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PODCAST · 165 EPISÓDIOS

Pense Nisso

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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AJUDANDO A CHORAR
23 Fev 20263:28EP 45

AJUDANDO A CHORAR

Como anda seu envolvimento com as outras pessoas? Você é daqueles que se fecha em seus problemas, em suas dificuldades, nem sequer querendo saber se existe alguém à sua volta que precisa de ajuda? Ou você é daquelas almas que já consegue se envolver com as dores alheias, procurando diminuí-las ou, pelo menos, não deixando que alguém sofra na solidão? Há uma certa passagem que pode ilustrar isso. Foi vivida pelo autor Lê Guaporé, Léo Buscalha, quando, certa vez, foi convidado a ser jurado de um concurso numa escola. O tema da competição era a criança que mais se preocupa com os outros. O vencedor foi um menino cujo vizinho, um senhor de mais de 80 anos, acabara de ficar viúvo. Ao notar o velhinho no seu quintal, em lágrimas, o garoto pulou a cerca, sentou-se no seu colo e ali ficou por muito tempo. Quando voltou para sua casa, a mãe lhe perguntou o que dissera ao pobre homem. Nada, disse o menino. Ele tinha perdido a sua mulher e isso deve ter doído muito. Eu fui apenas ajudá-lo a chorar. A pureza do coração das crianças é sempre fonte de ensinamentos profundos. Geralmente, costumamos dizer que não estamos aptos a ajudar alguém, por não sermos capazes ou porque sabemos tão pouco para consolar. Para muitos, essa é uma posição de fuga, uma desculpa que encontramos para mascarar o egoísmo que ainda grita dentro de nossa alma, dizendo que precisamos primeiro cuidar de nós mesmos e que os outros são menos importantes. Para outros, isso reflete a falta de esclarecimento, pois precisamos compreender que todos temos capacidade de auxiliar. Não nos preocupemos se não conhecemos palavras bonitas para dizer ou se não podemos conceber uma saída miraculosa para uma dificuldade que alguém atravesse. Nossa companhia, nosso ombro amigo, nosso dizer “eu estou aqui com você” são atitudes muito importantes. Muitas vezes, o que as pessoas precisam é de alguém para chorar ao seu lado, para estar ali, afastando o fantasma da solidão para longe e não permitindo que os pensamentos depressivos tomem conta de seu senso. Outras vezes, mais importante do que os conselhos, do que as lições de moral, é o nosso abraço apertado, nosso tempo para ouvir o desabafo de alguém. Não precisamos ter todas as respostas e soluções dos problemas do mundo em nossas mãos para conseguir ajudar. Os verdadeiros heróis são aqueles que ofertam o que têm, o que sabem e, mais do que tudo, ofertam seus sentimentos, suas lágrimas aos outros. Não nos preocupemos em ter algo para dizer. Um abraço fala mais do que mil palavras. Uma prece silenciosa é como uma brisa suave, consolando os corações que passam por esse momento. Pense nisso, mas pense agora.

