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PODCAST · 1736 EPISÓDIOS

Pense Nisso

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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 A DOR QUE CAUSAMOS
16 Mar 20264:16EP 1608

A DOR QUE CAUSAMOS

A dor que causamos. Na nossa vida, passamos por muitas situações felizes, mas também enfrentamos momentos tristes. Conhecemos a dor. Alguns dizem que a dor é ruim, outros falam da sua importância e do seu valor. Talvez você não tenha parado para pensar que a dor física, de um modo geral, é um aviso da natureza que procura nos preservar dos excessos. Sem ela, abusaríamos de nossos órgãos até ao ponto de os destruirmos antes do tempo. Quando um mal aparece no corpo, são os efeitos desagradáveis da dor que nos informam de que algo não está bem, e podemos buscar o tratamento, a medicação adequada. Tem um grande papel. Foi graças a ela que se constituíram os primeiros agrupamentos humanos. Foi a ameaça das feras, da fome, que obrigou o indivíduo a procurar o seu semelhante para constituir o grupo. Isso permitiu que, da vida comum, dos sofrimentos comuns, da inteligência e do trabalho comuns, saísse toda a civilização, com suas artes, ciências e indústrias. A dor ainda tem um efeito terapêutico para a alma, desde que, através dela, possamos resgatar faltas cometidas em passado próximo ou distante. A dor será uma bênção quando bem sofrida, ou seja, sem revolta e indignação. No entanto, existem dores e dores. Se há a necessidade da dor para tratar determinadas faltas, não está na mão de nenhuma pessoa impor sofrimento ao outro. Nenhum de nós tem o direito de ferir a quem quer que seja. E, se o fizermos, seremos responsabilizados. Bom pensarmos quantas vezes ferimos o nosso irmão, nosso familiar, nosso colega de trabalho. Quantas vezes erguemos a voz, irados, para reclamar de alguma coisa que desejamos que fosse diferente. Reclamamos da falta de sal no arroz, do prato que não ficou muito bom, até do cardápio ser sempre o mesmo. Quantos de nós reclamamos do companheiro de trabalho por não realizar a tarefa exatamente da forma que a idealizamos, como nós a faríamos? Quantas vezes magoamos corações que buscaram fazer o seu melhor, mas não deram mais porque têm suas limitações? Toda a dor que causamos ao nosso irmão, nosso semelhante, nos será computada em nossa carga de débitos. Devemos considerar também o quão fundo agredimos nosso próximo em sua sensibilidade. Não podemos avaliar a fragilidade do outro. Pode ser que ele não dê muita atenção às nossas reclamações, ou pode ser que a nossa migalha de dor lhe seja um acréscimo a tantas outras dores que sofre, e ele venha a se desequilibrar física e psicologicamente. Não temos o direito de ferir ninguém. Tenhamos prudência com nossas palavras, faladas ou escritas, ditas pessoalmente ou enviadas pelas redes sociais, de qualquer forma. O nosso papel nessa terra não é ferir. Que possamos semear paz, acolhimento e alegria através de nossas ações e palavras. É disso que o mundo precisa. Pense nisso, mas pense agora.

