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PODCAST · 3279 EPISÓDIOS

PENSE NISSO

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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GUERRA ÍNTIMA
27 Jan 20186:20EP 871

GUERRA ÍNTIMA

<strong>&nbsp;GUERRA INTIMA<br /> </strong><br /> <span style=''font-size: small;''>Por religi&otilde;es, Por del&iacute;rio, Pela pol&iacute;tica, Pelo poder, por ego&iacute;smo e Pela ilus&atilde;o imposta atrav&eacute;s do medo e subordina&ccedil;&atilde;o...esses s&atilde;o alguns motivos para as guerras.<br /> E com voc&ecirc;? Sim, com voc&ecirc;, mesmo? Qual &eacute; o motivo da sua guerra:<br /> Da sua guerra com os seus pais, filhos, esposa, marido...<br /> Qual &eacute; a justificativa da sua guerra com o seu vizinho? Com o outro motorista no transito?<br /> Como vai sua a guerra intima? Quantos tiros de maledic&ecirc;ncias voc&ecirc; j&aacute; disparou nessa semana contra os seus colegas de trabalho?<br /> As grandes guerras n&atilde;o come&ccedil;am em grandes campos de batalhas. Elas se originam, como pequenas guerras, em nosso &iacute;ntimo.<br /> J&aacute; ouvimos que as guerras s&atilde;o necess&aacute;rias para manter a paz e a liberdade. Que contrassenso &eacute; esse? <br /> Ser&aacute; que n&atilde;o poderemos ter a paz pela paz?<br /> Ser&aacute; que s&oacute; os mortos conhecem o fim da guerra?<br /> O autor deste texto, por ser humanista, se recusa acreditar nisso.<br /> Nenhuma guerra pode justificar alguma coisa.<br /> Sim, &eacute; poss&iacute;vel que elas (as guerras), nos tragam algumas li&ccedil;&otilde;es.<br /> Li&ccedil;&otilde;es de como devemos ser solid&aacute;rios, benevolentes e usar do recurso da paci&ecirc;ncia e da toler&acirc;ncia para que n&atilde;o sejamos n&oacute;s o combust&iacute;vel para as grandes guerras.<br /> ******<br /> Foi durante a Primeira Guerra Mundial. De um lado, as trincheiras abrigavam alem&atilde;es. Do outro, norte-americanos. A troca de tiros era intensa.<br /> Separando os inimigos, havia uma faixa de terra muito estreita, que n&atilde;o pertencia a nenhum dos lados.<br /> Um jovem soldado alem&atilde;o, que tentara cruz&aacute;-la, foi baleado e acabou se enroscando na cerca de arame farpado.<br /> Come&ccedil;ou a gritar de desespero e de dor.<br /> Entre o barulho ensurdecedor do combate, os norte-americanos podiam ouvir seus gritos.<br /> N&atilde;o suportando mais aquela trag&eacute;dia, um dos soldados norte-americanos saiu da trincheira e rastejou na dire&ccedil;&atilde;o dele.<br /> Quando os colegas perceberam o que ele estava fazendo, suspenderam o fogo. Mas os alem&atilde;es continuavam a usar toda a artilharia.<br /> At&eacute; que um oficial alem&atilde;o viu o gesto altru&iacute;sta e ordenou que os seus comandados cessassem fogo.<br /> Um estranho sil&ecirc;ncio se estabeleceu. O norte-americano desenroscou o ferido do arame farpado.<br /> Em seguida, o levou aos bra&ccedil;os dos companheiros.