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PODCAST · 1736 EPISÓDIOS

Pense Nisso

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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IMPASSE
4 Mar 20266:58EP 1598

IMPASSE

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CONTEMPLAÇÃO DO EXCELENTEE
3 Mar 20264:11EP 1597

CONTEMPLAÇÃO DO EXCELENTEE

Contemplação do Excelente Atravessamos, na Terra, fase de dificuldade sem conta nas áreas de cultura geral. Desconhece-se a estrutura da própria linguagem que se fala. Usam-se gírias ou expressões chulas que denunciam a pobreza dos falantes relativamente à formação cultural. Ignoram-se os fatos históricos que envolvem a sociedade em que se vive. Espalham-se infames zombarias. Inventam-se lendas sem beleza e sem sentido, refletindo a pouca madureza social. Não se cogita de penetrar as razões desse ou daquele monumento, sentindo-se tantos impulsionados pelo instinto destruidor e vândalo que, incapazes de compreender por descaso, preferem pichar, destroçar ou poluir, de modo drástico, o que encontram pela frente. Pelas salas de arte, por museus, por teatros e pela literatura excelente de todos os tempos, tudo tem ficado na retaguarda das preferências. Os desportos nobres e educativos ainda contam com poucos adeptos. Temos, ao revés, um quadro enorme dos que procuram os exercícios desportivos excitantes e violentos, que pouco ou nada acrescentam no âmbito das conquistas do espírito. Encontram-se, com maior frequência, muitos que se ajustam a espetáculos pornográficos, do palco ou da tela, em franco deboche à sensibilizante arte. Diante de tudo isso, precisamos, com urgência, de educação e de boas referências. O bom gosto se forma pela contemplação do excelente e não do sofrível, diz Gate, compreendendo com perfeição a construção do aprendizado na alma humana. Cabe aos pais e aos educadores mostrarem o excelente, preencher os educandos de boas referências desde cedo, se desejarem desenvolver neles uma cultura rica e útil. As crianças, os jovens, precisam estar mergulhados num caldo cultural que favoreça o desenvolvimento de uma massa crítica, que proporcione a contemplação do belo, que os ensine a pensar e a sentir. As grandes mídias estão repletas de um verdadeiro lixo cultural, se podemos chamar assim, porque nós, a grande maioria, consumimos isso. Aliás, a palavra consumo é uma das preferidas dos tempos atuais, inclusive invadindo áreas em que não há como se conjugar o verbo consumir, na essência, pois o que não é material, o que não é tangível, não se consome. Na verdadeira arte, nada se consome; a arte se contempla, se admira; ela alimenta a todos quando é instrumento do belo e do bem e nunca se acaba, pois o que se consome se finda. Podemos consumir um CD, um arquivo de MP3, mas nunca uma bela música. É tempo de retirar as cascas e máscaras que criamos através de nossos vícios morais e nos permitir enxergar tudo como realmente é. O que verdadeiramente importa para mim? Não sou um consumidor, sou um ser e estou aqui para crescer moral e intelectualmente. Quero aprender com quem já esteve aqui, com a história do meu povo, com os grandes, com os missionários, com aqueles que deram a vida para que hoje tivesse o conforto de que desfruto. Estou aqui para me tornar mais sábio, não o sábio de biblioteca apenas, mas o que tem condições de aplicar em sua vida tudo aquilo que aprende, faz de seu conhecimento uma mola propulsora e possa amar mais e melhor. Cultura e amor. Amor. Eis o que precisamos, com urgência. Pense nisso, mas pense agora.

