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PODCAST · 1736 EPISÓDIOS

Pense Nisso

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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REGRAS PARA SER FELIZ
5 Jun 20264:11EP 1672

REGRAS PARA SER FELIZ

Regras para Ser Feliz Conta-se que um homem de negócios, após longos anos de trabalho árduo, conseguiu juntar uma significativa fortuna. Mas, apesar de todo o dinheiro que possuía, sentia-se infeliz. Um grande vazio perturbava sua alma, e as tribulações lhe roubavam a paz. Certo dia, ouviu falar de um velho sábio, conhecedor de regras eficientes para quem desejasse ser feliz. O executivo não teve dúvidas: foi ao encontro dele. Após uma longa e exaustiva viagem, chegou ao lugarejo onde residia o sábio. Frente a frente com ele, o homem de negócios foi direto ao assunto: — Ouvi dizer que o senhor conhece a receita para se conquistar a felicidade. O que mais desejo é ser feliz. Pode me ajudar? O sábio respondeu: — Bem, na verdade, as regras são muito simples. A primeira delas é prestar atenção. A segunda é prestar atenção. E a terceira e última é prestar muita atenção. O executivo pensou que aquilo poderia ser uma brincadeira. No entanto, mudou de ideia à medida que se dispôs a ouvir, de forma pausada e calma, as explicações. — Quem presta atenção em tudo o que acontece nos momentos de sua vida consegue ser feliz. Preste atenção no que as pessoas lhe dizem. Saiba ouvi-las com serenidade, buscando ajudar na medida do possível. Ao fazer uma refeição, aproveite bem o momento. Preste atenção nos alimentos que ingere. Sinta seus sabores. Preste atenção em tudo à sua volta. Olhe atentamente para a lua, as estrelas e o amanhecer. Contemple um jardim, seus perfumes e suas cores. Observe as aves e a variedade de suas plumagens. Ouça atentamente o canto de um pássaro solitário. Preste atenção na chuva. Imagine os lençóis d'água no subsolo espalhando fertilidade e vida. Pare para observar o trabalho das formigas, sua organização e sua perseverança. Enfim, observe atentamente os pequenos detalhes ao seu redor. Em pouco tempo, você perceberá que existe uma infinidade de coisas boas no mundo, e isso o fará feliz. Quando o sábio concluiu sua fala, o empresário foi percebendo o quanto tudo aquilo lhe passava despercebido. Guardou em seu coração todas aquelas regras e, ao retornar para seu lar, estava disposto a lutar pela felicidade tão almejada. Por muitas vezes, agimos como aquele homem infeliz. Mesmo com a felicidade tão perto, desperdiçamos a oportunidade de desfrutá-la. As horas são abençoadas oportunidades de aprendizado e alegria. Embora se repitam incessantemente, os minutos nunca são os mesmos, e as circunstâncias mudam a cada segundo. A cada hora, temos sessenta minutos para encontrar motivos de felicidade. Basta que prestemos muita atenção em cada um deles, sem esquecer que nossa atenção deve voltar-se para as coisas positivas. Ah, e elas são muitas! Pense nisso, mas pense agora.