A CULPA É MINHA E COLOCO EM QUEM EU QUISER
21 Fev 20264:26EP 44

A CULPA É MINHA E COLOCO EM QUEM EU QUISER

O título do Pense Nisso pode parecer irônico, mas tem sido o principal lema do nosso comportamento. Mesmo que inconscientemente, nós usamos desse jargão: a culpa é minha e eu coloco em quem eu quiser. Pare e pense: estamos dando muitas desculpas sobre os nossos erros e dos resultados que não conseguimos atingir? Se a resposta for afirmativa, possivelmente estamos sofrendo de desculpabilidade. Isso é, sempre colocamos a responsabilidade dos nossos atos negativos em fatores externos, como no trânsito, a crise, a falta de sorte, o governo e, é claro, nas pessoas. Se os fatores fossem os donos do nosso destino e não temos responsabilidade, sempre damos desculpas pelos nossos descaminhos. Ouvindo histórias por aí, temos a impressão de que, em muitas das nossas fantasias, não precisaríamos pedir desculpas. Muitos de nós cultivam secretamente delírios nos quais somos infalíveis, honrados, dignos, fortes. Aí, quando não encontramos uma desculpa pelos nossos erros, nós usamos de um expediente muito em moda nos dias atuais: a vitimização. Pensando nisso, seguem seis regras para que possamos conviver melhor com os nossos limites, buscar ampliar os nossos horizontes e fugir do vitimismo. Primeiro: abaixe a guarda. Em situações de trabalho, na família ou em relacionamentos, pode ser importante se aproximar com as guardas baixas, reconhecer o ponto de vista do outro, respirar e falar de coração. Ouça. A hora de falar virá, mas, antes de qualquer coisa, é essencial ouvir. É desse processo que surgem as bases para o diálogo, para a conexão que pode permitir o surgimento de uma relação ainda mais madura do que a anterior ao erro. Assuma a responsabilidade. Não se vitimize. Todos nós já cometemos erros, sem exceção. Isso não é motivo para sair agindo de maneira irresponsável e não ligar para as consequências dos próprios atos. Mas também não significa que devemos nos culpar e nos posicionar como vítimas. Seja claro e honesto. E lembre-se: o foco não é você, é o erro. Não tente escapar do erro se explicando. Não se explicar não é deixar a pessoa no escuro, sem informação alguma a respeito do que ocorreu. Errou? Conte o que aconteceu. Explique a situação, mas não use isso como justificativa. Cuidado em usar o mas. Quando usamos o mas, é sinal que estamos nos justificando. Peça desculpas. Você pode até achar que passar por todo o processo de assumir o erro, não se justificar e reparar os danos é suficiente, mas não é. Portanto, peça desculpas. Peça ajuda. Melhor do que fazer promessas é pedir ajuda. Estamos todos no mesmo barco. Desta forma, podemos caminhar lado a lado, fortalecer os laços e crescer juntos. Reconhecer o erro, pedir perdão e ressarcir: eis um dos caminhos da felicidade. Pense nisso, mas pense agora.

COM AFETO E FIRMEZA
20 Fev 20264:05EP 43

COM AFETO E FIRMEZA

Uma notícia publicada na mídia nos fez pensar muito sobre a educação que damos aos filhos. Relata que um adolescente de 15 anos, em Almería, na Espanha, processou sua própria mãe depois que ela lhe tomou o celular para que ele parasse de jogar e se concentrasse nos estudos. A mãe queria que o filho deixasse o aparelho. Como ele não o fez, ela decidiu. O garoto, inconformado, abriu uma acusação formal contra ela, junto ao Ministério Fiscal, por maus-tratos domésticos. Pediu, ainda, que passasse nove meses encarcerada e arcasse com os custos processuais. O caso foi parar nas mãos do magistrado penal, que não só absolveu a mãe, como ainda lembrou que a lei exige que ela tome atitudes como aquela. Disse que é dever dos responsáveis garantir que as crianças e adolescentes do país tenham boa educação. A questão da educação no lar gera muitas dúvidas em alguns pais e mães, que parecem não se haverem dado conta da tremenda responsabilidade que lhes cabe. Aprendemos que grande é a influência que os pais exercem sobre o espírito do filho após o nascimento. Todos na Terra concorremos para o progresso uns dos outros. No entanto, os pais têm por missão desenvolver os caracteres de seus filhos pela educação. Isso constitui, para eles, uma tarefa, uma verdadeira missão. Quando nasce uma criança, embora toda a sua fragilidade, a personalidade que habita esse corpo pequeno e frágil, ela já possui uma personalidade. A personalidade da criança forma-se logo à nascença. Tudo o que interioriza está relacionado com o mundo ao seu redor. Aprende a chorar, a pedir as coisas, através de uma linguagem que ela própria definiu e que os adultos descodificam. Traz consigo, na forma de pendores e tendências enraizadas, as experiências vivenciadas em passadas existências. Em razão disso, devemos, desde cedo, observar as ações e o comportamento dos filhos, a fim de conduzi-los pelo melhor caminho. Fundamental dar-lhes responsabilidades gradativas, para que aprendam a responder por seus atos. Necessário estabelecer limites, a fim de conduzi-los à retidão moral e ética, preparando-os para a vida. Por vezes, como pais, desejamos poupar nossos filhos das dificuldades que tivermos que enfrentar. Então, buscamos lhes satisfazer todos os desejos. Salutar considerarmos que foram justamente as dificuldades pelas quais passamos que nos impulsionaram ao crescimento e à maturidade. Portanto, nossos filhos devem aprender a lutar pelos objetivos que desejam alcançar, para melhor entenderem os mecanismos da vida. Seja gentil com seu filho quando for necessário. Oriente-o, impondo limites de uma forma afetuosa, porém estabeleça limites de forma firme e com autoridade. Pense nisso e aja na educação do seu filho enquanto é tempo.

