
SONHO DE MÃE

PODCAST · 3186 EPISÓDIOS
Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.


A INGRATIDÃO <br /> \n<br /> \nMuitos de nós já sofremos o gosto amargo da ingratidão, não é verdade amigo ouvinte?<br /> \n<br /> \nÉ uma atitude louvável acudir o semelhante na hora da dificuldade — louvável e necessário.<br /> \n<br /> \nNenhum de nós nesta vida está livre de um momento ruim. Nenhum de nós nesta vida pode garantir que jamais precisará de uma ajuda, um apoio, um ombro para chorar. Além do mais, seria muita crueldade vermos alguém no fundo do poço e simplesmente virarmos as contas, como se o sofrimento alheio não fosse da nossa conta.<br /> \n<br /> \nNo entanto, o troco que às vezes recebemos de alguns por nossa solidariedade nos deixa, no mínimo, pensativos. Cá entre nós: há pessoas tão ingratas que nos fazem pensar duas vezes antes de estendermos a mão.<br /> \n<br /> \nMuitas vezes, tiramos de nós mesmos para dar a uma pessoa. Muitas vezes, empenhamos nosso nome, nossa palavra, nosso tempo, nosso dinheiro, nossa fé no semelhante, unicamente para acudir uma pessoa, libertá-la de um embaraço, livrá-la do abismo. Às vezes, comprometemos até mesmo nossa segurança, suportamos críticas, enfrentamos cara feia e resistência, tudo para defender e ajudar alguém que, na nossa opinião, é merecedor daquele sacrifício.<br /> \n<br /> \nQuando prestamos um favor, ou fazemos um bem, ou socorremos alguém em dificuldade, não estamos, evidentemente, visando retribuição. É natural de uma pessoa sensível querer ajudar, dar apoio, livrar o semelhante das situações ingratas que a vida tantas vezes impõe.<br /> \n<br /> \nMas, embora não sejamos caçadores de recompensa, como é triste vermos alguém que ajudamos num momento difícil nos virar as costas quando mais precisamos. Nada dói mais do que a ingratidão.<br /> \n<br /> \nExiste uma lenda segundo a qual uma mulher viu-se perdida na selva, com dois filhos pequenos. Sem armas ou coragem para caçar, ela decidiu cortar pedaços de sua própria carne para dar de comer às crianças, até que chegasse ajuda. Ajuda que, infelizmente, não chegou. Mutilada e já sem forças, a pobre mãe acabou morrendo. Um dos meninos então comentou com o outro: “ainda bem. Eu já estava enjoado de comer todos os dias a mesma coisa...”<br /> \n<br /> \nPor essas e outras, é que o escritor americano do século 19 mark twain,disse um dia: “se apanhares um cão faminto e lhe deres comida, ele jamais te morderá: eis a principal diferença entre um cachorro e um ser humano... <br /> \n<br /> \n<em>Redação do Momento Espírita.<br /> \nEm 08.4.2014</em><br />

OS INVISIVEIS<br /> \n<br /> \n<span style=''font-size: small;''>Você acredita no invisível?<br /> \nHá aqueles que afirmam depositar sua confiança somente naquilo que enxergam os olhos, que as mãos tocam e que ouvem os ouvidos.<br /> \nTodavia, são irrefutáveis as provas científicas de que há uma gama de seres em nosso entorno, invisível aos nossos olhos e sentidos primários mas que, em relação constante conosco, exerce pleno exercício de influenciação sobre o nosso cotidiano.<br /> \nTal é o caso, por exemplo, do universo microscópico. Seres uni e multicelulares que, sem que os possamos enxergar, são responsáveis por uma série de reações bioquímicas em nosso organismo.<br /> \nA verdade é que o invisível existe. Todavia, se aperfeiçoarmos nosso olhar, ele pode tornar-se visível. Para tal, a boa vontade, o amor, a caridade, o bem...<br /> \n* * *<br /> \nSomos todos invisíveis. Nossa presença não faz diferença para ninguém, apenas para aqueles que passam por nós e sentem medo ou raiva.