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PODCAST · 165 EPISÓDIOS

Pense Nisso

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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SOLIDÃO NUMA MULTIDÃO
15 Jan 20266:08EP 13

SOLIDÃO NUMA MULTIDÃO

O sociólogo polonês Sigmund Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos. Um tempo líquido, em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há observação pausada daquilo que experimentamos. É preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar. O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade. Reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega. O que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo. Em tempos de Facebook, Instagram, WhatsApp, não há desagrados. Se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações. Perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos. As discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida. Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado. Tudo é desvendado. O que se come, o que se compra, o que nos atormenta e o que nos alegra. O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia. Filosoficamente, a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações. Tudo se torna vacilante. Tudo pode ser deletado. O mundo, o amor e os amigos. Nunca o nosso mundo teve ao seu dispor tanta comunicação. E nunca foi tão dramática a nossa solidão. Nunca houve tanta estrada. E nunca nos visitamos tão pouco. Assim, raros são os momentos em que estamos sozinhos. E o medo de estarmos sozinhos nos faz cada vez mais mergulhar nas comunicações, nos contatos. Não poucas vezes vazios e sem significados reais. E o medo da solidão nasce muitas vezes do medo de encontrarmos a nós mesmos. Nossa essência. Como se isso não fosse necessário e inevitável. Assim, fugimos de nós mesmos. Mergulhando nos barulhos do mundo. Afastamo-nos de nós mesmos buscando respostas que, ao final, só poderão ser encontradas em nossa atividade. Por isso, se faz necessário que busquemos a nós mesmos de tempos em tempos. Buscar a solidão para encontrarmo-nos conosco em um reencontro com a própria alma. De maneira tranquila e serena. Sabendo que guardamos em nossa atividade a chave para a nossa felicidade. Será nesses momentos de introspecção que conseguiremos analisar nossas atitudes, nossos valores e sentimentos. Quando fazemos silêncio exterior, damos vazão ao mundo interno. Intenso e palpitante e que, muitas vezes, relegamos ao esquecimento. Nessas horas, teremos a oportunidade de entender nossas reações. Repensar nossos atos. Ponderar valores e atitudes para os próximos embates. Somente assim, ao permitirmos esse encontro conosco mesmos, conseguiremos alçar a patamares mais maduros e tranquilos em nosso mundo emocional. Dessa forma, a solidão será oportuna, companheira, a ser buscada. Para que possamos nos encontrar e conhecer. Permitamo-nos, assim, com regularidade, evadirmo-nos do mundo. Buscando momentos de solidão, onde teremos apenas a nós mesmos para conversar. Aproveitemo-nos para rever, repensar ações, horas de dificuldade e apreensão. Serão esses espaços de solidão que nos permitirão reavaliar atitudes para, nas próximas experiências, evitar que venhamos a repetir os mesmos erros em idênticas situações. Se nos permitirmos esse encontro interior, continuaremos a ser aqueles que tropeçamos em nós mesmos, sem saber por que, nem como, tentando achar algum culpado, quando, na verdade, somos apenas nós a andar, sem rumo e sem autoconhecimento. A sós, todos os dias, alguns momentos para reflexionar a respeito do que fazemos. Como fazemos nos permitirá o autoconhecimento. E essa é a chave do progresso individual. Pensemos nisso, mas pensemos agora.

