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PODCAST · 1736 EPISÓDIOS

Pense Nisso

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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JULGAMENTOS
2 Dez 20253:06EP 1520

JULGAMENTOS

Julgamentos. Certa vez, um mestre budista e seu discípulo estavam em peregrinação até a Montanha da Fé. Porém, para chegar à montanha, era preciso atravessar a pé um rio chamado Rio da Discórdia. Quando chegaram às margens do rio, encontraram uma moça muito bonita e bem vestida, que também queria chegar ao outro lado. Ela pediu ajuda ao discípulo, mas, como monge, ele não poderia tocar nenhuma mulher. Por isso ele continuou seu caminho e ignorou a moça. Quando começou a atravessar o rio, o monge olhou para trás e viu seu mestre carregando a moça em seus ombros. Eles atravessaram o rio, o mestre a colocou no chão, ela agradeceu e eles seguiram o caminho. O mestre percebeu a cara carrancuda do discípulo, mas não disse nada. Depois de algumas horas de caminhada em silêncio, o discípulo por fim falou: “Você sabe que nós, monges, não podemos tocar em nenhuma mulher. Por que carregou aquela moça no rio?” “Naquele momento, julguei ser mais importante ajudar outro ser humano em dificuldade do que seguir essa regra. Porém, eu já deixei a moça algumas horas. Por que você continua carregando essa moça em seu pensamento?” Você já parou para pensar sobre suas próprias preocupações e julgamentos e o peso delas? O mestre budista demonstrou profunda sabedoria ao priorizar ajuda a alguém necessitado, mesmo que fosse mulher, em detrimento das regras estabelecidas pelo mosteiro, dando espaço a atos de compaixão e empatia. O discípulo, por outro lado, sucumbiu às regras sem considerar o contexto ou as necessidades do momento. Sua confusão sobre a atitude de seu mestre mostra como é difícil para ele abandonar seus preconceitos e regras. Quando o mestre é questionado, ele traz um ensinamento esclarecedor. Ele ressalta que o peso real que carregamos muitas vezes não são os eventos externos, mas sim as nossas próprias preocupações, culpas e julgamentos. Talvez você deixe de ajudar os outros ou até mesmo de viver experiências únicas devido ao julgamento. Às vezes, soltar um pouco as rédeas, as regras e as cortas permite que você experimente coisas novas e sem qualquer culpa. Pense nisso. Mas pense agora.

OS INVISIVEIS
1 Dez 20253:56EP 1519

OS INVISIVEIS

Os invisíveis. Você acredita no invisível? Há aqueles que afirmam depositar sua confiança somente naquilo que enxergam os olhos, o que as mãos podem tocar e o que ouvem os ouvidos. Todavia, são irrefutáveis as provas científicas de que há uma gama de seres em nosso entorno, invisíveis aos nossos olhos e sentidos primários, mas que, em relação constante conosco, exercem pleno exercício de influenciação sobre o nosso cotidiano. Tal é o caso, por exemplo, do universo microscópico. Seres uni e multicelulares que, sem que os possamos enxergar, são responsáveis por uma série de reações bioquímicas em nosso organismo. A verdade é que o invisível existe. Todavia, se aperfeiçoarmos nosso olhar, ele pode tornar-se visível. Para tal: a boa vontade, o amor, a caridade, o bem. Somos todos invisíveis. Nossa presença não faz diferença para ninguém, apenas para aqueles que passam por nós e sentem medo ou raiva. Acham que todos somos ociosos, mas estão enganados. Eu sou um homem de bem, de família. Estou aqui de passagem. Foram estas as palavras concedidas a um jornalista de um famoso periódico de circulação nacional por um homem que vive nas ruas há dois anos, em mendicância. Por vergonha, ele preferiu não se identificar. Outros moradores de rua tiveram coragem de contar ao jornal os motivos que os levaram a viver sob as marquises, sem amparo de um amigo, da família e até mesmo dos outros, do poder público. São os invisíveis sociais. São moradores de rua, catadores de papel. São garis, faxineiras, porteiros, jardineiros, pedreiros, ascensoristas e tantos outros. Irmãos nossos, espíritos em evolução, seres humanos com histórias de vida, sentimentos, fragilidades, aspirações, ideais, sonhos e que, na grande maioria das vezes, são simplesmente ignorados, como se não existissem. Durante seu doutorado, como parte do estágio de uma das disciplinas que cursava, o psicólogo Fernando Braga da Costa resolveu acompanhar a rotina dos garis da Universidade de São Paulo. Em sua experiência, ele relata que, ao vestir o uniforme desse profissional, não conseguiu ser reconhecido nem mesmo por seus professores e colegas de curso. “Isso não significa que fui menosprezado ou rejeitado”, afirmou o psicólogo. “Era pior. Simplesmente eu não estava lá. As pessoas não me viam. Não olhavam para mim. Era como não ser.” Você acredita no invisível? Acredita que existem milhões de pessoas em todo o mundo que são invisíveis? Um bom dia. Um sorriso. Um aperto de mão. Um ‘olá, tudo bem?’, são formas de materializá-las e torná-las tangíveis, dignificando-as e exaltando a criatura humana em detrimento de nossos preconceitos e egoísmo. Pense nisso, mas pense agora.