<br /> \nAcham que todos somos ociosos, mas estão enganados. Eu sou um homem de bem, de família, estou aqui de passagem.<br /> \nForam estas as palavras concedidas a um jornalista de um famoso periódico de circulação nacional, por um homem que vive nas ruas há dois anos, em mendicância.<br /> \nPor vergonha, ele preferiu não se identificar.<br /> \nOutros moradores de rua tiveram coragem de contar ao jornal os motivos que os levaram a viver sob as marquises, sem amparo de um amigo, da família e até mesmo do poder público.<br /> \nSão os invisíveis sociais.<br /> \nSão moradores de rua, catadores de papel. São garis, faxineiras, porteiros, jardineiros, pedreiros, ascensoristas e tantos outros.<br /> \nIrmãos nossos, espíritos em evolução, seres humanos com histórias de vida, sentimentos, fragilidades, aspirações, ideais, sonhos e que, na grande maioria das vezes, são simplesmente ignorados, como se não existissem.<br /> \nDurante seu doutorado, como parte do estágio de uma das disciplinas que cursava, o psicólogo Fernando Braga da Costa resolveu acompanhar a rotina dos garis da Universidade de São Paulo.<br /> \nEm sua experiência, ele relata que, ao vestir o uniforme desse profissional, não conseguiu ser reconhecido nem mesmo por seus professores e colegas de curso.<br /> \nIsto não significa que fui menosprezado ou rejeitado, afirmou o psicólogo. Era pior: simplesmente eu não estava lá. As pessoas não me viam, não olhavam para mim. Era como não ser.<br /> \n* * *<br /> \nVocê acredita no invisível?<br /> \nAcredita que existem milhões de pessoas, em todo o mundo, que são invisíveis?<br /> \nUm bom dia, um sorriso, um aperto de mão, um olá, tudo bem? são formas de materializá-las e torná-las tangíveis, dignificando-as e exaltando a criatura humana, em detrimento de nossos preconceitos e egoísmo.<br /> \nPensemos nisso .<br /> \n<br /> \nRedação do Pense Nisso, com base em reportagem do site http://g1.globo.com<br /> \ne experiência relatada no http://invisibilidadesocial2010.blogspot.com, ambos <br /> \nacessados em 4.11.2015.<br /> \nEm 07.3.2016.</span><br />

<strong> Não venha roubar minha solidão, se não tiver algo mais valioso para oferecer em troca.</strong><br /> \n<br /> \nO titulo do Pense Nisso de hoje foi transcrito da frase proferida pelo filosofo alemão Friedrich Nietzsche, conhecido como o “filosofo da afirmação da vida”.<br /> \nNos tempos atuais, tempos de vidas liquidas, onde tudo é descartável, as pessoas se agarram cada vez mais na solidão. E tem na solidão como um estilo de vida positivo.<br /> \nDias desses, numa enquete feita por um programa radiofônico, fi feita a seguinte pergunta: - Você acha que é possível ser feliz vivendo sozinho?<br /> \nPelas respostas percebemos que a solidão, nos dias de hoje, seja mais atraente do que imaginamos.<br /> \nPessoas diziam que: “Com tanta gente fútil que nos cerca, solidão está mais para um remédio”<br /> \nHaviam aqueles que opinavam dizendo que; “a solidão é luxo, nos dias atuais.<br /> \nMuitos afirmavam que, preferem a solidão como um modo de se protegerem da infâmia do politicamente correto. Onde você corre o risco de ser processado por dizer "Oi”,que pode ser acusado de assédio ou estupro.E arrematam: “É melhor viver num casulo,do que ter uma dor de cabeça explicando o inexplicável.<br /> \nO que fica claro, diante dessas afirmações, é que a solidão se tornou uma amiga protetora para a nossa sociedade que tudo é tão liquido, que vê no relacionamento interpessoal, como um problema que somente a solidão resolve!