AFABILIDADE
19 Fev 20264:25EP 42

AFABILIDADE

Todos desejamos ser amados. Mas será que já compreendemos a necessidade de sermos amáveis? A história nos conta que todos os que foram hóspedes de Theodore Roosevelt, o presidente americano, ficaram espantados com a extensão e a diversidade dos seus conhecimentos. Fosse um vaqueiro ou um domador de cavalos, um político ou diplomata, Roosevelt sabia o que lhe dizer. E como fazia isso? A resposta é simples: todas as vezes que ele esperava um visitante, passava acordado até tarde, na véspera, lendo sobre o assunto que sabia interessar particularmente àquele hóspede. Porque Roosevelt sabia, como todos os grandes líderes, que a estrada real para o coração de um homem é lhe falar sobre as coisas que ele mais estima. O ensaísta e, outrora, professor de literatura de Universidade Yale, William Lyon Phelps, aprendeu cedo esta lição. Narra a seguinte experiência: “Quando tinha oito anos de idade, estava passando o final de semana com minha tia. Certa noite, chegou um homem de meia-idade que, depois de uma polida troca de gentilezas, concentrou sua atenção em mim. Naquele tempo, andava eu muito entusiasmado com barcos, e o visitante discutiu o assunto de tal modo que me deu a impressão de estar particularmente interessado no mesmo. Depois que ele saiu, falei, vibrante: ‘Que homem!’ Minha tia me informou que ele era um advogado de Nova York, que não entendia coisa alguma sobre barcos, nem tinha o menor interesse no assunto. — Mas então, por que ele falou todo o tempo sobre barcos? — Porque ele é um cavaleiro. Viu que você estava interessado em barcos e falou sobre coisas que lhe interessavam e lhe causavam prazer. Fez-se agradável.” Inspirados nessas duas ricas experiências, indagamos: será que nos esforçamos para nos tornarmos agradáveis aos outros? Será que encontramos neste mundo cavaleiros com tais características de altruísmo e polidez? São raros, infelizmente. Por isso, a lição nos mostra mais um caminho para a verdadeira caridade, ou mais uma sutil nuança dessa virtude. Se desejamos ser amados, obviamente precisamos nos esforçar para sermos amáveis. A amabilidade é esta qualidade ou característica de quem é amável, por definição: é ser polido, cortês, afável; é agir com complacência. Desta forma, concluímos que a benevolência para conselhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que são a sua manifestação. Não será porque sorrias a todo instante que conseguirás o milagre da fraternidade. A incompreensão sorri no sarcasmo, e a maldade sorri na vingança. Não será porque espares teus corpos, óculos com os outros, que edificarás o teu santuário de carinho. Judas Iscariotes, enganado pelas próprias paixões, entregou o Mestre com um beijo. Por outro lado, não é porque apregoas a verdade com rigor que te farás abençoado na vida. Na alegria ou na dor, no verbo ou no silêncio, no estímulo ou no aviso, acende a luz do amor no coração e age com bondade. Cultiva a brandura sem afetação e a sinceridade sem espinhos. Somente o amor sabe ser doce e afável.