<br /> Voltou-se e principiou a retornar para a sua trincheira. De repente, uma m&atilde;o pesada pousou em seu ombro. Olhou para tr&aacute;s e seus olhos mergulharam nos olhos do oficial alem&atilde;o que trazia na farda a Cruz de Ferro, a mais alta condecora&ccedil;&atilde;o alem&atilde; por bravura.<br /> Ele arrancou a medalha da farda e a colocou no rapaz norte-americano.<br /> E cada qual, sem dizer palavra, retornou para a sua trincheira.<br /> Certamente, os jovens soldados recome&ccedil;aram pouco depois a batalha, que a guerra impunha.<br /> Mas, naquele dia, todos receberam a li&ccedil;&atilde;o que guardariam e relatariam aos seus descendentes. A li&ccedil;&atilde;o do altru&iacute;smo, que fez com que um soldado esquecesse que o outro era o inimigo e arriscasse a sua para salvar a vida dele.<br /> * * *<br /> Dentre todas as calamidades que atingem a Humanidade, de forma peri&oacute;dica, a guerra &eacute; uma das piores.<br /> Vidas s&atilde;o destro&ccedil;adas, esperan&ccedil;as fenecem. Jovens que deveriam estar nos laborat&oacute;rios de ci&ecirc;ncias se encontram nos palcos da destrui&ccedil;&atilde;o.<br /> Namoradas que se preparavam para a concretiza&ccedil;&atilde;o do novo lar, passam noites insones perguntando-se se os seus amores ainda estar&atilde;o vivos, nos campos da guerra.<br /> Crian&ccedil;as que deveriam estar brincando, morrem &agrave; fome ou sucumbem nos bombardeios.<br /> Mulheres que deveriam estar plantando flores em seus jardins, abrem covas para enterrar os corpos dos seus maridos, e as regam com suas l&aacute;grimas.<br /> Infelizmente, o homem ainda n&atilde;o entendeu que o pre&ccedil;o da guerra &eacute; a destrui&ccedil;&atilde;o. Destrui&ccedil;&atilde;o da natureza, das cidades e das vidas. Destrui&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria dignidade humana.<br /> Gestos como o do soldado norte-americano, na Primeira Guerra Mundial, dizem-nos que os que s&atilde;o enviados para a guerra, s&atilde;o simplesmente criaturas que sentem, amam, t&ecirc;m compaix&atilde;o e, com certeza, t&ecirc;m as suas noites mal dormidas povoadas de cenas dantescas, onde o pavor se mistura ao horror da destrui&ccedil;&atilde;o que os envolve.<br /> * * *<br /> A guerra desaparecer&aacute; um dia do cen&aacute;rio do mundo. Contribuamos com a paz, com as nossas vibra&ccedil;&otilde;es especialmente endere&ccedil;adas aos promotores da guerra, a fim de que repensem seus posicionamentos.<br /> E envolvamos nas nossas ora&ccedil;&otilde;es os soldados de todas as na&ccedil;&otilde;es que vivem a crueldade dos combates, longe de casa, e dos seus amores.<br /> </span> <div style=''text-align: right;''><em><span style=''font-size: small;''><br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso, com base no cap. Coragem, <br /> de autor desconhecido, do livro Hist&oacute;rias para o cora&ccedil;&atilde;o, <br /> v. 1, de Alice Gray, ed. United Press.<br /> Em 8.2.2016.</span></em></div>

