consigo sair! — falou o sapinho. E pulou, e saltou, e se esforçou. O poço era muito fundo, a terra longe demais, e ele foi se cansando. — Não adianta, filho — tornou o pai a dizer. — Eu tentei a vida toda, seus avós fizeram o mesmo. Esqueça o mundo lá em cima, contente-se com o que tem, ou vai viver sempre infeliz. — Mas eu quero sair! Eu quero ver o mundo lá fora! — chorava o filhote. E passou o resto da vida tentando escapar do poço escuro e frio. O grande mundo lá em cima era o seu sonho. Um pobre camponês, de apenas oito anos de idade, não se cansava de ouvir essa lenda dos lábios de seu pai. Vivendo a época da revolução cultural na China de Mao Zedong, o menino passava fome, frio e toda sorte de privações. — Pai! Estamos em um poço? — perguntava. — Depende do ponto de vista — respondia o pai. Mais de uma vez, o garoto se sentia como o sapo no poço, sem saída. Mas ele enviava mensagens aos espíritos. Pedia vida longa e felicidade para sua mãe. Pedia pela saúde de seu pai. Mas, mais que tudo, ele pedia para sair do poço escuro e profundo. Ele sonhava com coisas lindas que não possuía. Pedia comida para sua família. Pedia que o tirassem do poço para que ele pudesse ajudar seus pais e irmãos. Ele pedia e sonhava. E deixava sua imaginação o levar para bem longe. Um dia, a possibilidade mais remota mudou, de modo total, o curso da sua vida. Ele foi escolhido entre centenas de camponeses e foi fazer parte de algumas das maiores companhias de balé do mundo. Um dia, ele se tornaria amigo do presidente e da primeira-dama, de astros do cinema e das pessoas mais influentes dos Estados Unidos. Seria uma estrela. O último bailarino de Mao Zedong. Li Cunxin saiu do poço. Nunca deixe de sonhar. Nunca abandone seus ideais. Mantenha aquecido seu coração e viva as suas esperanças. O amanhã é sempre um dia a ser conquistado. Pense nisso. Mas pense agora.

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