O DIFERENCIAL
4 Jun 20264:05EP 1671

O DIFERENCIAL

No mundo em que vivemos, repleto de mídias e padrões sociais, ser diferente é quase ser um estranho. Não estamos falando aqui da falta de inclusão de pessoas com deficiências físicas ou síndromes. Estamos falando daquela pessoa que opta por não ser igual apenas para se encaixar. Daquela pessoa que pensa diferente. Daquela pessoa que não quer ser apenas mais uma, mas única. Afinal, o que é um diferencial? Na matemática, é uma diferença pequeníssima, conhecida como infinitesimal. No carro, é um dispositivo mecânico indispensável. No dicionário, é algo singular e único. Como podemos perceber, o diferencial é aquilo que nos torna indivíduos. Muitas empresas, quando estão recrutando novos candidatos, perguntam: "Qual é o seu diferencial?". E a pessoa, timidamente, responde aquilo que acredita que o recrutador quer ouvir: — Ah, eu tenho boa comunicação. — Tenho formação acadêmica. — Sou especializado em determinada área. Mas por que escondemos a verdade? Por que não falamos sobre o nosso verdadeiro diferencial? Será que é por vergonha das nossas estranhas manias, que, na verdade, são apenas expressões da nossa individualidade? Todos nós, seres humanos, temos as nossas próprias carências, frustrações e dificuldades. Tentar preencher expectativas criadas pela sociedade, onde o indivíduo precisa se sujeitar a um mundo ordeiro e alienado, gera conflitos e expectativas irreais, levando-nos, muitas vezes, à depressão. "Eu preciso de mais seguidores." "Preciso postar o Reels do momento." "Preciso do mais novo modelo de celular lançado." "Nas rodas de amigos, preciso beber muito para fazer parte do grupo." Essa obsessão e essa angústia por sermos aceitos pelo coletivo pairam constantemente sobre nós. E, aos poucos, dia após dia, vamos nos perdendo. Vamos perdendo o nosso diferencial. Não se perca tentando viver em um ambiente que não lhe traz felicidade, onde não aceitam seus defeitos, suas peculiaridades e suas manias. Respeite, valorize e apoie a sua singularidade, pois é dela que se constituem a nossa originalidade e a nossa unicidade. São as nossas manias e os nossos defeitos que nos distinguem entre tantas outras pessoas. É o somatório das características intrínsecas que compõem a alma humana. E, da próxima vez que alguém lhe perguntar qual é o seu diferencial, que você possa responder: "Sou diferente porque aprendo quando erro." "Sou diferente porque amo cantar alto, mesmo desafinado." "Ou quem sabe, sou diferente porque falo sozinho as ideias mais mirabolantes, excêntricas e criativas que me vêm à mente." O diferencial é indispensável para que não percamos a nossa individualidade. Seja distinto. Seja extraordinário. Seja, simplesmente, você. Pense nisso, mas pense agora.

SEJA VOCÊ MESMO
3 Jun 20262:30EP 1670

SEJA VOCÊ MESMO

Desde muito cedo, somos ensinados a disfarçar e mascarar os nossos sentimentos e a nossa personalidade. Na maioria das vezes, não temos a oportunidade de desenvolver ou seguir as nossas intuições e manias. Passamos horas tentando convencer a nós mesmos de que está tudo bem e de que isso é para o nosso próprio bem. Para piorar ainda mais, comparamos as nossas realizações e os nossos progressos com os de todos ao nosso redor. Então, aprendemos que é mais importante parecer bem-sucedidos em relação aos outros do que nos sentirmos animados ou realizados com os nossos próprios sucessos e sonhos. É doloroso e estressante sentir que estamos vivendo uma mentira, dizendo o que as outras pessoas querem ouvir e fazendo coisas que realmente não queremos apenas para agradar alguém. Mas por que fazemos isso? Por que não vivemos intensamente? Por que não dizemos não às coisas que não nos agradam? Por que não podemos ser ousados, livres e selvagens? Afinal, Deus nos deu a vida para ser vivida. Temos que aprender a ser fiéis a nós mesmos, aprender a dizer não às situações que nos incomodam e sermos honestos conosco. Pode ser difícil. Afinal, passamos anos disfarçando e mascarando nossos sentimentos e nossa personalidade. Acostumamo-nos a ser infiéis a nós mesmos. Mas precisamos nos libertar para podermos começar a viver. Então, desprenda-se de tudo o que está te prendendo a uma mentira. Retire todas essas camadas de medo e condicionamento e seja fiel a você mesmo. Quando isso acontecer, aprenderemos a viver livres e intensamente. Pense nisso, mas pense agora.