<br /> \n<br /> \nSe perguntar para alguns homens, porque não se casam e constituem uma família, eles respondem: prefiro um pet, que num provável divorcio, não leva metade dos meus bens e nem me processa.<br /> \nMuitas mulheres diziam que preferem uma vida de solidão do que ter que conviver com pessoa machista, controladora e sofrer violência doméstica. O que estão corretas.<br /> \nSerá que as redes sociais tem ajudado pra esse processo de individualização da sociedade e esse apego tão grande pela solidão?<br /> \nÉ lá, nas redes sociais, que vivemos a fantasia de sermos o que não somos. Garantimos o nosso momento de sermos aquilo que todos querem que sejamos. Só não podemos ser aquilo, que de fato, queremos ser. <br /> \nA solidão se tornou a nossa amiga. Porque é ela que, aparentemente, nos oferece a proteção. Parece, que é na solidão que encontramos a nos mesmos. Na solidão, nos permitimos tirar as mascaras que precisamos usar para agradar as pessoas da nossa igreja, da nossa família, as pessoas que trabalham conosco e que exigem de nós uma vida que elas querem que vivamos. E não uma vida que seja uma opção nossa; com os acertos e erros. E aqueles de nós que ousamos viver segundo as nossas covicções, corremos o risco de sermos taxados de machistas, feministas, esquerdistas, direitistas, marxistas, fascistas... e outros “istas”. Talvez, a solidão seja o melhor remédios para uma condição psíquica que assola o mundo: a normose.<br /> \nMas, o que é a normose? <br /> \nNormose é um conceito que se refere a normas, crenças e valores sociais que causam angústia e podem ser fatais, em outras palavras, normose é um conjunto de "comportamentos normais de uma sociedade que causam sofrimento e morte"<br /> \nMas, isto é um assunto para outro dia...para um outro Pense Nisso..<br /> \n***<br /> \nE quanto a frase de Nietzsche, que diz "Não venha roubar minha solidão, se não tiver algo mais valioso para oferecer em troca” -Vamos oferecer algo mais valioso em troca:<br /> \nOfereçamos em troca, aquelas coisas, entre aspas, “antiquadas”. Como por exemplo: as visitas entre amigos, com os intermináveis bate-papos, que hoje se extinguiram, graças a dispositivos tecnológicos que permitem contatos na nossa aldeia global, sem sair da frente de um visor;<br /> \n. Cultivar amizades, distribuir afagos, buscar companheiros para o entretenimento sadio, aplaudir um teatro, sair com colegas de trabalho para uma tarde de lazer junto à natureza são atos a que todos podemos nos propor.<br /> \nPara espantar a solidão existem fórmulas especiais e muito fáceis. Basta programar-se e convidar amigos para o final de semana.<br /> \nAbrir o lar para um encontro simpático, sem a exagerada preocupação de servir petiscos muito elaborados, que demandam tempo enorme no seu preparo, quando o tempo deve ser dispensado aos que elegemos para estarem conosco, algumas horas.<br /> \nAprendamos a desfrutar da companhia do outro. Deus criou o homem para viver em sociedade. No contato humano é que burilamos experiências e sentimentos, aprendendo a disciplina do próprio proceder.<br /> \nE, se acaso, formos daquelas criaturas que afirmamos não ter amigos, colegas ou seja quem for para recepcionar ou visitar, há muitos seres no mundo, sem ninguém. Crianças que foram abandonadas e que precisam de um lar e de afeto.<br /> \nHá os que temem assumir a responsabilidade de adoção plena. Contudo, por que não lhes dispensar algumas horas de carinho por semana?<br /> \nPreparemos o lar, com brinquedos, alguns pratos diferentes, saborosos e repletemos a alma de felicidade, doando amor.<br /> \nA mais expressiva técnica para espantar a solidão é dispor-se a amar. E há tantos que esperam pela nossa disposição de amar!