NOSSAS INGRATIDÕES
26 Jan 20184:03EP 870

NOSSAS INGRATIDÕES

<span style=''font-size: small;''>NOSSAS INGRATID&Otilde;ES<br /> <br /> &Eacute; poss&iacute;vel que voc&ecirc; pense que poderia ser mais inteligente e se aborre&ccedil;a com suas limita&ccedil;&otilde;es pessoais e com os esfor&ccedil;os necess&aacute;rios para estudar, aprender, avan&ccedil;ar.<br /> Mas talvez nunca tenha pensado naqueles que renascem com profundas limita&ccedil;&otilde;es na &aacute;rea do intelecto, desconectados da pr&oacute;pria mente, imersos nessa ou naquela sequela f&iacute;sica, em vidas de resgate e expia&ccedil;&atilde;o. Talvez esses tenham dificuldades maiores do que as suas.<br /> Voc&ecirc; j&aacute; pensou que poderia ter um corpo mais harmonioso, mais elegante e condizente com os padr&otilde;es de beleza institu&iacute;dos.<br /> Mas, talvez nunca tenha pensado naqueles que trazem deforma&ccedil;&otilde;es, mutila&ccedil;&otilde;es, limita&ccedil;&otilde;es na veste org&acirc;nica, com dificuldades para andar, falar, ouvir ou enxergar. Esses desejariam muito ter o corpo exatamente igual ao seu.<br /> Voc&ecirc; j&aacute; pensou que poderia ter mais dinheiro, morar em uma casa maior, ter um carro da moda ou viajar para pa&iacute;ses distantes.<br /> Mas, talvez nunca tenha pensado naqueles que vivem da caridade alheia, sem a op&ccedil;&atilde;o de um trabalho digno para se sustentar, sem garantia de moradia ou de alimenta&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria.<br /> Esses, possivelmente, sonhem em ter a casa e o sal&aacute;rio que voc&ecirc; disp&otilde;e.<br /> Voc&ecirc; j&aacute; pensou que sua fam&iacute;lia &eacute; um peso imenso em seus ombros, que gostaria de ter os filhos semelhantes &agrave;queles que voc&ecirc; v&ecirc; em outros lares e ter o c&ocirc;njuge igual a outros casais que voc&ecirc; conhece.<br /> Mas, talvez nunca tenha pensado naqueles que vivem s&oacute;s, sem fam&iacute;lia, sem algu&eacute;m para dizer oiao chegar em casa, para dividir suas frustra&ccedil;&otilde;es e seus sonhos, ou para compartilhar a mesa de refei&ccedil;&otilde;es.<br /> &Eacute; poss&iacute;vel que esses sonhem todos os dias em ter uma fam&iacute;lia como a sua, problem&aacute;tica e de dif&iacute;cil trato, mas pelo menos teriam seres pr&oacute;ximos a quem pudessem entregar o seu amor, compartilhar suas car&ecirc;ncias.<br /> * * *<br /> Muitas vezes sonhamos com outra vida, outro corpo, outros entes queridos, outra trajet&oacute;ria.<br /> Sonhamos com aquilo que, infantilmente, imaginamos nos faria felizes.<br /> Mas, possivelmente, a beleza do corpo nos trouxesse a vaidade desmedida.<br /> A intelig&ecirc;ncia privilegiada nos tornasse arrogantes e pretensiosos.<br /> O dinheiro em excesso talvez nos conduzisse a v&iacute;cios e comportamentos comprometedores.<br /> E nos destituirmos da fam&iacute;lia seria o caminho para o ego&iacute;smo e a solid&atilde;o.<br /> Dessa forma, percebemos que a vida &eacute; feita de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os, de oportunidades de aprendizado. Tudo ao nosso redor &eacute; aquilo que Deus prov&ecirc; para melhor aproveitarmos a oportunidade da vida.<br /> E os Seus des&iacute;gnios s&atilde;o de sabedoria e amor irretoc&aacute;veis.<br /> Assim, ao analisarmos tudo que temos, nosso corpo, nossa condi&ccedil;&atilde;o financeira, nossas capacidades e nossa fam&iacute;lia, agrade&ccedil;amos a Deus por tudo isso.<br /> Afinal, de nossa exist&ecirc;ncia, o que nos pertence mesmo &eacute; aquilo que podemos guardar no cofre do cora&ccedil;&atilde;o. Tudo o mais &eacute; empr&eacute;stimo Divino para que possamos galgar a estrada rumo &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o.<br /> S&atilde;o empr&eacute;stimos que nos cabe usufruir de forma consciente, deles extraindo o melhor.<br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso.<br /> Em 8.4.2013.<br /> <br /> </span><br />