ENVELHEÇA BEM
2 Jun 20263:49EP 1669

ENVELHEÇA BEM

Envelheça Bem Um jovem universitário, no seu primeiro dia de aula, conheceu uma senhora de 87 anos que, assim como ele, estava em seu primeiro dia. Curioso, perguntou a ela o que estava fazendo ali naquela idade. Rindo, ela respondeu: "Estou aqui para encontrar um marido rico, casar-me, ter uns dois filhos e, logo, me aposentar e viajar"."Eu falo sério", disse seu jovem colega. "Quero saber o que a motiva a enfrentar esse desafio na sua idade".Gentilmente, ela respondeu: "Sempre sonhei em ter uma educação universitária e, agora, vou ter".Os anos passaram e, durante o curso, ela se fez muito popular na universidade. Fazia amizades onde quer que fosse e todos gostavam dela. Durante o discurso de encerramento do curso, algumas das palavras que aquela senhora falou marcaram muito aquele jovem. Ela disse: "Não deixamos de brincar porque estamos velhos, ficamos velhos porque deixamos de brincar. Há alguns segredos para manter-se jovem, ser feliz e triunfar. Temos que rir e encontrar o bom humor todos os dias. Temos que ter um ideal, porque, quando perdemos de vista nosso ideal, começamos a morrer. Só envelhece quem deixa de viver a vida. Há uma diferença entre envelhecer e amadurecer. O envelhecer é a mera passagem do tempo, é algo natural e inevitável, é o destino de todos nós. Mas o curso da vida não deve ser encarado como algo fácil, e sim com fé, com alegria de viver e otimismo. O importante não é acumular muitos anos de vida, mas adquirir sabedoria em todos os momentos que os anos nos oferecem. É aceitar que os traços dos sorrisos e das preocupações são a graduação na escola da vida. Aceitar que a vida foi boa e deixou que a usufruíssemos, que aprendêssemos a aceitar o destino sem querer pegar atalhos. Aceitar que o fogo do amor não se apaga com a idade, mas que, com o amadurecimento, podemos viver livres, fleumáticos e sem medos. Muitas vezes, o medo de envelhecer nos impede de refletir sobre as oportunidades e as conquistas da maturidade: as experiências vividas, os amores, os ganhos e as perdas. Tudo o que faz de nós pessoas ímpares.E, como o poeta José Saramago deixou no texto: 'Quantos anos tenho? Isso a quem importa? Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e sinto'. Não importa a idade que você tenha: cinquenta, sessenta ou até mais. Não se lamente pelas suas rugas e nem pelos seus cabelos brancos, pois este é um privilégio divino negado a muitos. Alegre-se com seu amadurecimento e viva intensamente. Pense nisso. Mas pense agora.

 PERDENDO A NOÇÃO DO TEMPO
1 Jun 20263:17EP 1668

PERDENDO A NOÇÃO DO TEMPO

A frase estampada em uma arte divulgada em uma rede social me chamou a atenção: “Compromisso não é chegar sempre no horário. Por vezes, quer dizer perder a noção do tempo.” Tempo é algo tão precioso que, hoje em dia, muitos têm dificuldade em administrá-lo. Já não temos mais tempo para quase nada. Não temos paciência para uma longa conversa ao telefone. Optamos por mensagens em grupo, respostas rápidas, e assim a vida segue. Utilizamos ferramentas para otimizar o nosso tempo, mas deixamos de lado o essencial: o contato, o afeto, a presença. Quando pensamos em programar algo diferente com as pessoas que amamos, precisamos encontrar uma brecha, fazer alguns ajustes, porque, geralmente, as agendas não coincidem. No dia a dia, temos que concluir um trabalho até determinado horário porque, logo na sequência, temos outros compromissos. As reuniões presenciais e as aulas foram substituídas por encontros virtuais. E, aos poucos, começamos a perceber que nossa agenda está cheia novamente. O ano passa em uma velocidade assustadora. E o que temos feito com o nosso tempo? Muitos aproveitaram o período de quarentena para estudar mais; outros, para ajustar a vida espiritual e até mesmo a vida familiar. Por causa da pandemia, para muitos de nós, a noção de tempo mudou. O valor dele também. Aprendemos que os momentos em família são necessários, mas também aprendemos, da maneira mais difícil, que o tempo não para e que não podemos voltar atrás quando perdemos uma pessoa importante para nós. Precisou que tudo parasse lá fora por um período para enxergarmos onde estávamos falhando e como é bom ficar perto de quem amamos. E passamos a entender que o tempo pode ser o nosso maior aliado ou o nosso pior inimigo. Depende da forma como lidamos com ele. De todos os compromissos, os que têm a ver com afeição são os mais preciosos. Precisamos, sim, aprender a administrar cada minuto para tornar o nosso trabalho mais produtivo, mas não podemos nos esquecer das nossas prioridades. Que possamos nos permitir perder a noção do tempo com quem amamos: andando de bicicleta com os filhos, tomando um sorvete com a família, sem pressa alguma. A vida está passando. Será que é tempo o que nos falta para perceber isso? Hoje temos o privilégio de estarmos juntos. Parafraseando Lenine, será que temos esse tempo para perder? A vida é tão rara. Pense nisso. Mas pense agora.