VOZES AMIGAS
18 Fev 20264:30EP 41

VOZES AMIGAS

Pedro e Ana se conheceram no colégio. De início, não simpatizaram muito um com o outro, mas reconheceram a inteligência e a integridade mútuas e se tornaram amigos. A amizade foi se consolidando e, em pouco tempo, evoluiu para algo mais forte, mais intenso. Eram companheiros de ideias e ideais. Um até sabia o que o outro estava pensando. Casaram-se, tiveram filhos, alguns cachorros, gatos, peixes. Fizeram amigos, viajaram, trabalharam em parceria. A vida nem sempre foi fácil, mas encararam unidos as dificuldades. O amor crescia, amadurecia e se fortalecia. Entraram na meia-idade, planejando a aposentadoria e as viagens que fariam. Os filhos, criados, não precisavam mais de dedicação integral. Estavam batendo asas, independentes e autônomos. Em meio a planos resgatados do fundo do baú e ao nascimento de novos sonhos, Ana começou a sentir que algo não estava bem. Evitou alarmar o marido e foi ao médico. Para sua surpresa, foi diagnosticada com um tipo de câncer raro e agressivo. Com o choque inicial, ela não se rendeu, buscou informações, médicos e tratamentos alternativos. As perspectivas, no entanto, eram bastante sombrias. A família se uniu, e Ana decidiu seguir a vida até o momento em que não seria possível fazer mais nada. Foram anos de batalha com quimioterapia, cirurgias para a retirada de tumores, testes com novos medicamentos. Uma noite, internada na unidade de terapia intensiva e desenganada pelos médicos, pediu ao marido para conversar com familiares e amigos distantes. Como seria possível, contudo, se a entrada na UTI era restrita e nem todos conseguiriam chegar a tempo? Além disso, conversar com todos lhe seria exaustivo e desgastante. Pedro teve uma ideia. Conversou com o médico de plantão e obteve a autorização para permanecer ao lado dela e usar o celular. Fez contato com quase toda a sua lista de amigos e familiares, solicitando que gravassem, num dos aplicativos do celular, mensagens de afeto para Ana. Muitos não conseguiram gravar por conta da emoção, mas vieram mensagens de todos os cantos, com palavras entoadas, cantadas, sussurradas. Todas carregavam carinho, respeito e a esperança de um reencontro. Ana passou a noite ouvindo as mensagens que Pedro tocava, de tempos em tempos, em seu celular. Lágrimas escorriam dos olhos de ambos. Lágrimas escorriam também dos olhos de enfermeiros e médicos. Aquela UTI estava cheia de pessoas, não fisicamente, mas em boas energias, em luz. Ana atravessou aquela noite, acordou na manhã seguinte e permaneceu por mais de uma semana, tranquila e serena, até a sua morte. Nesse período, pedia para ouvir as vozes amigas que tanto bem lhe haviam feito, que tanto carinho lhe haviam transmitido. Partiu em paz, sabendo que não estava só. As vozes amigas a ladeavam, amparavam e a preparavam para retornar, segundo a sua crença, à pátria espiritual, onde iria se encontrar com outras vozes amigas, igualmente cheias de amor e saudade, ansiosas por aquele tão esperado reencontro.

VELOCIDADE MÁXIMA
17 Fev 20264:20EP 40

VELOCIDADE MÁXIMA

O escritor português José Saramago escreveu: Não ter pressa não é incompatível com não perder tempo. Mas hoje o que mais se exige é rapidez. Rapidez em tudo. O computador deve ser de alta velocidade. É preciso pensar rápido, agir rápido para não perder negócios, para não perder audiência, para não perder mercado de trabalho. No mundo dos executivos, ao contrário da realidade do trânsito, não há limite de velocidade. A multa é alta para quem anda lento. A ordem é ser The Flash. Para esses, cada minuto conta. E se estressam somente contando o tempo que perdem aguardando o elevador, o semáforo abrir, o autoatendimento bancário lhes fornecer as informações de quem necessitam. São pessoas que se sentem culpadas quando param para um cafezinho, porque poderiam estar produzindo. A sua meta é executar projetos, ler apenas livros técnicos, acelerar a rotina. Tudo o mais é desperdício. E, no entanto, a vida é feita de pequenas coisas. Felizes são aqueles que decidem subir pela escada para exercitar as pernas e a imaginação. Aqueles que têm tempo para um sorriso ao desconhecido que está na fila, logo atrás, esperando sua vez para ser atendido. Os que, em vez de engolirem um sanduíche rápido no escritório, preferem almoçar com um amigo, com calma, bater um papo descontraído. Ou melhor, ir até em casa e observar os filhos crescerem, enquanto a família se reúne em volta da mesa. Essas pessoas não costumam usar atalhos para encurtar caminhos. Elas preferem procurar estradas com paisagens com que se possam denunciar. Quando viajam, vão com calma, não têm hora para chegar. Como as crianças, a quem o fazer é mais importante do que a tarefa pronta, eles param na beira da estrada para provar uma fruta e conversar com um vendedor que sempre tem histórias para contar. Histórias de vida, experiências importantes. Quando descobrem uma paisagem bonita, param para apreciá-la. Alguns fotografam para levar a foto consigo, aquele momento mágico. Chegam ao destino com maior disposição e alegria. Esses são os que adotam a filosofia de que menos é mais. Menos velocidade é mais oportunidade de olhar para os lados e apreciar a natureza. Menos horas de trabalho equivalem a mais tempo com a família. Tirando levemente o pé do acelerador das suas vidas, têm mais tempo para ouvir música, ler algo mais além do que a profissão lhes exige, assistir a um filme, meditar. Em síntese, têm mais tempo para viver. Em verdade, a velocidade máxima permitida para ser feliz é aquela que não nos deixa esquecer de que, além dos negócios, do trabalho, do dinheiro, o mais importante é a vida em si mesma. Viver é uma arte. Por isso, todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias, o momento se faz importante. Também todas as experiências do cotidiano nos enriquecem. Desfrutar de cada uma delas, retirando o máximo de proveito, deve ser a meta do homem sábio. Isto significa aproveitar bem a vida, não desperdiçar nenhuma de suas oportunidades. Então, pare e pense nisso, mas pare e pense agora.