<br /> \nSe temermos buscar em instituições que abrigam esses pequenos, por qualquer questão pessoal que ainda não consigamos vencer, olhemos ao redor.<br /> \nNão haverá, perto de nós, crianças solitárias e tristes, que anseiem por um gesto de carinho?<br /> \nO mundo aguarda nosso amor. Espanquemos as nuvens espessas da solidão em que nos abrigamos e comecemos a ser felizes, fazendo alguém feliz, porque o amor somente beneficia a quem ama.<br /> \nPortanto, vamos viver uma vida menos liquida e parar de solicitar que a solidão seja sólida.<br /> \nPense Nisso, mas pense agora<br /> \n<br /> \n<div style=''text-align: right;''><em>Redação do Pense Nisso.<br /> \nEm 12.04.2019.</em></div> \n<br /> \n<br />

<strong> O Exemplo de João Carlos</strong><br /> \n<br /> \nA capacidade do ser humano de superar adversidades é inacreditável. E certos exemplos nos levam a acreditar que o ser humano ainda não descobriu tudo de que é capaz.<br /> \nTambém nos servem de exemplos para nossas próprias vidas. Um desses é o pianista João Carlos Martins.<br /> \nComeçou a estudar piano aos oito anos de idade. Após nove meses de aula vencia, com louvor, o concurso da Sociedade Bach, de São Paulo. Um prodígio.<br /> \nRapidamente ele desenvolveu uma carreira de pianista internacional. Tocou nas principais salas de concerto do mundo.<br /> \nDedicou-se à obra de Bach.<br /> \nNo auge da fama, sofreu um grande revés. Jogando futebol, sua outra paixão além da música, caiu sobre o próprio braço. O acidente o privou dos movimentos da mão.<br /> \nPara qualquer pessoa, uma tragédia. Para ele, um desastre total. Mas não se deu por vencido.<br /> \nSubmeteu-se a cirurgias, dolorosas sessões de fisioterapia, injeções na palma da mão.<br /> \nE voltou ao piano e às melhores salas de concerto. Com dor e com paixão.<br /> \nMas a persistência de Martins voltaria a ser testada. Anos depois, vítima de um assalto na Bulgária, foi violentamente agredido.<br /> \nComo consequência, teve afetado o movimento de ambas as mãos.<br /> \nPara recuperar as suas ferramentas de trabalho, voltou às salas de cirurgias e à fisioterapia.<br /> \nConseguiu voltar ao amado piano mais uma vez. Finalmente, em 2002, a sequela das lesões venceu. A paralisia definitivamente dominou suas duas mãos.<br /> \nEra o fim de um pianista.<br /> \nAfastou-se do piano, não da sua grande paixão, a música.<br /> \nAos sessenta e três anos de idade, ele foi estudar regência. Dois anos depois regeu a Orquestra Inglesa de Câmara, em Londres.<br /> \nEm um concerto, em São Paulo, surpreendeu outra vez. Regeu a Nona Sinfonia de Beethoven, totalmente de cor.<br /> \nEle precisou decorar todas as notas da obra por ser incapaz de virar a página da partitura.<br /> \nA plateia rompeu em aplausos.<br /> \nMas João Carlos Martins ainda tinha mais uma surpresa para o público, naquela noite.<br /> \nPediu que subissem um piano pelo elevador do palco. E, com apenas três dedos que lhe restaram, ele tocou uma peça de Bach.<br /> \nA ária da quarta corda foi originalmente escrita para violino. É uma peça musical em que o violinista usa apenas a corda sol para executar a bela melodia.<br /> \nBom, Martins a executou ao piano com três dedos.<br /> \nE, embora não fosse a sua intenção, a impressão que ficou no ar é que todos os presentes se sentiram muito pequenos ante a grandeza de João Carlos Martins.<br /> \n* * *<br /> \nComo Martins, existem muitos exemplos.<br /> \nCriaturas que têm danificado seu instrumento de trabalho e dão a volta por cima, não se entregando à adversidade.<br /> \nRecordamos de Beethoven, compositor, perdendo a audição e, nem por isso deixando de compor.