NÃO ENVERGONHE SUA MÃE
24 Jan 20184:46EP 869

NÃO ENVERGONHE SUA MÃE

&nbsp;<span style=''font-size: small;''>N&Atilde;O ENVERGONHE SUA M&Atilde;E<br /> <br /> A hist&oacute;ria que vamos contar, aparentemente, n&atilde;o tem nada a ver com o t&iacute;tulo do Pense Nisso de hoje. Eu disse &ldquo;aparentemente&rdquo;.<br /> Antes de contar a hist&oacute;ria, quero fazer uma pergunta...<br /> E voc&ecirc;, eu, todos n&oacute;s, vamos responder de maneira intima e honesta: - Voc&ecirc; j&aacute; envergonhou a sua m&atilde;e?<br /> <br /> Em 2012, durante uma maratona na Espanha, Ian Fernandez Anaya surpreendeu o mundo.<br /> Ele era o segundo colocado da prova, quando viu o queniano, Abel Mutai, que liderava com folga, diminuir o ritmo a poucos metros da vit&oacute;ria, por achar que j&aacute; havia cruzado a linha de chegada. Abel Mutai, n&atilde;o entendeu a sinaliza&ccedil;&atilde;o e achou que havia vencido a maratona.<br /> O que fez o Espanhol Fernandez?<br /> Inv&eacute;s de aproveitar a oportunidade e vencer a corrida, ele alertou o queniano e o empurrou at&eacute; a vit&oacute;ria.<br /> O p&uacute;blico presente n&atilde;o acreditava no que estava vendo. Talvez, muitos de n&oacute;s, estaria chamando o espanhol de tolo...Como pode perder uma oportunidade dessa? Poderia se consagrar campe&atilde;o e embolsar uma quantia bem maior do pr&ecirc;mio.<br /> Em entrevista coletiva o jornalista perguntou: - por que voc&ecirc; fez o que fez?<br /> E o maratonista espanhol disse: -&ldquo; fiz o que?&rdquo;,,,<br /> Ele n&atilde;o compreendeu a pergunta. Ele tem valores e conduta que essa pergunta n&atilde;o faz sentido;<br /> O jornalista insistiu na pergunta -&ldquo;Mas por que voc&ecirc; fez isso?<br /> -Isso o que? &ndash; devolveu a pergunta. O corredor espanhol, n&atilde;o achou que tinha outra coisa a fazer do que aquilo que ele houvera feito.<br /> O jornalista retruca &ndash;&ldquo;Voc&ecirc; deixou o queniano ganhar!<br /> Fernandez disse &ndash; Eu n&atilde;o deixei ele ganhar. Ele ia ganhar.<br /> Sim, mas ele estava distra&iacute;do.<br /> -Ent&atilde;o, se eu ganhasse desta forma, qual seria o m&eacute;rito da minha vit&oacute;ria? &ndash;e continuo &ndash; O que eu iria pensar de mim mesmo?<br /> E o atleta disse algo mais interessante ainda:<br /> - Se eu subisse no lugar mais alto do p&oacute;dio, qual seria a honra da minha vit&oacute;ria? Qual seria a dignidade do meu feito?<br /> E agora vem, o que talvez seja a frase de maior impacto do atleta.<br /> Disse ele: - Se eu fizesse isso, o que eu iria falar pra minha m&atilde;e?<br /> A figura da m&atilde;e &eacute; o &uacute;ltimo reduto que n&atilde;o queremos envergonhar.<br /> Seja a nossa m&atilde;e quem for, se essa pessoa que nos trouxe ao mundo se envergonhar de n&oacute;s, &eacute; por que h&aacute; algo de muito errado em nosso car&aacute;ter.<br /> Se a nossa se envergonha das nossas atitudes, tenha certeza, n&atilde;o prestamos para ser um gestor p&uacute;blico ou privado, <br /> N&atilde;o prestamos pra sermos um professor, bom marido ou esposa,<br /> N&atilde;o prestamos para sermos um bom amigo ou amiga.<br /> A m&atilde;e &eacute; o &uacute;ltimo reduto da nossa reden&ccedil;&atilde;o.<br /> Pode parecer rom&acirc;ntico, mas a vergonha tem uma fonte matricial, que &eacute; o mais profundo do seu &ldquo;eu&rdquo;, que &eacute; aquilo que te gerou.<br /> N&atilde;o estamos falando ou fazendo um elogio barato para a quest&atilde;o da maternidade em s&iacute;. Estamos falando de outra coisa; estamos falando daquilo que voc&ecirc; n&atilde;o quer envergonhar.<br /> O filosofo alem&atilde;o Immanuel Kant, que viveu no s&eacute;culo 18 disse: &rdquo;Tudo que n&atilde;o puder contar como fez, n&atilde;o fa&ccedil;a&rdquo;.<br /> N&atilde;o estamos falando aqui sobre sigilos e privacidades, mas sim daquelas coisas que fazemos e que podemos nos envergonhar, e pior, envergonhar a nossa m&atilde;e. <br /> No livro sagrado dos crist&atilde;os, a b&iacute;blia, existe umas das express&otilde;es mais fortes com respeito &agrave; &eacute;tica. Est&aacute; em uma das cartas do apostolo Paulo aos Cor&iacute;ntios &ndash; capitulo seis, vers&iacute;culo 12, que diz: &ldquo;tudo me &eacute; l&iacute;cito, mas nem tudo me conv&eacute;m&rdquo;.<br /> Sim, somos livres para fazer qualquer coisa, mas tamb&eacute;m n&atilde;o devemos fazer tudo que nos d&aacute; vontade.<br /> O que n&atilde;o devemos fazer? <br /> N&atilde;o devemos fazer aquilo que manche a nossa hist&oacute;ria, aquilo que agrida a nossa comunidade, que envergonhe a n&oacute;s mesmos...que entriste&ccedil;am e envergonhem as nossas m&atilde;es.<br /> E voc&ecirc;, (pequena pausa) j&aacute; envergonhou a sua m&atilde;e?<br /> Pense Nisso, mas pense agora.<br /> <br /> <div style=''text-align: right;''><em>Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso<br /> Com base em <br /> Reportagem televisiva em 2012.<br /> <br /> Em 16.8.2016.<br /> </em></div> <br /> </span><br />