FORMULA ESPECIAL
29 Nov 20254:55EP 1518

FORMULA ESPECIAL

Fórmula Especial Maurice Drouon, que foi ministro da Cultura da França e pertenceu à Academia Francesa, em sua obra O Menino do Dedo Verde, apresenta o jardineiro Bigode como uma personalidade muito especial. Ele descobre que o filho do patrão, Tisto, possui o polegar verde. “É uma qualidade maravilhosa, um verdadeiro dom do céu”, explica ele para a criança. “Você sabe, há semente por toda parte, não só no chão, mas nos telhados das casas, no parapeito das janelas, nas calçadas das ruas, nas cercas e nos muros. Milhares e milhares de sementes estão ali esperando que um vento as carregue para um jardim ou para um campo. Muitas vezes elas morrem entre duas pedras, sem ter podido transformar-se em flores. Mas, se um polegar verde encosta numa delas, esteja onde estiver, ela brota no mesmo instante.” Então, um dia, Tistou, com seus oito anos, foi conhecer a cadeia da cidade. Viu uma enorme parede cinzenta, sem uma única janela. Depois, outras paredes com janelas cheias de grades pretas. Alguém lhe explicou que os pedreiros haviam colocado horríveis pontas de ferro por toda a parte para que os prisioneiros não fugissem. Explicaram também que os prisioneiros eram homens maus e que os colocavam naquele lugar para curar a sua maldade. Quer dizer, tentavam ensinar-lhes a viver sem matar e roubar. Tistou viu, atrás das grades, prisioneiros caminhando em roda, de cabeça baixa e sem dizer uma palavra. Pareciam infelizes, com a cabeça raspada, as roupas vristradas e os sapatos grosseiros. “O que estão fazendo?”, perguntou. Responderam que eles estavam em recreio. Imagine, pensou o menino: se o recreio deles é assim, o que não serão as horas de aula? Esta prisão é muito triste. Por isso é que eles querem fugir. Naquela noite, às escondidas, Tistou foi até a cadeia e colocou seu polegar verde por toda a parede da prisão. Colocou no chão, no ponto em que a parede se encontrava com a calçada, nos buracos entre as pedras, ao pé de cada haste das grades. No dia seguinte, quando os habitantes da cidade se levantaram, descobriram que a cadeia da cidade se transformara em um castelo de flores. O muro estava coberto de rosas. As trepadeiras subiam pelas grades e caíam de novo. As pontas de ferro foram substituídas por cactos. Os prisioneiros, como já no caso, foram surpreendidos. Não viam grades em suas celas, nem pontas de ferro nos muros, e se esqueceram de fugir. Os resmungões pararam de reclamar, entusiasmados com a beleza do lugar. Os maus perderam o costume de brigar e todos tomaram gosto pela jardinagem. Logo, logo, a cadeia da cidade era apontada como modelo no mundo todo. Nenhuma fuga, trabalho e disciplina, ordem e educação era o que nela se via. Os habitantes da cidade descobriram, enfim, que as flores não deixam o mal ir adiante. Os malfeitores, aqueles que nos roubam a paz, são credores do perdão e da misericórdia de Deus, tanto quanto nós mesmos. São também nossos irmãos, como o melhor dos homens. Suas almas, transviadas e revoltadas, foram criadas como nós para se aperfeiçoar. A caridade prescreve que os devemos auxiliar a sair do lameiro. E, se não podemos transformar as grades em trepadeiras e as pontas de ferro em roseirais, podemos lhes dirigir as nossas orações, a fim de que o arrependimento lhes chegue e eles desejem se melhorar. Filhos de Deus como nós, são credores da nossa compaixão e merecem tratamento humanitário e condições para que possam se reabilitar. Afinal, poderiam ser nosso pai, nossos irmãos, nossos amigos, se esses tivessem, em algum momento, transgredido as leis. Pense nisso. Mas, pense agora.