 BRUNO GIORDANO
14 Mar 20264:14EP 1607

BRUNO GIORDANO

Bruno Giordano. Um voo à liberdade. A cidade de Roma estava abarrotada de gente. Eram peregrinos vindos de toda a Europa para as celebrações do jubileu do ano de 1600, que aconteceriam durante o ano todo. Especialmente naquele dia, a população se aglomerava para contemplar um espetáculo singular. As tochas acesas ao longo do caminho iluminavam a pala e da manhã de fevereiro. O filósofo e monge de 52 anos caminhava lentamente sobre as pedras frias, descalço e acorrentado pelo pescoço. Vestiam lençol branco estampado com cruzes, demônios e chamas verneiras. Aquele homem magro vencia, a passos lentos, os 800 metros desde a Torre Nona, onde estiver encarcerado, e o Campo das Flores, ampla praça onde seria executado. Alguns monges seguiam ao seu lado, convidando-o ao arrependimento. De tempos a tempos aproximavam o crucifixo dos seus lábios, dando-lhe oportunidade de salvar-se. A população se acotovelava para ver um herége famoso morrer na fogueira. Chegando à praça, onde a morte o aguardava, o filósofo se negou mais uma vez a beijar a cruz. Então foi amordaçado, despido, atado a uma estaca de ferro e coberto com lenhas e palhas até o queixo. O fogo foi ateado, e enquanto as labaredas chamuscavam-lhe a barba e seus pulmões se enchiam de fumaça, Giordano Bruno tinha um olhar fixo no infinito. Enquanto a pele estalava sob o calor das chamas e o sangue fervia nas veias, o notável filósofo ainda guardava uma convicção: não iria para o inferno. A certeza de que veria outros inúmeros mundos celestiais e viajaria através do infinito lhe dava uma paz indescritível. Em seu julgamento, no ano de 1592, em Veneza, Giordano Bruno disse aos seus julgadores que a terra não era o único planeta criado por Deus e cada estrela possuía vários planetas. Bruno foi morto na fogueira por defender a ideia de que a terra não era o único planeta que existia no universo e que muitos orbitam outras estrelas. Ironicamente, ele acreditava que suas ideias apenas engrandeciam a glória do Criador. O monge Giordano Bruno escreveu: Deus é reverenciado não apenas em um, mas em muitos incontáveis sóis. Não em uma única terra, num único mundo, mas em milhares, milhões, numa infinidade de planetas. Isso é um convite para que todos nós celebremos um Criador muito maior, o Criador do universo infinito. Foi graças às suas convicções que Bruno não titubeou ante a fogueira que o aguardava. Bastaria apenas beijar a cruz, mas ele preferiu a liberdade da verdade. Sabia que as chamas nada mais fariam do que enviar sua alma na direção de outros sóis, onde poderia viajar através do infinito. Há muitas moradas na casa de meu pai. Se assim não for, eu vou. Diz que a casa do Pai, o universo, é um local de muitos lares, de muitas humanidades. Não estamos sós neste imenso universo. Nossa terra não é o único planeta habitado. A vida é farta e infinita no cosmos, que é a casa do nosso Pai. Do nosso Pai. Somos herdeiros. Pense nisso.

 RESPEITO PELA VIDA
13 Mar 20264:06EP 1606

RESPEITO PELA VIDA

O respeito pela vida abrange o sentimento de alta consideração por tudo quanto existe. Não apenas se detém na pessoa, mas em todas as expressões da natureza. Quando não existe essa manifestação, os valores éticos se enfraquecem e todos os conceios superiores perdem o significado. A criatura humana, impulsionada por ilusões, tem se esquecido disso, sem se dar conta da gravidade de tal atitude. O egoísmo tem controlado os sentimentos, impondo seu interesse em detrimento de todos os valores mais dignos. Os membros da sociedade têm sido separados, lamentavelmente, dividindo-se em classes, considerando os recursos sociais, econômicos, porém nunca os morais. Surge então um abismo entre os seres. As emoções e anseios individuais se convertem em ódios tolos, abrindo campo para as batalhas da violência doméstica e urbana. Alguns acreditam que, possuindo dinheiro e desfrutando de projeção política, serão capazes de conseguir afeição e companheirismo. Amargo engano. Afeto e amizade não se compram, nem tão pouco se impõe. Alguns se deixam seduzir por esses recursos transitórios e, lá na frente, se frustram. Iludem-se pensando que a criatura pode ser identificada pelo que possui e não pelo que realmente é. Todas essas fantasias, no entanto, são passageiras, porque as riquezas trocam de novo, de mãos rapidamente. A beleza e o poder não enfeitam as mesmas faces por longos anos. Tocadas pela brisa do tempo, elas desaparecem. Excedem lugar à verdadeira essência, que pode ser boa ou ruim. Ninguém consegue ser feliz individualmente no deserto que cria para si mesmo ou numa ilha isolada de convivência social. Tentando ignorar essa verdade, muitos se valem de práticas infelizes. Se tornam pessoas agressivas, insensatas. Esse é outro equívoco que conduz a tragédias ainda mais dolorosas. A vida só se faz digna e próspera quando se estrutura na pedra fundamental do respeito. O respeito pela vida eleva o padrão de conduta, dignificando aqueles a quem é direcionado e elevando moralmente quem assim se comporta. A honestidade, por sua vez, indispensável no sucesso dos relacionamentos humanos, proporciona confiança e bem-estar aos seres. Nesse dia, temos a oportunidade de refletir: quais são os desafios íntimos que nos levam a situações embaraçosas? Trabalhemos item a item, cada dia, experimentando as alegrias que decorrem do respeito pela vida. Assim, vamos redescobrir o amor e a satisfação de compartilhar os júbilos com o próximo. Respeitando a vida, passaremos a ser respeitados e estimados. Notaremos em nós mesmos a satisfação de estar em paz com a própria consciência. A vida é a sublime concessão de Deus, que não pode ser desconsiderada por quem quer que seja. Pense nisso. Mas pense agora.