BENEFÍCIOS DO AUTO CONHECIMENTO
16 Fev 20264:25EP 39

BENEFÍCIOS DO AUTO CONHECIMENTO

O autoconhecimento é importante em nossas vidas para nos entendermos melhor. Muitas vezes, ignoramos o real significado de algumas sensações que vivenciamos no nosso cotidiano por não nos conhecermos profundamente. Pensamos estar doentes, buscamos o parecer médico e o resultado nos frustra, porque nada é constatado em nível físico. Quantas vezes nos sentimos debilitados, como que enfraquecidos, com sensações desagradáveis a nos invadir? Ou irritados, sem saber a causa? Quantos são os dias em que acordamos sem vontade de nada, até mesmo de sair da cama? E, quando nos perguntam o que está acontecendo conosco, nossa resposta é “nada”, mas continuamos sem vontade de coisa alguma. Importante seria que tivéssemos em mente que, além da realidade física e social, temos, atuante em nós, a realidade espiritual. Aqui vale uma explanação. Quando falamos de realidade espiritual, não é no tocante à religiosidade, e sim aos sentimentos e pensamentos. Muitos não aprendemos ainda, mas, à noite, quando dormimos, nos libertamos parcialmente do corpo e, dessa forma, participamos de uma realidade que, para nós, ainda é um mistério. Vamos chamar aqui de realidade espiritual. Esses momentos são importantes para nossa realidade espiritual, pois permitem que mantenhamos contato com amigos, amores e mesmo inimigos e desamores do passado de nossas vidas. Ao acordarmos, no corpo físico, trazemos gravadas no subconsciente as lembranças acompanhadas de seus efeitos, que se refletem em nosso corpo. Pode acontecer que algumas dessas sensações interfiram em nosso estado de ânimo, parecendo-nos estar doentes, desanimados. Conscientemente, não sabemos explicar o porquê desse mal-estar. Assim também, os momentos de alegria e disposição especiais, ao acordarmos, dão-nos a certeza de que vivemos bons momentos durante o sono do corpo. Grandes sábios da humanidade tiveram o seu momento de glória em suas invenções depois de terem um sono, ou mesmo um cochilo, em que visitaram certos locais de seus subconscientes ou receberam determinadas informações das profundezas de suas mentes. Ou, ainda, sintonizaram com outras mentes criativas que os inspiraram a encontrar a solução para o que planejavam criar, inventar. Isso tão importante é o uso de uma boa leitura e a oração sincera antes de nos entregarmos ao sono, todas as noites. Essa atitude nos garantirá a tranquilidade mental que nos beneficiará. Nosso corpo funciona retratando o estado de ânimo do espírito que o habita. As sensações que nos parecem estranhas ou sem causa podem estar ocorrendo em nível mental, refletindo-se no corpo físico. Na busca do autoconhecimento, é bom que identifiquemos quem somos espiritualmente falando e como vivenciamos essa realidade. Ou seja, qual a qualidade dos nossos pensamentos e sentimentos? Quais as emoções que predominam em nós? Quais desejos alimentamos? Pois essas são manifestações da alma que nos identificam com almas afins e nos permitem sensações agradáveis ou não. Com tal estudo, decifraremos muitas questões que nos parecem inexplicáveis e poderemos corrigir imperfeições que nos criam sintonias indesejáveis. Pensemos nisso e apliquemo-nos nisso.