SOMOS RESPONSAVEIS PELO MUNDO
28 Nov 20254:45EP 1517

SOMOS RESPONSAVEIS PELO MUNDO

Somos responsáveis pelo mundo. Em tudo que fazemos, afetamos as pessoas de três modos: alteramos o seu tempo, a sua memória e as suas reações. Os mínimos comportamentos podem interferir na história da humanidade. Quando alguém, em uma região isolada da Amazônia, abate um pássaro, ele afeta a história. O pássaro não porá ovos, que não serão chocados e não gerarão descendentes. Isso afetará o consumo das sementes, dos predadores e toda a cadeia alimentar. Afetará o ecossistema, a biosfera terrestre. A ausência do pássaro abatido afetará o processo de observação dos biólogos, interferindo em suas pesquisas, seus livros, sua universidade e sua sociedade. Quando um aluno tem problemas na leitura, perante uma classe, e é obrigado a repetir muitas vezes o mesmo trecho sob deboche dos colegas, registra a experiência. Isso pode se transformar em um bloqueio da sua inteligência. Pode gerar gagueira, insegurança, afetando de forma drástica seu futuro como pai e como profissional. Eventualmente, poderá nunca mais conseguir falar em público. Uma pessoa que se suicida altera o tempo dos amigos e dos parentes. Ele despedaçará a emoção e a memória deles. Terão lembranças tristes, pensamentos perturbadores, que afetarão as suas histórias. Consequentemente, cada um deles interferirá na história de outras pessoas e alterará o futuro da sociedade. Quando Hitler se mudou para a Viena, em 1908, tinha o objetivo de se tornar um pintor. Rejeitado pelo professor da Academia de Belas Artes, ele teve afetada a sua afetividade, a sua emotividade. Tudo isso influenciou sua compreensão do mundo, suas reações, sua luta no partido nazista, sua prisão e seu livro. O processo interferiu na Segunda Guerra Mundial, afetando a Europa, o Japão, a Rússia, os Estados Unidos. Os rumos da humanidade foram alterados. É possível que, se Hitler tivesse sido aceito na Escola de Belas Artes, tivéssemos um artista plástico medíocre, mas não um dos maiores sociopatas da história. Não que a sociopatia de Hitler seria resolvida pelo seu ingresso nazar, mas poderia ter sido abrandada ou até mesmo deixado de se manifestar. E, como consequência, se teria poupado quase 70 milhões de vidas que foram perdidas nos seis anos da Segunda Guerra Mundial. Não somos uma ilha. Somos uma grande família, uma única espécie. Dessa forma, cada um de nós é responsável, em maior ou menor proporção, pela violência do mundo, pelo terrorismo, pela fome. O que fazemos influencia as pessoas, que influenciam outras, que alimentam os sistemas e desencadeiam reações. Somos mutuamente afetados pelas reações uns dos outros. Assistir a um filme, conversar com um amigo, elogiar alguém, promover um ato cívico, auxiliar a outra em acolher uma criança pode mudar pouco ou muito o curso de nossas vidas. O que fazemos afeta a nossa vida e a de outras pessoas. Pensemos assim em tudo que dizemos e façamos. Em meio a um incêndio, podemos usar nosso verbo para acalmar as pessoas ou para aumentar o desespero. Da nossa forma de agir poderão resultar muitas mortes ou muitas vidas salvas. Pensemos nisso antes de agir no próximo minuto. Somos responsáveis pelo mundo.