SOLIDARIEDADE ENTRE AS GERAÇÕES
12 Mar 20263:08EP 1605

SOLIDARIEDADE ENTRE AS GERAÇÕES

Solidariedade entre as gerações. De um modo geral, temos uma grande tendência para reclamar da vida, reclamação que não se restringe apenas a pequenas desventuras individuais. Reclamamos do país onde vivemos, dos políticos, das escolas, dos vizinhos. Comparamos a nossa estrutura social com outras que julgamos melhores e nos sentimos injustiçados. Alguns países do primeiro mundo parecem um paraíso. Lá, há educação e saúde de qualidade, bons empregos, segurança, há menos violência e desonestidade. Ocorre que a vida não é feita de acasos. Bênçãos e desgraças não são sorteadas de forma aleatória. Como protagonistas do próprio destino, temos liberdade de atuação, mas devemos assumir as consequências dos próprios atos. As opções do passado influenciam decisivamente o presente. Dessa forma, vivemos no ambiente que ajudamos a construir. Quem nasce em um meio social bem estruturado certamente teve alguém que colaborou para que ele assim se tornasse. Se o mundo que nos rodeia não é agradável, constitui nosso dever agir para torná-lo melhor. Muitas vezes colocamos a culpa do caos social na falta de atuação precisa das gerações passadas. Ocorre, porém, que nós mesmos deixamos de buscar alternativas para melhorar a nossa realidade. Se ontem agimos de forma indigna e egoísta, hoje experimentamos o resultado desse agir. Assim, é importante assumir o papel que nos cabe na construção de uma sociedade melhor. É de nosso interesse direto que nossa cidade, estado e país melhorem, que as criaturas que nos rodeiam evoluam em todos os sentidos. Muitas vezes ouvimos com desinteresse notícias relativas ao meio ambiente. Equivocadamente pensamos que isso não nos diz respeito. Afinal, estaremos mortos há muito tempo quando não houver mais água no planeta ou o ar se tornar difícil de respirar. Trata-se de um erro enorme de planejamento. Não nos atentamos que nossas ações e omissões produzirão efeito. Devemos cuidar do planeta, educar as pessoas, vigiar o governo. As gerações são solidárias, muito mais do que pensamos. Pensemos na herança que estamos deixando para gerações futuras. Sim, pense nisso, mas pense agora.