A FELICIDADE E A RIQUEZA
14 Fev 20265:00EP 38

A FELICIDADE E A RIQUEZA

Dinheiro não traz felicidade, diz o provérbio popular. E os ambiciosos imediatamente completam: não traz felicidade, mas ajuda um bocado. Será mesmo? Vamos ouvir uma pequena história sobre isso. Marcelo vivia sonhando com a fortuna. Todas as semanas separava o dinheiro e passava na lotérica para fazer um jogo. À noite, no barraco pobre, fazia planos para quando se tornasse milionário. Ah, perdão. Ele, serem um dos mais felizes da terra. Imaginava mansões, carros, roupas elegantes, amigos risonhos, enfim, uma vida de conforto e alegria. Pela manhã, dirigia-se para o trabalho com o bilhete no bolso da calça surrada. O coração palpitava e as mãos tremiam levemente antes de checar o resultado. Negativo. Conferia mais duas ou três vezes e, enfim, descartava o papel, desconsolado. E, nessa hora, sempre lembrava de Anete. Amava Anete há muito tempo. A moça gostava dele, mas não queria se casar com um pobre tão. Os dias passaram. Numa tarde calorenta, um carro caríssimo estacionou diante da casa de Anete. Um homem elegante desceu, dirigiu-se à moça e entregou-lhe um pequeno pacote. Ela abriu. A joia a deixou sem fala. Olhou para o homem. Era Marcelo. Havia acertado os números da loteria, estava rico. Casaram-se e foram felizes nos primeiros tempos. Décadas depois, Marcelo trazia a alma em frangalhos. A nete tornara-se gastadora, fútil. Nada detinha sua ânsia por perfumes, festas, roupas, bolsas, viagens, sapatos. Os filhos criaram-se educados por babás e professores. Agora, adolescentes, passavam noites em boates, consumindo bebidas e drogas, rodeados de amigos irresponsáveis. Mimados, não respeitavam ninguém, zombavam de tudo, riam-se das coisas sagradas. A casa tinha cercas elétricas, alarmes, câmeras, cães ferozes e vigias. Os carros eram blindados. Quanta solidão! Os dias se passavam frios, sem objetivos nobres. Não, definitivamente Marcelo não era feliz. Observava a esposa e os filhos desfrutados, resultando a riqueza, mas levando uma vida vazia. A história de Marcelo é mais comum do que se imagina. Quantas vezes colocamos a razão de nossa felicidade em valores como dinheiro e bens materiais. O dinheiro é bom quando bem utilizado, quando direcionado para coisas úteis, para o bem ou para solidariedade. Do contrário, ele apenas serve para uma vida repleta de prazeres, mas sem qualquer significado mais profundo. Observe o que nos revela a vida dos milionários. Será apenas o que aparece nas revistas de celebridades? Será uma existência feita apenas de alegrias? Certamente que não. Um olhar mais atento ao noticiário desvelador que visita os ricos. A morte também chega para eles e para seus parentes. Divórcios, escândalos, abandonos, miséria moral, depressão e infelicidade estão presentes em toda parte. Isso sem falar nos que vivem aprisionados em suas casas, reféns do dinheiro, com medo de assaltos. Será isso uma vida boa? Vale a pena trocar a tranquilidade de uma vida simples pelo conforto que custa paz íntima? E o que dizer dos que perderam a própria vida por causa do dinheiro? Os que foram mortos pelos próprios filhos ou parceiros por causa de heranças? Ou os que foram enganados pelos amigos em quem confiavam? Será esse o nosso ideal de vida? Valerá a pena? Certamente que não. Não há riqueza que possa pagar por sentimentos reais, pelas pequenas alegrias da família. Não. A felicidade definitivamente não está no dinheiro. Ela está gloriosa na consciência tranquila, nos pequenos prazeres que são frutos do amor, numa vida feita de trabalho e de sonhos. Claro que podemos ter os bolsos cheios e o coração leve. Mas isso depende da riqueza que você leva na sua alma, que é se dar bem fazendo o bem. Sim, isso é possível. Pense nisso, mas pense agora.

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