O UNIVERSO É UM GRANDE PENSAMENTO
14 Jan 20264:02EP 12

O UNIVERSO É UM GRANDE PENSAMENTO

No dia 23 de novembro de 1793, em discurso na Catedral de Notre Dame, em pleno coração de Paris, diante de muitas pessoas, um cientista proclamou a desnecessidade de Deus. Pensadores acreditavam, naqueles dias, que Deus era totalmente dispensável. Para a humanidade, bastavam a razão e o bom senso para que tudo se explicasse de maneira satisfatória. E, porque a ousadia do homem não tivesse limites, ordenou-se que fossem apagados todos os sinais de Deus, que se julgava fossem os templos religiosos. Num final de tarde, quando os destruidores chegaram para colocar por terra as paredes de uma das igrejas, se depararam com o velho jardineiro que cuidava das flores. Chegar. Perguntou curioso porque estavam ali com tantas ferramentas. Um dos indivíduos lhe respondeu com ousadia: “Viemos aqui para apagar de vez os sinais de Deus da face da terra”. O jardineiro olhou admirado para o grupo e perguntou: “E onde estão as escadas?”. O rapaz, um tanto inquieto, retrucou: “Mas para que precisamos de escadas?”. O jardineiro complementou: “Se vocês querem apagar os sinais de Deus, precisarão de uma escada, e de uma escada muito, muito longa, a fim de que possam apagar as estrelas”. Muitos homens, quando adentram o campo das ciências sem entendê-las em profundidade, tornam-se ateus, por acreditarem que descobriram todos os mistérios do universo. Já os homens que penetram profundamente as ciências com. Entendem os mecanismos que regem a vida. Reconhecem a necessidade lógica da existência de uma inteligência que em tudo pensa e a tudo coordena no universo. Um conceituado biólogo escreveu um livro fantástico que intitulou O Homem Não Está Só. Nesse livro, cita vários motivos pelos quais ele crê em Deus. Um deles é o fato de a distância que medeia entre Sol e Terra estar matematicamente calculada, o que não poderia ser obra do acaso. Se o Sol não estivesse a 150 milhões de quilômetros da Terra, mas apenas a metade dessa distância, não haveria possibilidade de vida, porque as altas temperaturas a tudo aniquilariam. E, se a distância fosse 50% a mais, a vida também seria impossível devido à falta de luz e calor. Se o movimento de rotação da Terra não tivesse sido calculado de forma eficiente e, ao invés de. De 1600 km por hora fosse dez vezes menor, os dias e as noites teriam 120 horas, e a vida seria impossível. O calor dos dias, a sombra e o gelo das noites, ambos longos demais, a tudo aniquilariam. Esses, entre outros tantos exemplos, provam que tudo está matematicamente calculado. Há uma inteligência suprema por trás de cada fenômeno da natureza, e é a essa inteligência que chamamos de Deus. Após apuradas pesquisas nas áreas da astrofísica, da biologia, da embriogenia, entre outras, os homens chegaram à conclusão de que o universo é um grande pensamento. Pense nisso, mas pense agora.

GENEROSIDADE
13 Jan 20263:04EP 11

GENEROSIDADE

Quando tinha 13 anos, Severino saiu de olho d'água seco, no sertão de Pernambuco, para morar com um tio na capital, Recife. Certo dia, ele perdeu-se na cidade grande. Sem saber ler, não conseguia encontrar o caminho de volta, olhando as placas e o nome das ruas. Era como se fosse cego, ele diz. Quando, afinal, achou o endereço, pediu ao tio para lhe comprar uma cartilha de alfabetização. Sozinho, aprendeu a ler e a escrever. Um ano depois, voltou ao sertão e tratou de ensinar o que sabia à irmã. Não era muito, mas era o bastante. Depois, improvisou uma escolinha para alfabetizar outros moradores. Já tinha ensinado 231 pessoas a ler quando deixou o Pernambuco por uma vida melhor em São Paulo. “Gosto de passar adiante tudo que aprendo. Não vou levar nada para o caixão. Então tenho de compartilhar o que sei com quem precisa. Se não, esse conhecimento morre comigo”, conta ele. Estamos acostumados a reconhecer a generosidade em gestos grandiosos, como o de Bill Gates, fundador da Microsoft e um dos homens mais ricos do planeta, que doou 29 bilhões de dólares à instituição de combate à pobreza que fundou com a mulher Melinda. Mas a história de Severino não deixa dúvidas de que a generosidade pode ser praticada mesmo por quem tem pouco ou quase nada e de várias formas, muito além de dardens que sobram. Alguns exemplos são Antônio, um desembargador de justiça que conta histórias para crianças no hospital; Elcio, que incentiva a solidariedade na empresa que lidera e ajudou a fazer dela um dos melhores lugares do mundo para trabalhar; Danieli, que aos 63 anos ajuda milhares de deficientes visuais a ter acesso a livros. Todos podemos ser generosos e, se desejamos realmente um mundo melhor, começar pela benevolência nas pequenas coisas, nos gestos singelos, é fundamental. Proponha a você mesmo esse desafio: pratique um ato de generosidade no dia de hoje e veja os resultados, não o resultado do reconhecimento, pois ele quase sempre não vem e não deve ser o nosso foco, mas o resultado em sua alma, em sua alegria interior. Doe-se ao outro, doe-se ao mundo, doe sua vida ao amor e ganhe a felicidade tão sonhada. Pense nisso, mas pense agora.