NÃO VENHA ROUBAR A MINHA SOLIDÃO
10 Mar 20265:01EP 1603

NÃO VENHA ROUBAR A MINHA SOLIDÃO

Não venha roubar minha solidão se não tiver algo mais valioso para oferecer em troca. O título do Pensemisso de hoje foi transcrito da frase proferida pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche, conhecido como o filósofo da afirmação da vida. Nos tempos atuais, tempos de vidas líquidas, onde tudo é descartável, as pessoas se acham cada vez mais na solidão e têm na solidão um estilo de vida positivo. Dia desses, numa enquete feita por um programa radiofônico, foi feita a seguinte pergunta: você acha que é possível ser feliz vivendo sozinho? Pelas respostas, percebemos que a solidão nos dias de hoje seja mais atraente do que imaginamos. Pessoas diziam que, com tanta gente fútil que nos cerca, a solidão está mais para um remédio. Havia aqueles que opinavam dizendo que a solidão é luxo nos dias atuais. Muitos afirmavam que preferem a solidão como um modo de se protegerem da infâmia do politicamente correto, onde você corre o risco de ser processado por dizer: “Oi!”. E arrematam: é melhor viver num casulo do que ter uma dor de cabeça explicando o inexplicável. O que fica claro diante dessas afirmações é que a solidão se tornou uma amiga protetora para nossa sociedade, onde tudo é tão líquido que vê no relacionamento interpessoal um problema que somente a solidão resolve. Em suma, estamos nos tornando misantropos, isto é, vivemos com desconfianças da sociedade da qual fazemos parte. Existe em nós o dilema do porco-espinho, criado pelo filósofo Arthur Schopenhauer. Quando sentimos frio, nos aproximamos, por necessidade, das pessoas. Mas, ao fazermos isso, espetamos e somos espetados pelos espinhos. E assim vivemos essa tensão: eu quero calor, eu quero proximidade com outras pessoas, mas essas pessoas têm ideias diferentes, gostos diferentes, opiniões dissonantes das minhas. Essas pessoas têm espinhos e, desta forma, nos afastamos para logo mais sentirmos a necessidade de nos aquecer de novo. Aqui fica a lição de que devemos viver em comunhão, mas sem ocupar o espaço sagrado de cada um. Sim, isso é a arte que poucos dominam. É por isso que, em nossos dias, as redes sociais fazem tanto sucesso. Elas te aproximam das pessoas, mas sem que fiquem tão próximas a ponto de te espetarem com seus espinhos. Então, com o smartphone nas mãos, eu controlo as distâncias. Com o celular resolvemos o dilema do porco-espinho: ele aproxima, mas sem o risco de ser espetado. E, por outro lado, eu consigo um certo calor humano — tépido, tênue — mas com algum calor. E, ao mesmo tempo, mantenho a minha solidão controlada. Não venha roubar minha solidão se não tiver algo mais valioso para oferecer em troca. Ofertamos, então, aquelas coisas, entre aspas, antiquadas, como, por exemplo, as visitas entre amigos com os intermináveis bate-papos, que hoje se extinguiram graças a dispositivos tecnológicos que permitem contatos na nossa aldeia global sem sair da frente de um visor. Cultivar amizades, distribuir afagos, buscar companheiros para o entretenimento sadio, aplaudir um teatro, sair com colegas de trabalho para uma tarde de lazer junto à natureza são atos a que todos podemos nos propor. Aprendamos a desfrutar da companhia do outro, mesmo que, de vez em quando, haja alguns espinhos. Isso faz parte de uma relação menos líquida. No contato humano é que burilamos experiências e sentimentos. Aprendemos a disciplina do próprio proceder. Portanto, vamos viver uma vida menos líquida e parar de solicitar que a solidão seja sólida. Pense nisso, mas pense agora.