<br /> \nDe Helen Keller, cega, surda, muda se tornando a primeira pessoa com tripla deficiência a conseguir um título universitário.<br /> \nTornou-se oradora, porta-voz dos deficientes, escritora.<br /> \nPense nisso e não se deixe jamais abater porque a adversidade o abraça.<br /> \nPense: você a pode vencer. Vença-a.<br /> \n<br /> \n<br /> \nRedação do Pense Nisso, com base na<br /> \nbiografia de João Carlos Martins, colhida em<br /> \npt.wikipedia.org.wiki/João_Carlos_Martins.<br /> \nEm 18. 11.2017.<br />

Eu me tornar amor<br /> \n<br /> \nNenhum pássaro jamais saberá cantar, se a música não existir em mim.<br /> \nNenhum por do sol, nem a voz da criança, a chuva, o abraço, a presença, nada carregará nenhum tipo de beleza se, em minha interioridade, predominar a escuridão. <br /> \n<br /> \nNão haverá luz que ilumine o caminho, esperança em noites difíceis, serenidade para escolhas de paz, calma para enxergar com isenção, sabedoria para discernir os dias, significado para projetar nos acontecimentos, sem que eu perceba que é dentro, em mim, onde moram todas as coisas.<br /> \n<br /> \nAs montanhas serão apenas acúmulos de terra, ou pedra e nada mais. Os oceanos, nada além de muita água e as flores, sem beleza, sem perfume, sem diversidade, não passarão de caprichos da natureza, se, antes, em mim, não houver um extenso jardim, com montanhas formadas pelos aclives e declives da existência, oceanos que me refrescam, me arejam, me espantam com seus estrondos que somente eu posso ouvir.<br /> \n<br /> \nAmor será sinônimo de fraqueza, de espírito pobre, amedrontado e servil. Jamais passará de título de música popular, inspiração de algum poeta alienado, ou quem sabe gancho de novela, sem sentido, sem densidade, sem nenhuma utilidade, se minha alma estiver seca, se meu medo servir de bloqueio e continuar me impedindo de saltar, de correr riscos e assumir as implicações de responder as demandas da vida em amor. Amor será apenas uma palavra açucarada enquanto estiver fora de mim, enquanto não estiver claro que só posso experimentá-lo quando de fato eu me tornar amor.<br /> \n<br /> \nDeus? O que será Deus além do chefe da religião, do "cara lá de cima", fora, desconectado, cruel, mau, manipulador que se diverte com o sofrimento alheio, alienado enquanto ignora a pobreza, a fome, o abandono de seus filhos? Enquanto nos alimentarmos de nossas teologias, tentarmos encaixotar o que não cabe em nenhum lugar, a não ser no universo que somos nós. <br /> \n<br /> \nQuem pode descrevê-lo? Quem pode anunciar-se como representante divino, portador de alguma mensagem, dono da "palavra de Deus", sem que se esvazie de si mesmo, que entregue-se ao mistério, que mergulhe na presença e, perplexo, descubra Deus na gente, aqui, dentro, em mim e, sem condições de encará-lo, renda-se ao Eu Sou em profunda gratidão, humilde, reverente, em estado de quietude interior?<br /> \n<br /> \nTudo o que você enxerga no mundo, as cores que tingem sua realidade, são apenas reflexos. Nenhuma verdade, nenhum significado, nenhum valor, nenhuma esperança. Sem sentido, sem absolutamente nenhuma conexão com nada, caos, desordem, bagunça, loucura, assim será seu mundo, sempre, até que você mude a perspectiva e, finalmente entenda, que tudo mora dentro, que nada lá fora existe desconectado do que você tem se tornado e, ainda que a vida continue difícil, interpretá-la a partir da própria interioridade abre uma outra dimensão, iluminada pela consciência de que, no fim das contas, todas as experiências, todas elas, tem por finalidade nos fazer aprender a amar.