ATITUDE É TUDO
29 Mai 20264:57EP 1667

ATITUDE É TUDO

João era o tipo de homem que qualquer pessoa gostaria de conhecer. Estava sempre de bom humor e tinha sempre qualquer coisa de positivo para dizer. Se alguém lhe perguntasse como estava, a resposta era logo: “Cada dia melhor”. Era um gerente especial. Trabalhava num restaurante. Os empregados seguiam-no em todos os restaurantes só por causa da sua atitude. Era um motivador nato. Se um colaborador tinha um mau dia, João dizia-lhe sempre para ver o lado positivo da situação. Eu fiquei tão curioso com seu estilo de vida que, um dia, lhe perguntei: — João, como pode ser uma pessoa tão positiva o tempo todo? Como é que você consegue isso? E João disse: — Cada manhã, ao acordar, digo para mim mesmo: “João, hoje você tem duas escolhas. Pode ficar de bom humor ou de mau humor”. E eu escolho ficar de bom humor. Cada vez que algo de mal acontece, posso escolher fazer-me de vítima ou aprender alguma coisa com o ocorrido. Escolho aprender algo. Sempre que alguém reclama, posso escolher aceitar a reclamação ou mostrar o lado positivo da vida. Confesso que nunca mais me esqueci do que João me disse. E lembrava-me sempre dele quando fazia uma escolha. Anos mais tarde, soube que João cometera um erro, deixando pela manhã a porta de serviço aberta, e foi surpreendido por assaltantes. Dominado, enquanto tentava abrir o cofre, a mão, tremendo com o nervosismo, desfez a combinação do segredo. Os ladrões entraram em pânico, dispararam e o atingiram. Por sorte, foi encontrado a tempo de ser socorrido e levado para um hospital. Depois de 18 horas de cirurgia e semanas de tratamento intensivo, teve alta, ainda com fragmentos de balas alojadas no corpo. Eu o encontrei mais ou menos por acaso, passado algum tempo, e, quando lhe perguntei como estava, logo me respondeu com seu habitual ar bem-disposto: — Ah, ótimo! Se melhorar, estraga! Contou-me o que tinha acontecido e perguntou se eu queria ver as suas cicatrizes. Eu me recusei a ver os seus ferimentos, mas perguntei-lhe o que lhe tinha passado pela cabeça na ocasião do assalto. — A primeira coisa que pensei foi que devia ter trancado a porta dos fundos — respondeu. — Então, deitado no chão, ensanguentado, lembrei-me de que tinha duas escolhas. Poderia viver ou morrer. Eu escolhi viver. — Mas você não teve medo? — perguntei. — Olha, os paramédicos foram ótimos. Diziam-me que tudo ia dar certo e que eu ia ficar bom. Mas, quando cheguei à sala de emergência e vi a expressão dos médicos e enfermeiras, fiquei apavorado. Nas expressões deles eu lia claramente: “Esse aí já era”. Decidi que tinha de fazer algo. — E o que você fez? — perguntei. — Bem, havia uma enfermeira que fazia muitas perguntas. Perguntou se eu era alérgico a alguma coisa. Eu respondi: “Sim”. Todos pararam para ouvir a minha resposta. Tomei fôlego e gritei: “Sou alérgico a balas!” Entre a risada geral, eu lhes disse: — Eu escolho viver. Operem-me como um ser vivo, não como um morto. João sobreviveu graças à persistência dos médicos, mas também graças à sua atitude. Aprendi que todos os dias temos a opção de viver plenamente e tomar decisões, pois serão essas atitudes que trarão benefícios agora e para a eternidade. Atitude é tudo. É ela que determina como enfrentamos os desafios e adversidades. Podemos escolher ser vítimas das circunstâncias ou aprender com elas e crescer. Podemos deixar que o medo nos domine ou podemos enfrentá-lo com coragem e esperança. Todos os dias, ao acordar, lembre-se da história de João. Lembre-se de que você tem o poder de escolher sua atitude. Escolha viver plenamente. Escolha ver o lado positivo. Escolha fazer a diferença. Afinal de contas, a atitude é tudo. Pense nisso, mas pense agora.