PATO OU AGUIA
9 Mar 20264:13EP 1602

PATO OU AGUIA

Pato ou Águia Estávamos no aeroporto quando um taxista se aproximou. A primeira coisa que notamos foi um táxi limpo e brilhante. O motorista, vestido de forma simples, mas como diziam os antigos, estava bem no linho: camisa branca, bem passada e com gravata. O taxista saiu, nos abriu a porta e disse: “Eu sou Willy, seu chauffer. Enquanto guardo sua bagagem, gostaria que o senhor lesse nesse cartão qual é a minha missão.” No cartão estava escrito: Missão de Willy: levar meus clientes a seu destino de forma rápida, segura e econômica, oferecendo um ambiente amigável. Ficamos impressionados. O interior do táxi estava igualmente limpo. Willy nos perguntou: “O senhor aceita um café?” Brincando com ele, dissemos: “Não, preferimos um suco.” Imediatamente, ele respondeu: “Sem problema. Eu tenho uma térmica com suco normal e também diet, bem como água.” E continuou: “Se desejar ler, tenho o jornal de hoje e também algumas revistas.” Ao começar a corrida, Willie nos disse: “Essas são as estações de rádio que tenho e esse é o repertório que elas tocam.” Como se já não fosse muito, Willie ainda me perguntou se a temperatura do ar-condicionado estava boa. Daí nos avisou qual era a melhor rota para nosso destino e se queríamos conversar com ele ou se preferíamos ficar em silêncio. Perguntamos: “Você sempre atendeu seus clientes assim?” “Não”, ele respondeu. “Não sempre, somente nos últimos dois anos. Nos meus primeiros anos como taxista, passei a maior parte do tempo me queixando, igual aos demais taxistas. Um dia, ouvi um doutor especialista em desenvolvimento pessoal. Ele escreveu um livro que dizia: ‘Se você levanta pela manhã esperando ter um péssimo dia, certamente o terá. Não seja um pato, seja uma águia.’” “Os patos só fazem barulho e se queixam. As águias se elevam acima do grupo. Eu estava todo o tempo fazendo barulho e me queixando. Então decidi mudar minhas atitudes e ser uma águia.” “Olhei os outros táxis e motoristas: os táxis sujos, os motoristas pouco amigáveis e os clientes insatisfeitos. Decidi fazer umas mudanças. Quando meus clientes responderam bem, fiz mais algumas mudanças.” “No meu primeiro ano como águia, dupliquei meu faturamento. Este ano já quadrupliquei. O senhor teve sorte de tomar meu táxi hoje. Já não estou mais na parada de táxis. Meus clientes fazem reserva pelo meu celular ou mandam mensagens. Se não posso atender, consigo um amigo taxista águia confiável para o serviço.” Willie era fenomenal. Oferecia um serviço de limusine em um táxi normal. Willie, o taxista, decidiu deixar de fazer ruído e queixar-se, como fazem os patos, e passou a voar por sobre o grupo, como fazem as águias. Não importa se você trabalha em um escritório, com manutenção, professor, servidor público, político, executivo, empregado ou profissional liberal. Como você se comporta? Se dedica a fazer barulho e se queixar ou está se elevando acima dos demais? A concorrência sempre vai existir, e ela é positiva. Faz com que as coisas e as pessoas progridam. A decisão é sua, e cada vez você tem menos tempo para mudar. Afinal, você é o pato ou a águia? Pense nisso, mas pense agora.

A SABEDORIA DO SAMURAI
7 Mar 20262:31EP 1601

A SABEDORIA DO SAMURAI

A Sabedoria do Samurai Conta-se que, perto de Tóquio, capital do Japão, vivia um grande samurai. Já muito idoso, ele agora se dedicava a ensinar o zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde, apareceu por ali um jovem guerreiro, conhecido por sua total falta de escrúpulos. Assim que soube da reputação do velho samurai, propôs-se a não sair dali sem antes derrotá-lo e aumentar sua fama. Todos os discípulos do samurai se manifestaram contra a ideia, mas o velho aceitou o desafio. E, diante dos olhares espantados, o jovem guerreiro começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, ofendendo inclusive seus ancestrais. Mas o velho permaneceu sereno e impassível. No final da tarde, sentindo-se exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se. Desapontados pelo fato de o mestre ter aceitado calado tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram: — Mestre, como o senhor pode suportar tanta indignidade? O sábio ancião olhou calmamente para os alunos e, fixando o olhar em um deles, lhe respondeu: — Se alguém chega até você com um presente e lhe oferece, mas você não o aceita, com quem fica o presente? — Com quem tentou entregá-lo — respondeu o discípulo. — Pois bem, o mesmo vale para qualquer outro tipo de provocação e também para a inveja, a raiva e os insultos — disse o mestre. — Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carrega consigo. Assim, aceitar provocações ou deixar que fiquem com quem nos oferece é uma decisão que cabe exclusivamente a cada um de nós. Pensemos nisso.

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