A TEORIA PRÁTICA DO COMPARTILHAR
12 Jan 20264:34EP 10

A TEORIA PRÁTICA DO COMPARTILHAR

Você já sentiu dificuldade em compartilhar seu conhecimento com as pessoas? Talvez uma das coisas mais frustrantes que podemos experimentar é ter o conhecimento. A vontade de passar para alguém e não ter ninguém que se interesse. Pensando a respeito, lembramos de um velho amigo que nos contou algo insólito, impressionante. Desde muito jovem e antes mesmo de se graduar em física, ele desenvolvia pesquisas em iniciação científica e se interessava por questões ligadas aos fundamentos da física e a lógica matemática. Fez pós-graduação no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, entrando no campo da teoria da prova. Seu projeto era provar uma proposição da Escola Escandinava de teoria da prova, denominado Teorema de Normalização Simples para a Lógica Clássica de Primeira Ordem Completa. Em sua tese de doutorado, defendida na mesma instituição, assumiu o problema proposto por Per Martin Lough, que consiste em definir um conceito de pior sequência de redução para as derivações. Esse trabalho lhe valeu o Prêmio Santista Juventude. Mas você deve estar se questionando, o que vem a ser tudo isso? Eu não entendi absolutamente nada. Foi justamente isso que nos impressionou na história desse amigo. Profundo, estudioso e conhecedor da teoria da prova, resolveu deixar tudo isso de lado. E sabe por quê? Bem, porque ele sentia muita dificuldade em dividir seus conhecimentos com alguém, pois poucas pessoas conheciam essa área. Deixei de lado essa matéria porque conhecia somente mais cinco pessoas com quem podia falar sobre o assunto, e algumas delas viviam fora do Brasil. Sinto necessidade de compartilhar minhas ideias, concluiu o matemático. O ser humano tem necessidade de dividir seus sentimentos com alguém. Por mais feliz que seja, se não houver ninguém para compartilhar, a felicidade não faz sentido. De que vale uma grande conquista sem alguém que nos abrace e nos diga parabéns, você venceu. De que adianta sentir uma grande alegria se não tiver alguém para compartilhar? Não faz sentido sorrir se não houver alguém para rir conosco. Quando vemos um filme e algo nos chama a atenção, logo queremos falar sobre isso, contar para alguém, mesmo que se alguém seja um desconhecido. Enfim, a felicidade e a infelicidade são estados da alma para serem compartilhados. Foi por essa razão que o jovem matemático resolveu deixar de lado aquela área da lógica e tratar de assuntos que pudesse compartilhar, trocar ideias, discutir. É verdade que existem áreas do conhecimento humano com as quais raros missionários assumem o compromisso de estudar e descobrir meios de torná-las úteis à humanidade. Mas mesmo esses ilustres missionários não deixam de sentir, vez ou outra, a necessidade de compartilhar suas descobertas. Se a gente não tem mais alguém para compartilhar, é bem provável que a depressão lhes faça companhia. Ainda assim, decidem-se pelo isolamento, por amor à causa que assumiram perante suas próprias consciências e pelo bem de seus semelhantes. Sem alguém para compartilhar, não haveria como dividir os medos, os anseios, os sonhos, as alegrias. E agradeçamos se tivermos com quem compartilhar nossas experiências. Descobrimo-nos a arte de compartilhar e perceberemos que a vida nos mostrará um colorido todo especial.