SOLIDÃO VIRTUAL
22 Jan 20184:14EP 868

SOLIDÃO VIRTUAL

<strong>SOLID&Atilde;O VIRTUAL</strong><br /> <br /> <br /> <span style=''font-size: small;''>Houve um tempo onde s&oacute; pod&iacute;amos conversar com algu&eacute;m se estiv&eacute;ssemos fisicamente pr&oacute;ximos.<br /> Nessa &eacute;poca, havia uma &uacute;nica possibilidade de se iniciar um relacionamento, de se aumentar a rede de amigos, de se fazer contatos profissionais ou sociais: promover encontros, marcar locais, hor&aacute;rios para se reunir, para se conhecer.<br /> E se n&atilde;o estiv&eacute;ssemos com algu&eacute;m, se n&atilde;o houvesse com quem se encontrar, o resultado, muito frequentemente, era a solid&atilde;o.<br /> O sentir-se sozinho n&atilde;o era, muitas vezes, uma op&ccedil;&atilde;o, mas uma conting&ecirc;ncia, fosse por se residir em um local afastado, ou por se ter pouca ou nenhuma op&ccedil;&atilde;o de um relacionamento familiar ou social.<br /> Por&eacute;m, desde os fins do s&eacute;culo XX, a tecnologia vem transformando nossas rela&ccedil;&otilde;es sociais. Avan&ccedil;ando em uma velocidade dif&iacute;cil de acompanhar, vem nos disponibilizando recursos fascinantes.<br /> Desde ent&atilde;o, ela quebrou a necessidade de estarmos fisicamente juntos para conversarmos, para ampliar a amizade, para trocar emo&ccedil;&otilde;es.<br /> Passamos a ter a possibilidade de conversar, trocar mensagens, v&iacute;deos, fotos, n&atilde;o importando o local, o hor&aacute;rio, a dist&acirc;ncia, conectando-nos todos a tudo.<br /> Passamos a resgatar amizades que se perderam no tempo, a reencontrar familiares que a dist&acirc;ncia afastou e refazer relacionamentos que se perderam pelos caminhos.<br /> E ainda, s&atilde;o in&uacute;meros os sites de relacionamento que permitem, n&atilde;o s&oacute; o reencontro, mas o fazer novas amizades, iniciar novos amores, outros colegas.<br /> Agregamo-nos virtualmente pelo estilo de vida, pelos valores, pelas atividades de lazer, pelo gosto musical.<br /> Passamos a ter centenas ou at&eacute; milhares de amigos que se agregam &agrave;s nossas redes de relacionamento, que nos seguem virtualmente.<br /> Passamos a estar cercados, envolvidos com muitas pessoas, o tempo todo.<br /> Poderia se pensar que jamais algu&eacute;m, agregado nessa rede virtual, poderia se queixar de solid&atilde;o. Somos tantos, vinculados a tantos outros, que j&aacute; n&atilde;o haveria espa&ccedil;o para a solid&atilde;o.<br /> Por&eacute;m, a alma humana ainda &eacute; a mesma. E a tecnologia que nos cerca externamente, nada preenche intimamente.<br /> Somos in&uacute;meros os agregados aos sites e &agrave;s redes de relacionamento, contudo, t&atilde;o poucos aqueles que cultivamos afei&ccedil;&otilde;es que nos preencham as necessidades &iacute;ntimas.<br /> Passamos a viver e conviver com a solid&atilde;o virtual. Essa dos que tanto t&ecirc;m virtualmente, mas nada se preocupam em cultivar realmente.<br /> A solid&atilde;o somente desaparece quando passa a ser substitu&iacute;da pela preocupa&ccedil;&atilde;o com o pr&oacute;ximo, pela dedica&ccedil;&atilde;o ao semelhante, pelo importar-se com o outro.<br /> Assim, n&atilde;o ser&aacute; a tecnologia que nos afastar&aacute; da solid&atilde;o. Ela ainda se faz presente, em nosso existir, porque n&atilde;o vivenciamos os valores da solidariedade, da compaix&atilde;o, da fraternidade.<br /> E, por mais que a tecnologia se desenvolva, por mais recursos nos ofere&ccedil;a, jamais eliminar&aacute; a solid&atilde;o de dentro de n&oacute;s.<br /> Poder&aacute;, sim, agregar milhares de nomes em nossas redes Sociais. Por&eacute;m, para preencher as necessidades de nosso cora&ccedil;&atilde;o, para que nele n&atilde;o haja mais espa&ccedil;o para a solid&atilde;o, necessitamos cultivar a fraternidade, que pode at&eacute; se iniciar no mundo virtual, mas ter&aacute; que inevitavelmente, migrar para a realidade das a&ccedil;&otilde;es de nosso cora&ccedil;&atilde;o.<br /> <br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso.<br /> Em 12.05.2014.<br /> </span> <br />