 DANDO O MELHOR
28 Mai 20263:56EP 1666

DANDO O MELHOR

Muitas coisas se falam a respeito de Beethoven. O fato de ter composto extraordinárias sinfonias, mesmo após a total surdez, é sempre recordado. Exatamente por causa de sua surdez, ele era pouco sociável. Enquanto pôde, escondeu o fato de sua audição estar comprometida. Evitava as pessoas porque a conversa se lhe tornara uma prática difícil e humilhante. Era o atestado público da sua deficiência auditiva. Certo dia, um amigo seu foi surpreendido pela morte súbita do filho. Assim que soube, o músico correu para a casa dele, pleno de sofrimento. Beethoven não tinha palavras de conforto para oferecer. Não sabia o que dizer. Percebeu, contudo, que não podia. No canto da sala, havia um piano. Durante 30 minutos, ele extravasou suas emoções da maneira mais eloquente que podia. Tocou o piano. Ao contato dos seus dedos, as teclas acionadas emitiram lamentos e melodiosa harmonia de consolo. Assim que terminou, ele foi embora. Mais tarde, o amigo comentou que nenhuma outra visita havia sido tão significativa quanto aquela. Por vezes, nós também, surpreendidos por notícias muito tristes ou chocantes, não encontramos palavras para expressar conforto ou consolação. Chegamos ao ponto de não comparecer ao enterro de um amigo por sentir não ter jeito para dizer alguma coisa para a viúva ou aos filhos órfãos. Não vamos ao hospital visitar um enfermo do nosso círculo de relações porque, no estado em que se encontra, pensamos: como chegar? O que levar? O que dizer? Aprendamos com o gesto do imortal Beethoven. Na ausência de palavras, permitamos que falem os nossos sentimentos. Ofertemos o abraço silencioso e deixemos que a vertente das lágrimas de quem se veste de tristeza escorra em nosso peito. Ofereçamos os ombros para auxiliar a carregar a dor que extravasa da alma, vergastando o corpo. Sentemo-nos ao lado de quem padece e lhe seguremos a mão, como a afirmar, com todas as letras e nenhum som: eu estou aqui. Conte comigo. Servamos um copo d’água, um suco, àquele que secou a fonte das lágrimas e prossegue com a alma em frangalhos. Isso poderá trazer renovado alento ao corpo exaurido pela convulsão das dores. Verifiquemos se não podemos providenciar um cantinho para um recado, ainda que breve. Permaneçamos com o amigo, mesmo depois que todos se tenham retirado para seus lares ou se dirigido aos seus afazeres. As horas da solidão são mais longas quando os ponteiros avançam à madrugada. Ser amigo conveniente, sabendo conduzir-te com descrição e nobreza junto àqueles que te elegem à amizade. A descrição é tesouro pouco preservado nas amizades terrenas. Todas as pessoas gostam de companhias nobres e discretas, que inspiram confiança, favorecendo a tranquilidade. Ouve, vê, acompanha e conversa com nobreza, sendo fiel à confiança que em ti depositem. Pense nisso, mas pense agora.