DETERMINAÇÃO E FÉ
10 Jan 20263:42EP 9

DETERMINAÇÃO E FÉ

A força de vontade e a determinação de algumas pessoas nos deixam, muitas vezes, surpresos com o sucesso que alcançam. Uma garota filipina, de apenas 11 anos, deu uma grande demonstração a respeito disso. Ela tinha uma competição de atletismo para participar. Com o seu empenho diário, ela se preparou para competir. Havia, no entanto, um problema maior a ser vencido. Para participar, ela precisava estar calçando tênis. Houve quem desistisse da competição por causa desse detalhe, mas a pequena Rhea Boulos estava determinada. Sem condições de comprar o calçado, se serviu de toda a sua criatividade. Conseguiu fita adesiva e enrolou dedos e pés. Com um marcador verde, desenhou o logotipo de uma marca conhecida. Ela estava equipada para a disputa. Não era um tênis de verdade, mas lhe permitiram competir nas corridas de 400, 800 e 1500 metros. Venceu em todas as modalidades e conquistou três medalhas de ouro. Esse dia, com certeza, ficará marcado em sua memória. Gratificante é partirmos na busca de nossos objetivos, dispostos a alcançá-los. Dificuldades sempre surgem, mas a alma corajosa e determinada tem fatores de sucesso a seu favor. Com persistência, podemos transformar em conquistas as adversidades da vida, bem como ir solucionando, pouco a pouco, os problemas. Os momentos que parecem difíceis são oportunidades para mudarmos na direção do que não está bem em nossa rotina. Surgem curvas pelo caminho que nos exigem providências. Fazer das curvas e contracurvas momentos de meditação e introspecção, de humildade e fé, para superar as dificuldades, é buscar nossa própria superação. Por mais difíceis que possam parecer os desafios, a disposição em arriscar e a determinação em não desistir do objetivo nos caracteriza. A vontade é a grande mola impulsionadora de tudo o que desejamos realizar. Tudo o que nos exija determinação, esforço, persistência e suor, tudo o que idealizamos e conseguimos tornar realidade, passa a ser ponto marcante em nossa evolução. A confiança na nossa própria força e fé nos permite executar grandes feitos. Ganhamos também quando reconhecemos a importância da paciência. Por meio dela, tendo seu ponto de apoio na inteligência e na compreensão das coisas, temos a certeza de alcançar, em algum momento, o nosso alvo. Sim, os desafios podem ser grandes, mas a conquista ainda é possível. Pense nisso, mas pense agora.