A FOFOCA
20 Jan 20184:44EP 867

A FOFOCA

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CICLOS
18 Jan 20184:18EP 866

CICLOS

<strong>CICLOS</strong> <br /> <br /> Sempre &eacute; preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necess&aacute;rio, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. <br /> <br /> Encerrando ciclos, fechando portas, terminando cap&iacute;tulos. N&atilde;o importa o nome que damos, o que importa &eacute; deixar no passado os momentos da vida que j&aacute; se acabaram.<br /> <br /> Foi despedida do trabalho? Terminou uma rela&ccedil;&atilde;o? Deixou a casa dos pais?<br /> Partiu para viver em outro pa&iacute;s? A amizade t&atilde;o longamente cultivada desapareceu sem explica&ccedil;&otilde;es? Voc&ecirc; pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.<br /> <br /> Pode dizer para si mesma que n&atilde;o dar&aacute; mais um passo enquanto n&atilde;o entender as raz&otilde;es que levaram certas coisas, que eram t&atilde;o importantes e s&oacute;lidas em sua vida, serem subitamente transformadas em p&oacute;.<br /> <br /> Mas tal atitude ser&aacute; um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irm&atilde;, todos estar&atilde;o encerrando cap&iacute;tulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrer&atilde;o ao ver que voc&ecirc; est&aacute; parado.<br /> <br /> Ningu&eacute;m pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.<br /> <br /> O que passou n&atilde;o voltar&aacute;: n&atilde;o podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma liga&ccedil;&atilde;o com quem j&aacute; foi embora e n&atilde;o tem a menor inten&ccedil;&atilde;o de voltar.<br /> <br /> As coisas passam, e o melhor que fazemos &eacute; deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso &eacute; t&atilde;o importante (por mais doloroso que seja!) destruir recorda&ccedil;&otilde;es, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.<br /> <br /> Tudo neste mundo vis&iacute;vel &eacute; uma manifesta&ccedil;&atilde;o do mundo invis&iacute;vel, do que est&aacute; acontecendo em nosso cora&ccedil;&atilde;o...e o desfazer-se de certas lembran&ccedil;as significa tamb&eacute;m abrir espa&ccedil;o para que outras tomem o seu lugar.<br /> <br /> Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ningu&eacute;m est&aacute; jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto &agrave;s vezes ganhamos, e &agrave;s vezes perdemos.<br /> N&atilde;o espere que devolvam algo, n&atilde;o espere que reconhe&ccedil;am seu esfor&ccedil;o, que descubram seu g&ecirc;nio, que entendam seu amor.<br /> <br /> Pare de ligar sua televis&atilde;o emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como voc&ecirc; sofreu com determinada perda: isso o estar&aacute; apenas envenenando, e nada mais.<br /> <br /> N&atilde;o h&aacute; nada mais perigoso que rompimentos amorosos que n&atilde;o s&atilde;o aceitos, promessas de emprego que n&atilde;o t&ecirc;m data marcada para come&ccedil;ar, decis&otilde;es que sempre s&atilde;o adiadas em nome do &quot;momento ideal&quot;.<br /> <br /> Antes de come&ccedil;ar um cap&iacute;tulo novo, &eacute; preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltar&aacute;. Lembre-se de que houve uma &eacute;poca em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada &eacute; insubstitu&iacute;vel, um h&aacute;bito n&atilde;o &eacute; uma necessidade. Pode parecer &oacute;bvio, pode mesmo ser dif&iacute;cil, mas &eacute; muito importante.<br /> <br /> Encerrando ciclos. N&atilde;o por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo j&aacute; n&atilde;o se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem &eacute;. <br /> *****<br /> <br /> Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem &eacute;s tu pr&oacute;pria, antes de conheceres algu&eacute;m e de esperares que ele veja quem tu &eacute;s&hellip;<br /> <br /> E lembra-te: &quot;Tudo o que chega, chega sempre por alguma raz&atilde;o.&quot; <br /> <br /> <br /> <div style=''text-align: right;''><em>Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso. Pensamento de Fernando Pessoa<br /> Em 16.3.2014.</em></div>