 RELACIONAMENTO DE UM SÓ
27 Nov 20254:40EP 1516

RELACIONAMENTO DE UM SÓ

RELACIONAMENTO DE UM SÓ. Por mais que amemos, por mais que nos dediquemos e alimentemos esperanças em relação aos nossos relacionamentos, por mais que queiramos, nem sempre o outro está disposto a oferecer retorno. Ou tentamos, então, manter uma relação unilateral que pede somente sobre nossas cabeças, ou tomamos fôlego e percebemos que chega de sermos tontos. Não é fácil termos a noção exata de quando estamos embarcando em um barco furado, quando já fizemos tudo que estava ao nosso alcance, sem resultados consistentes. Da mesma forma, podemos nos enganar quanto às reais intenções do parceiro, caso sejamos o tipo de pessoa que espera demais, além da conta, sem prestar atenção no que o outro quer. Tem para dar. Muitas vezes, idealizamos um romance açucarado. Esperamos que o outro corresponda àquilo que queremos, da forma como desejamos. No entanto, cada um tem a sua maneira própria de se expressar e de se importar, ou seja, muitas vezes o parceiro não corresponderá de forma fidedigna às expectativas que criamos, e nem sempre isso quer dizer que ele não nos ama. No entanto, quando prestamos atenção devida e refletimos com sobriedade acerca da forma como nosso relacionamento vem sendo construído, teremos, sim, a resposta aos nossos questionamentos, por mais dolorosa que seja. No fundo, sabemos se estamos recebendo amor verdadeiro, se estamos vivendo a troca, a partilha, a soma que se devem constituir as trocas amorosas. Infelizmente, muitas pessoas mal percebem que o parceiro está se despedindo, a pouco e pouco; que os olhares deixaram de se cruzar; que as mãos pararam de se procurar; que o coração arrefeceu o ritmo e a intensidade de suas batidas; que o adeus há muito já se instalou. Então, quando se dão conta, o outro já nem estava mais ali ao lado e tomou a decisão de partir, em busca de ares menos densos, onde pudesse respirar tranquilo, onde não fosse invisível. É preciso se conscientizar de que a única coisa que o vazio nos devolve é o eco da nossa própria e inútil insistência. É assim que muitas pessoas se perdem umas das outras, após o sofrimento calado e solitário da única parte que se entregou por inteiro, em vão, por dias, meses, anos. E quando tomamos a importância de evitarmos daquele vazio que suga e achata a nossa essência, nada mais importará, nada mais nos fará tentar de novo, porque o cansaço então terá varrido qualquer afetividade de dentro de nós. Já não estaremos mais por ali, nem junto, nem perto de fato, apenas distantes o bastante para sobrevivermos longe do terreno arenoso da entrega inútil. Felizmente, seguiremos prontos para recomeçar, pois estaremos levando conosco a nossa capacidade de amar com verdade, com entrega de corpo e alma. Mas, para que esse amor não seja um relacionamento de um só, devemos nos ater nos detalhes, nas pequenas observações, nas respostas às perguntas mais simples, que conseguimos alimentar a relação com demonstrações de generosidade e de amor. Como um lubrificante a facilitar o movimento das engrenagens, esses sentimentos de amor. Os movimentos permitem que a vida a dois ganhe profundidade e solidez. Frente à resposta ríspida, utilizemos-nos da bondade da palavra suave e compreendê-la. Substituamos o julgamento severo e rígido, muitas vezes já desgastado pelo tempo, pela generosidade de quem percebe e reconhece valores em quem nos acompanha. Pensemos nesses detalhes, mas pensemos agora.