 A VERDADEIRA PAZ PROFUNDA
9 Jan 20264:22EP 8

A VERDADEIRA PAZ PROFUNDA

Havia um rei muito sábio que ofereceu um grande prêmio ao artista que fosse capaz de captar, em uma pintura, a paz profunda. Muitos artistas começaram a pintar suas telas. Procuravam as cores mais tranquilas, as pinceladas mais suaves, os motivos mais calmantes. Um deles quis pintar o silêncio, mas não conseguiu. Outro quis pintar a brisa suave, mas só conseguiu fazer um furacá. Muitos tentaram retratar a paz das formas mais variadas. No dia marcado, várias telas foram apresentadas ao rei. O monar colheu atentamente cada uma das obras. Eram realmente belíssimas, mas ele queria encontrar aquela que representaria a paz. Finalmente, ficou com duas pinturas que mais gostou e tinha que escolher entre elas. A primeira representava um lago muito tranquilo. Este lago era um espelho magnífico, onde se refletia uma paisagem maravilhosa, com árvores, montanhas e as nuvens do céu. Tudo suave, delicado e plácido. Era a visão do paraíso mais perfeito. Todos que olharam para essa pintura acharam que ela representava perfeitamente a paz profunda. A segunda pintura também tinha montanhas, mas estas eram cheias de escarpas e sem nenhuma vegetação. Sobre elas havia um céu onde se armava uma tempestade, com uma chuva forte, raios e trovões. Descia pela montanha uma cachoeira agitada, com a água batendo em rochas e formando espumas. As pinceladas eram vigorosas e fortes, as cores vibrantes. Nada naquele quadro parecia ter paz. Quando todos já olhavam com estranheza para aquela obra, o rei reparou um pequeno detalhe. Atrás da cachoeira havia um arbusto crescendo de uma fenda na rocha. Neste arbusto, um delicado ninho de passarinho. No meio da turbulência da água, o pássaro estava calmamente sentado, observando a natureza, na mais profunda paz. O rei escolheu a segunda tela. Todos ficaram espantados, e o sábio monarca explicou: A paz profunda não é estar em um lugar calmo, sem ruídos, sem problemas, livre de dores e de tentações. A paz profunda é estar calmo e confiante, independente do meio que nos cerca. Qual é o seu conceito de paz? É igual a este lago tranquilo? Parece uma simbologia perfeita para definir essas palavras tão buscadas por todos ao longo da vida. Mas quantas vezes, de fato, a nossa vida se encontra como este lago? Muitos momentos são semelhantes ao quadro da cachoeira agitada, onde o temporal se arma. No entanto, ter paz em meio ao caos é uma habilidade valiosa para preservar o equilíbrio emocional e mental, mesmo em situações desafiadoras. Encontrar a serenidade no tumulto requer a capacidade de focar no que pode ser controlado, deixando de lado o que está além do nosso alcance. Cultivar a resiliência emocional e buscar momentos de tranquilidade, mesmo que breves, são fundamentais para manter a paz interior em meio às adversidades. Até porque, uma hora, a cachoeira pode vir mais calma e a tempestade ir embora. Não é um estado permanente. Por isso, é necessário aprender a ter equilíbrio, tranquilidade e a tão requisitada paz nesses momentos. Pense nisso, mas pense agora.

 INTERAÇÕES HUMANAS
8 Jan 20262:48EP 7

INTERAÇÕES HUMANAS

Certa vez, um homem estava viajando e passou por uma aldeia para descansar. Aquele local era um lugar de descanso para vários viajantes. O homem, depois de se hospedar em uma pousada, foi até a praça para comer em uma barraquinha que vendia macarrão. Encontrou um velho e começou a conversar com ele. — Que tipo de pessoas vive nesse lugar? — perguntou o homem ao velho. — Que tipo de pessoas vive no lugar de onde você vive? — O pior tipo de gente. A minha cidade é cheia de pessoas da pior espécie. — Pois o mesmo tipo de pessoas você encontrará aqui — respondeu o velho. No dia seguinte, o homem foi embora. Dia depois, um jovem chegou na aldeia da mesma maneira que o outro. Se hospedou, foi até a praça para comer e encontrou, na barraquinha de macarrão, o mesmo velho. — Que tipo de pessoas vive nesse lugar? — perguntou o jovem ao velho. — Que tipo de pessoas vive no lugar de onde você veio? — O melhor tipo de gente. Lá, as pessoas são amáveis e amigas. — O mesmo tipo de gente você vai encontrar aqui. Depois de comer, o jovem foi embora, e o dono da barraquinha perguntou ao velho: — Como é possível que você dê respostas tão diferentes para duas pessoas? — Cada um vê o ambiente onde vive de acordo com o seu coração. A maneira que você vê o mundo à sua volta é igual aos seus sentimentos internos. Portanto, para que o mundo mude, é preciso mudar o seu coração e sua maneira de enxergá-lo. Esse conto nos ensina que a vida está intrínsecamente ligada ao ato de dar. No tecido complexo das interações humanas, descobrimos que a energia que emanamos para o mundo muitas vezes retorna para nós de maneiras inesperadas, podendo ser positiva ou negativa. Essa dinâmica essencial é um lembrete constante de que aquilo que oferecemos ao próximo e ao mundo ecoa de volta em nossa própria vida. É uma forma de semear e colher, dar e receber. O que você tem recebido do outro? Ou melhor, o que tem dado ao outro na vida? Pense nisso, mas pense agora.