 A SOBERBA
2 Mar 20264:29EP 1596

A SOBERBA

A soberba. Carl Sagan escreveu que a astronomia é uma experiência que forma o caráter e ensina a humildade. Certamente, não há melhor demonstração da tolice das vaidades humanas do que observar um mapa astronômico em que o nosso planeta aparece como um minúsculo ponto. E basta estudar um pouco a história da humanidade para se ter ainda mais a dimensão da tolice das nossas ambições. Lemos a respeito dos grandes conquistadores e nos perguntamos de que lhes valeu tantos crimes em nome de conquistas de territórios e submissão de povos. Lembramos de Gengis Khan, que comandou a Mangólia, sucedendo ao pai. Bastou uma vitória militar e o povo declarou: Gengis Khan, que quer dizer imperador universal. Para fazer jus à homenagem, ele saiu em uma campanha militar que durou 25 anos. Conquistou os tártaros e a China. Depois, as hordas mongóis varreram a Rússia, detonaram o Império Persa, engoliram a Polônia, a Hungria e ameaçaram a Europa como um todo. Temujin morreu aos 65 anos. Foi sucedido por seu filho Ogedei Khan e, por algum tempo, as conquistas continuaram. Mas, depois, o Império começou a se esfacelar, e as hordas mongóis tomaram o rumo de casa. Recordamos de Alexandre, o Grande, o mais célebre conquistador do mundo antigo. Tornou-se rei aos 20 anos, após o assassinato de seu pai. Sua carreira é muito conhecida. Conquistou o Império que ia dos Balcãs à Índia, incluindo o Egito e o atual Afeganistão. Foi o maior e mais rico império que já existiu. Morreu antes de completar 33 anos. Não se sabe se por envenenamento, malária, febre tifoide ou alcoolismo. Não se discutem os benefícios das campanhas, pois Gengis Khan uniu as tribos mongóis e tornou conhecidos do Ocidente os povos do Oriente, enquanto Alexandre, admirador das ciências e das artes, transformou Alexandria em centro cultural, científico e econômico por 300 anos. No entanto, de que lhes valeu tanto sangue derramado, tantas terras conquistadas? A morte lhes encerrou as carreiras, e seus impérios bem cedo se esfacelaram. Isso nos remete a reflexionarmos a respeito de nós mesmos. O que estamos fazendo para alcançar nossa vida? Realização pessoal? Estamos agindo de forma ética, correta? Ou buscamos destruir quem esteja à frente, exatamente como faziam os grandes conquistadores? Certo, não nos servimos do assassinato físico, mas quantos sonhos alheios teremos destruído em nosso propósito de ascensão? Os verdadeiros valores são morais. Esses não são destruídos pelo tempo, nem são amaldiçoados pela memória dos que foram derrotados no decorrer da nossa jornada de conquistas. Pensemos nisso. Os verdadeiros objetivos da vida são transcendentais. Afinal, a vida nesse planeta é transitória. Rapidamente se esvai. O importante é o que levaremos em nossa bagagem individual, dentro da alma. Pensemos nisso e, aproveitando os dias que se nos oferecem à frente, façamos um planejamento estribado no amor. Assim, por curta ou longa que seja a nossa existência, sempre seremos lembrados como quem semeou a boa semente em algum canteiro do mundo. Sermos benevolentes e justos. Eis a neta acerbativa. Pense nisso, mas pense agora.

NAO É UMA TRAGEDIA
28 Fev 20263:14EP 1595

NAO É UMA TRAGEDIA

Não é uma tragédia. Essas coisas acontecem. Um jovem adoece no verão. Um senhor é atropelado por um táxi. A biópsia aponta que o tumor é maligno. Essas coisas acontecem todos os dias. E todos os dias saímos de casa achando que jamais acontecerá conosco. Uma doença leva embora um pai. O médico comunica um exame preocupante. Um neuropediatra fecha o diagnóstico, informando que seu filho é autista. Uma moto atravessa um sinal fechado. Todos os dias isso acontece. E todos os dias nossos planos são os mesmos: trabalho, almoço, trabalho, jantar. Não acho que seja uma tragédia quando essas coisas acontecem com a gente. Dizemos que tragédia é morrer tão cedo. Não acho que seja uma tragédia. Acho que a vida é um amontoado de causas e coincidências. Acho que hoje estamos aqui e amanhã não estamos mais. Não acho isso uma tragédia. Sabe o que é uma tragédia? Uma tragédia é não agradecer por esse tempinho que estamos aqui. Uma tragédia é não valorizar a vida em família. Uma tragédia é trocar o sorriso do nosso filho por um celular. Um passeio em família pelas preocupações do trabalho. E, cá entre nós, ouvinte, nós fazemos isso inúmeras vezes, não é mesmo? Uma tragédia é não abraçar as pessoas hoje. Uma tragédia é passar a vida em branco. Uma tragédia é achar que um dia vamos ser felizes, hoje não. Uma tragédia é achar que não vai acontecer com a gente. E a vida vai ficando para depois. Um dia eu mudo de emprego. Um dia eu digo que amo aquela pessoa. Um dia eu faço essa viagem. Um dia eu vou ser voluntário nesse projeto. Acho uma tragédia quando aprendemos a valorizar o que temos só depois de perder. Acho uma tragédia viver só de aparências. Acho uma tragédia ter comprado coisas, achando que isso seria a felicidade. Acho uma tragédia trabalhar em algo que você odeia. A morte não é uma tragédia. Tragédia é quando a gente não viveu. Vou te perguntar. Responda só para você: qual foi a sua tragédia de hoje? Pense nisso. Mas pense agora.