Tédio<br /> \n<br /> \n<br /> \nMuitas pessoas estabelecem objetivos de vida, que passam a ser buscados com intensa determinação.<br /> \nLimitam seus interesses na conquista de seus sonhos e quando os alcançam nem sempre encontram neles o sentido e o significado que esperavam.<br /> \nA meta, que por tanto tempo representou a razão de viver, cede lugar ao tédio, empurrando os seres para os abismos da depressão ou dos vícios.<br /> \nPor vezes, são pais que colocam na vida dos filhos os próprios sonhos.<br /> \nProjetam no futuro de seus rebentos os desejos que eles próprios não puderam realizar.<br /> \nNo entanto, os filhos crescem e devem enfrentar as próprias lutas e dar curso às próprias vidas.<br /> \nPor vezes a constatação dessa verdade causa nos pais, mais despreparados, amarga aflição.<br /> \nOutros, ainda, anseiam por alcançar um patamar elevado na carreira para amealhar, assim, consideráveis recursos financeiros.<br /> \nPorém, quando seus objetivos se realizam, sentem-se desestimulados.<br /> \nHá aqueles que se esforçam para ter fama e destaque na sociedade e que, quando os alcançam, amargurados e vazios, entregam-se às drogas e aos abusos do sexo.<br /> \nInquietação e desequilíbrio costumam servir de base na busca por objetivos imediatos de prazer e de satisfação.<br /> \nTais metas são frutos do egoísmo que ainda move os seres, e quando alcançadas produzem tão-somente rápida e passageira satisfação.<br /> \nEm pouco tempo a antiga e conhecida sensação de aborrecimento e de vazio volta a exercer forte influência no cotidiano.<br /> \nComo se todo o esforço tivesse sido vão.<br /> \nComo se toda a luta não tivesse valido a pena.<br /> \nNos lábios, a impressão de que alguma palavra ficou faltando.<br /> \nNa boca, a permanente sensação de sede.<br /> \nÉ a fome de realização plena.<br /> \nÉ uma sensação de que, em sonho, tudo era mais belo e satisfatório.<br /> \nÉ o tédio, terrível flagelo que consome existências.<br /> \nSilencioso e ardiloso, penetra suavemente no comportamento, instalando-se na mente e no sentimento, depauperando e dominando os indivíduos.<br /> \nQuando te percebas a um passo do tédio, assume nova postura e busca uma atividade que te preencha o tempo físico e mental de forma útil.<br /> \nNunca te consideres impossibilitado de trabalhar, de agir no bem e de produzir.<br /> \nConsidera o esforço dos artistas sem braços, sem pernas, que se revelaram excelentes pintores, escultores, desenhistas, ricos de inspiração e de alegria de viver.<br /> \nReflete sobre a vida de outros deficientes que se transformaram em mensageiros da renovação interior, tornando-se membros indispensáveis da economia moral e social no mundo.<br /> \nO esforço que lhes foi exigido não lhes concedeu tempo para qualquer forma de tédio ou de desinteresse, entregando-se à lamentação ou ao desencanto.<br /> \nNão cesses de edificar, nem te permitas contemplar a retaguarda do já feito.<br /> \nExamina a perspectiva do quanto ainda necessitas realizar.<br /> \nAspira à conquista do infinito e nunca te sentirás entediado com os logros conseguidos.<br /> \nQuem se basta com as aquisições meramente materiais ainda não alcançou a real maturidade, nem descobriu as prioritárias metas existenciais.<br /> \nAquele que anela pela alegria de viver, não apenas pelo que consiga deter nas mãos, jamais será vítima do tédio, porque estará sempre em ação, sentindo-se útil e pleno.<br /> \n<br /> \nEquipe de Redação do Pense Nisso, <br /> \ncom base no capítulo 13 do livro Diretrizes para o êxito,<br /> \nde Divaldo Pereira Franco.<br />