TUDO PASSA
7 Jan 20264:42EP 6

TUDO PASSA

Um príncipe da Pérsia muito generoso tinha em sua corte um sábio cuja função era orientá-lo em suas decisões, esclarecê-lo em suas dúvidas e corrigi-lo em seus erros e injustiças. Um dia, bem cedo, o príncipe ordenou que o conselheiro viesse à sua presença e disse: — Acabo de receber este pequeno cofre, dentro do qual havia apenas este anel de ouro. O conselheiro examinou a joia e, depois de refletir durante algum tempo, falou: — Afirmo que este anel é uma das mais antigas e valiosas peças do tesouro persa. Como vê, no rico escudo em forma de tâmara, ele ostenta, em letras bem talhadas, a palavra Iazu. Iazu é a palavra mais expressiva e eloquente entre todas as que figuram no riquíssimo vocabulário persa. Tem o dom de nos tornar alegres, quando estamos tristes, e de moderar nossas alegrias nos momentos de extrema felicidade e ventura. — Singular, muito singular — refletiu o soberano —, mas insisto em perguntar: o que significa tal palavra? Iazu, ao príncipe, dentro da sua espantosa simplicidade, significa apenas isso passa, ou tudo passa. Há ocasiões em que nos sentimos aniquilados pelos sofrimentos, pelas enfermidades, feridos pelas aflições, pelos golpes imprevistos do infortúnio. Para que o ânimo volte ao nosso espírito, proferimos, cheios de fé, fortalecidos de esperanças e azul: — Sim, tudo passa. Virão dias melhores, dias calmos e felizes. A prosperidade voltará a iluminar a nossa jornada. A saúde será reconquistada. E a serenidade procurará pouso em nosso atribulado coração. O príncipe tomou o anel em suas mãos e, examinando-o serenamente, concluiu: — No meio de estonteantes triunfos ou sob grandes dificuldades, em todos os momentos culminantes de minha vida, jamais esquecerei tal ensinamento. Isso passa. Lembremos deste ensinamento. Tudo é transitório. Passa a dor, passa o problema. Passa a tempestade. Passa a abundância. Às vezes parece difícil demais. Os problemas se acumulam. As frustrações nos abatem. As tristezas nos invadem. Os momentos de felicidade passam. Os sorrisos vão embora. O amor acaba. Disponhamo-nos a viver o hoje. Viver o agora. O momento. Porque, seja ele bom ou ruim, isso passará. O ontem se foi. E o amanhã não nos pertence. O que nos resta é o hoje. Nos momentos de tristeza, mantenhamos a calma e busquemos a paz. E, nos momentos de felicidade e de tranquilidade, pensemos no futuro. Construamos boas amizades, bons momentos, para que sirva como alicerce do nosso bem-estar. E, em todos os momentos, aproximemo-nos de Deus. Para tudo há uma esperança e uma solução. A compreensão de viver é entender a vida no sentido mais amplo. Nesta razão, traçamos objetivamente a vida, através da boa vivência, da fé e do amor que distribuímos ao próximo. E, dia após dia, que esse seja nosso lema diário. E azul, tudo passa. Pensemos nisso, mas pensemos agora. Mantenhamos a paz.

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