 DEIXE O OUTRO FALAR
26 Fev 20265:10EP 1593

DEIXE O OUTRO FALAR

Deixe o outro falar. Vivemos um momento em que nossas demandas diárias consomem demais o nosso tempo. Nossos compromissos profissionais, sociais, o horário na academia, a consulta médica, o trânsito… Tudo, de alguma forma, exige um pouco de nós. E equilibrar tudo isso numa agenda não é uma tarefa fácil. Por muitas vezes, falamos com tanta gente. Resolvemos os problemas. Delegamos. Mas erramos quando deixamos de ouvir. Quando permitimos entrar no automático. Bárbara sentiu isso na pele. Ela relacionava-se muito mal com sua filha, Samantha. O relacionamento se deteriorava pouco a pouco. Samantha, que foi uma criança serena e complacente, tornou-se uma filha pouco cooperativa, às vezes provocadora. A mãe passava-lhe sermões, ameaçava, punia, sem sucesso. Certo dia, contou Bárbara, simplesmente desistiu. Samantha tinha desobedecido à mãe. Foi para a casa de uma amiga antes de terminar seus afazeres domésticos. Quando voltou, Bárbara estava prestes a estourar com a filha pela milésima vez, mas não teve forças para isso. Limitou-se a dizer: por que, Samantha? Por quê? Samantha percebeu o estado em que a mãe se encontrava e, com uma voz calma, perguntou: você quer mesmo saber, mãe? Bárbara disse que sim e Samantha contou, primeiro hesitante, depois com uma fluência impressionante. A mãe fez uma reflexão e concluiu que nunca deu a devida atenção a Samantha. Nunca a ouvira. Sempre lhe dizia para fazer isso ou aquilo. Quando sentia a necessidade de conversar com a mãe sobre as coisas dela — sentimentos, ideias — era interrompida com mais ordens. Então, Bárbara começou a compreender que a filha precisava mais da mãe. Não como uma mãe mandona, mas como uma confidente, uma saída para as suas confusões de adolescente. E tudo o que fazia era falar, falar, quando deveria ouvir. Nunca a ouvira. A partir daquele momento, a mãe passou a ser uma perfeita ouvinte. Hoje, a filha conta o que lhe passa pela cabeça, e o relacionamento entre as duas melhorou de maneira imensurável. Quantos pais neste mundo têm problemas similares com seus filhos? Problemas que seriam amenizados se soubéssemos apenas ouvir um pouco mais. Como pais, como educadores, por vezes temos a falsa impressão de que precisamos falar, ensinar, proferir lições, etc., e eles, os filhos, precisam apenas ouvir. Quantos pais reclamam que seus filhos não os ouvem? E tudo parece que entra por um ouvido e sai pelo outro. Mas será que esses pais sabem ouvir seus filhos? Será que esses pais não sabem que o aprendizado não se dá apenas por sermões, por conselhos? Um tempo de qualidade pode fazer toda a diferença. E, para muitos, esta é uma importante linguagem de amor. O processo de aprendizado e, mais, o processo de construção de uma boa relação familiar, tem que passar pelo diálogo. E, quando estamos no campo do diálogo, precisamos entender que esta é uma via de mão dupla. Falamos, mas também ouvimos. Ouvir exige autocontrole, disciplina, respeito ao outro e humildade. Por isso, talvez ainda seja tão difícil para a humanidade. Ouvir nos pede reflexão, paciência e empatia. Desta forma, procuremos sempre deixar o outro falar. Ouçamos as razões do outro, suas explicações. Elas podem não justificar certos atos, mas explicam as razões da outra alma e nos fazem compreendê-la melhor. Pais, deixemos os filhos falarem. Filhos, deixemos nossos pais falarem. Famílias, conversem mais. O amor e a paz familiar sairão lucrando sempre. Pense nisso, mas pense agora.

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