 E NÃO ACONTECEU
27 Mai 20264:27EP 1665

E NÃO ACONTECEU

Os dias agitados, as conturbações sociais, as dificuldades desses tempos fazem com que sejamos tocados, com frequência, por problemáticas inúmeras. Ora, somos vitimizados pela violência social que nos chega na forma de furtos, roubos ou agressões. Doutras vezes, cruzamos com pessoas desequilibradas que nos envolvem com seus desatinos e insensatez. Outros despejam sobre nós seus discursos e ações doentias, nos prejudicando ou nos conduzindo a distonias comportamentais que se refletem, como consequência, em nosso organismo. E, de tal forma, essas ações impactam nosso cotidiano que, muitas vezes, passamos a relatar tal ou qual fato que nos ocorreu, multiplicando, de vezes, o ato infeliz do qual fomos vítimas. Passamos, em nossos relatos, nas nossas conversas, a reproduzir o mal recebido, revivendo as tormentas e dificuldades da situação ocorrida. E assim vamos valorizando o mal de maneira exagerada, desnecessária e sempre prejudicial. Vamos contaminando outras pessoas e ambientes com nossos relatos, sem atentarmos onde estamos e com quem estamos, infundindo medos, receios, sentimentos de pavor, totalmente desnecessários. Por outro lado, quase nunca nos damos conta de quantas coisas não nos acontecem. Se somos alvo da maldade de uns, imprevidência de outros, desequilíbrio de alguns, sem dúvida temos muito mais a relatar de fatos que poderiam ter ocorrido conosco e não chegaram a acontecer. Enquanto preocupados em reclamar e enfatizar o mal que respinga em nós, deixamos de valorizar os recursos que a providência divina oferece para nos amparar e proteger. Não percebemos que os descuidos que nos permitimos oferecem oportunidade para grandes dificuldades, e a bondade de muitos que nos rodeiam encontra os meios para minimizar, até mesmo neutralizar, consequências nefastas que poderiam decorrer da nossa imprevidência. Quantas vezes, pessoa que achávamos pouco simpática já nos direcionou os passos a outros trajetos em nossos percursos diários, evitando que viéssemos a sofrer acidentes, percalços, dificuldades de qualquer sorte. Poucas vezes nos damos conta dessa ação bem-fazeja da divindade, protegendo-nos através de inúmeros mecanismos, simplesmente para que o mal não nos alcance. Portanto, ante pequenos contratempos que furem, ou algo inconveniente que nos atinja, busquemos, antes de tudo, refletir. Antes de reclamar, de gastar nosso tempo a reviver emoções desagradáveis, reflitamos se não devemos agradecer. Reflitamos a respeito do mal que nos sucedeu e o tanto mais que poderia ter ocorrido, e constataremos quanto estamos sendo amparados. Essa breve reflexão nos permitirá perceber como somos cuidados pelo amor de Deus. Por isso, mantenhamos nos lábios e no coração o agradecimento às oportunidades que a vida diariamente nos oferece através de pessoas que nos amparam, nos protegem, nos sustentam à vida. Aprendamos a agradecer pela dificuldade, pelo mal ou pelo problema que simplesmente não nos aconteceu, graças à interferência de alguém, que algumas vezes nem sabemos quem é. E lembremos sempre: as pessoas fazem aquilo que nós permitimos. Por isso, não passemos o redigo e sejamos os portadores do equilíbrio, do bom senso e da benevolência. Pense nisso, mas pense agora.

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