<span style=''font-size: small;''>ACOLHIMENTO QUE ARREBATA<br /> \n<br /> \nFrancisco de Assis, em seu tempo, revolucionou ideias e inaugurou parâmetros de comportamento.<br /> \nTinha uma forma toda especial de tratar com os deserdados da sorte, os pobres, os equivocados.<br /> \nConta-se que, certa feita, três ladrões que viviam atormentando a cidade de Monte Casale, foram pedir comida a Frei Ângelo. Ciente de quem eram e os danos que poderiam provocar, ele os afugentou.<br /> \nTão logo se fez a oportunidade, tudo narrou a Francisco, confiante de que receberia agradecimentos pelo que fizera.<br /> \nNo entanto, Francisco, de imediato, não concordou com essa atitude, pois não condizia com a proposta de amor dos Evangelhos e com os exemplos do Mestre Jesus.<br /> \nChamando os frades, a todos determinou outro padrão de tratamento para com os irmãos ladrões.Disse-lhes que, caso tornassem a encontrá-los, deveriam ter para com eles um procedimento diferente do comum das pessoas.<br /> \nPropôs, então, que os frades adentrassem a floresta, onde costumavam se esconder os malfeitores, levando alimento e uma toalha, oferecendo a refeição, mais ou menos nos seguintes termos:<br /> \nIrmãos ladrões, venham comer. Não precisam assaltar as pessoas. E quando assaltarem, por favor, não batam nelas.<br /> \nO ritual deveria ser repetido dia após dia e, finalmente, quando conseguissem as presenças dos ladrões para a refeição, deveriam aproveitar para lhes falar de outra forma:<br /> \nIrmãos ladrões, não seria melhor que vocês trabalhassem em vez de roubar? Podemos ajudá-los a arrumar alguma ocupação. Que tal?<br /> \nA proposta de acolhimento e regeneração, nessa aproximação gradativa e singela, feita de forma sincera e interessada, acabou por convencer alguns dos ladrões a modificarem a sua vida, aderindo à proposta de amor e fraternidade pregada e vivenciada por Francisco.<br /> \n* * *<br /> \nÉ possível que, nos dias atuais, com tanta violência vigorando, a criminalidade alcançando patamares inimagináveis, nenhum cidadão se sinta seguro, a qualquer hora do dia ou da noite, nas ruas, nem em sua casa ou em seu local de trabalho.<br /> \nPor isso mesmo, dificilmente buscaria um diálogo com malfeitores de qualquer ordem, até mesmo por temor à sua própria vida, pela sua integridade física.<br /> \nMas o exemplo vivenciado pelos frades, sob a batuta de amor de Francisco, pode nos servir para meditarmos a respeito de novas fórmulas de tratarmos com os que qualificamos de malfeitores ou criminosos.<br /> \nUma proposta de regeneração, de reeducação, iniciando pela conquista através da pedagogia do acolhimento.<br /> \nTambém uma maneira de nos conduzir a reflexões sobre nossa própria forma de tratar osmalfeitores da nossa paz, os que nos causam problemas, levantam calúnias, estabelecem obstáculos na harmonia das nossas vidas.<br /> \nComo poderíamos interagir de forma positiva com eles?<br /> \nTalvez iniciando por não estabelecer sintonia com sua maldade. Depois, vibrando de forma diversa, endereçando-lhes, como resposta a suas agressões, o desejo de que se reabilitassem, que se dessem conta do desastre que estão causando para si mesmos.<br /> \nIsso porque quem semeia ventos, colhe tempestades, já sentencia o provérbio popular.<br /> \nCom certeza, essa nossa mudança de comportamento nos conduziria a melhores dias, a horas mais harmônicas e produtivas.<br /> \nPensemos nisso. Tentemos a proposta franciscana.<br /> \nRedação do Pense Nisso, com base<br /> \nem biografia de Francisco de Assis.<br /> \nEm 31.10.2014</span><br />