O INCERTO TAMBEM TEM O SEU ENCANTO
26 Nov 20253:34EP 1515

O INCERTO TAMBEM TEM O SEU ENCANTO

O incerto também tem seu encanto. Caro ouvinte, o que eu vou falar não deve ser confundido com descompromisso com a vida, para com as nossas responsabilidades do dia a dia, mas, se você, ao final desta mensagem, me achar um irresponsável, bem, eu não vou me preocupar com isso. Convenhamos, são tantas as regras, tantas convenções que devemos seguir, tantos conhecimentos que devemos ter, que chega um momento que é preciso se desligar. Então, hoje, eu pensei o seguinte: se está ventando muito, eu não vou me agarrar ao primeiro cobertor que for ver na frente. Aproveitarei o impulso e jogar alguns sentimentos antigos para serem levados pela direção do vento, junto com o teto, se for preciso. E um grande acelo, pois já não me serve mais. Aquele teto já estava aí há tanto tempo mesmo. Vou ter a experiência de morar debaixo das estrelas, acampando em meio ao nada e tendo apenas o balançar das folhas como paredes. Eu sou Tarja Preta, sim, confesso que sou. Mas vou aprender a me acalmar e a respirar ao invés de suspirar. Confesso também que sou um caos sentimental, mas estou aprendendo a chover menos em copos d’água. Eu, que vivi sempre estufado, sem espaço pra nada de tanto estar cheio de tudo, aprendi a abrir a válvula de escape e esvaziar um pouco. Que mal tem? Mal tem passar a vida com o coração acelerado pelos motivos errados. Isso é um desperdício de hormônios. Acelera quando sai algo errado. Acelera quando não te falo o que queria ouvir. Acelera quando alguém vai embora. Acelera quando não entendem o que você sente. Ah, para que se esforçar tanto, afinal? Se virou rotina se esforçar ao máximo para acalmar os batimentos, está mais que na hora de tomar uma dose do calmante mais forte já inventado. O santo soberano de qualquer medicamento à venda em farmácia, que não vem com bula, mas é tão fácil de usar que nem é preciso instruções. Mas o nome desse remédio é tempo. Dê um tempo. Tome um tempo. Não culpe o tempo. Sinta o tempo e recupere o seu tempo. O que não pode acontecer é ter tanto medo da vida e se esconder atrás de tantas chaves, pois tudo passa. Eu já me enchi com tantos cadeados, mas poucos segundos depois já não lembrava mais o que estava aguardando. Já corri tanto da solidão que, quando percebi, estava de mãos dadas com ela. Então, parei de correr. Joguei as fechaduras, abri as janelas e sorri com o vento. Se funciona? Dia sim, dia não. Mas passa. O dia bom passa e o ruim também. A chuva é fase. Por que eu não seria? O incerto também tem seu encanto. É verdade. Juro que é. Pare e pense nisso.

A VERDADE
24 Nov 20253:44EP 1513

A VERDADE

A verdade. Você já pensou algum dia no poder da verdade? Ou você pensa que a verdade chega sempre tarde, quando a injustiça já se consumou? Quando foi coroado o rei da Pérsia, Dario mandou dar uma grande festa para todos os seus súditos, espalhados em 127 províncias. Terminada a festa, adormeceu, mas foi despertado pelas vozes alteradas de três rapazes que discutiam acerca do que seria a coisa mais forte do mundo. Em vez de admoestá-los, ficou a escutá-los. Decidiram que cada um escreveria uma frase dizendo que era a coisa mais forte e colocaria os papéis debaixo do travesseiro do rei. Pela manhã, o rei e os príncipes da Pérsia julgariam qual a opção mais sábia. No dia seguinte, na sala dos julgamentos, leu-se a primeira frase: “O vinho é o mais forte.” Aquele que escreveu a frase considerou que o vinho tem muita força, tanta que pode transformar em tolos os homens mais grandiosos. O rei poderoso e a criança ignorante se igualam sob sua força. Coloca nuvens na memória e torna discussões sem valor, porque tudo cai mesmo no esquecimento. A segunda frase dizia: “O rei é o mais forte.” A justificativa do autor foi de que o rei tudo manda e é obedecido. Envia soldados à guerra, condena pessoas à morte ou lhes concede o perdão. Todos os súditos o obedecem, e ele faz o que lhe agrada. É apenas um homem, mas por ele os soldados cruzam montanhas, derrubam muralhas, atacam torres, e depois de conquistar o país, trazem os frutos para ele. A terceira frase afirmava: “Acima de tudo, a verdade prevalecerá.” O jovem que a escreveu falou: a verdade é mais forte que todas as coisas. O rei pode ser perverso, o vinho é perverso, os homens podem ser maus, todos eles perecerão, mas a verdade é eterna. É sempre forte, nunca morre, tampouco é derrotada, faz o que é justo, não pode ser corrompida, não necessita do respeito das pessoas para existir, é grandiosa e soberana sobre todas as coisas. E Dario julgou que o terceiro jovem era o mais sábio, dizendo-lhe que pedisse o que quisesse. O jovem era um judeu e lembrou ao rei que ele deveria concluir: que deveria reconstruir o templo conforme compromisso assumido no dia em que subiu ao trono. E o rei da Pérsia cumpriu a promessa. Essa história se baseia em eventos descritos no primeiro livro de Esdras, na Bíblia. O jovem sábio judeu se chamava Zorobabel. Ele foi um líder do povo judeu na época de seu retorno do exílio na Babilônia, cerca de 520 antes de Cristo. Pense nisso, mas pense agora.

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