DIA DOCE
16 Jan 20184:27EP 865

DIA DOCE

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A VIDA E O TEMPO
15 Jan 20184:39EP 864

A VIDA E O TEMPO

&nbsp;<strong>A Vida e o Tempo</strong><br /> <br /> Tudo come&ccedil;ou de repente... N&atilde;o lembro quando foi... Cheguei sem saber de onde vim... Tudo era novo... Dependia sem saber de quem... Aos poucos meu mundo foi nascendo... Aos poucos, a luz do sol... A cada dia algo novo... Tudo era t&atilde;o simples... Nem vi o tempo passar... N&atilde;o percebi quando virei eu... Quando as cores mudaram... E os sonhos j&aacute; n&atilde;o eram os mesmos... Novos desafios... Poxa, j&aacute; tenho quase trinta anos!<br /> No tempo que voava... sem me dar explica&ccedil;&otilde;es.... Sem que eu soubesse a raz&atilde;o... Sem ouvir a batida de suas asas... Sem notar quando as coisas mudaram... T&atilde;o rapidamente... Deixando de me reconhecer... Como se agora fosse outra pessoa... Mudei sem perceber... Me transformando todos os dias...Chegara o tempo que exclamarei: &ldquo;Estou chegando aos sessenta anos! Como o tempo passa! (breve pausa)E eu n&atilde;o me dei conta desse tempo que passou..<br /> Sem ver o tempo passar, pois que, s&oacute; posso enxergar um dia depois do outro.<br /> Virei outra pessoa, perdida no tempo que me enganou.<br /> Esse tempo me transformou, me conduziu, me deu... Me tirou... E me deixou sem ch&atilde;o.<br /> Sem saber porque... agora, no final da minha exist&ecirc;ncia, tenho essa sensa&ccedil;&atilde;o; a sensa&ccedil;&atilde;o de estar fora de casa. Como se tudo tivesse sido um sonho, que estranhamente nunca vai acabar. Talvez, eu s&oacute; perceba em parte, que estou indo a algum lugar. E que tudo &eacute; uma coisa s&oacute;; que todos os dias s&atilde;o um.<br /> Que tudo faz sentido, mesmo quando n&atilde;o faz sentido algum. E que todas as coisas s&oacute; existiram dentro de mim, e elas me conduziam, todos os dias, de volta para casa.<br /> Onde fica essa casa? Sinceramente, eu n&atilde;o sei.<br /> Quem deve ter essa resposta &eacute; o tempo e a vida...que ainda est&aacute; por ser vivida em outro tempo.<br /> ***<br /> <br /> O tempo &eacute; o maior tesouro de que um homem pode dispor. Embora inconsum&iacute;vel, o tempo &eacute; o nosso melhor alimento. Sem medida que o conhe&ccedil;a, o tempo &eacute;, contudo, nosso bem de maior grandeza: n&atilde;o tem come&ccedil;o, n&atilde;o tem fim.<br /> O tempo sabe ser bom. O tempo &eacute; largo, o tempo &eacute; grande, &eacute; generoso, &eacute; farto. &Eacute; sempre abundante em suas entregas. Diminui nossas afli&ccedil;&otilde;es, dilui a tens&atilde;o dos preocupados, suspende a dor dos torturados.<br /> Traz a luz aos que vivem nas trevas, o &acirc;nimo aos indiferentes, o conforto aos que se lamentam, a alegria aos homens tristes, o consolo aos desamparados.<br /> Tamb&eacute;m a serenidade aos inquietos, o repouso aos sem sossego, a paz aos intranquilos, a umidade &agrave;s almas secas.<br /> O tempo &eacute; manancial de sabedoria que flui por entre nossas exist&ecirc;ncias.<br /> Nas incertezas do caminho, nos momentos de ang&uacute;stia, nas afli&ccedil;&otilde;es da jornada, confiemos nele, que tem a medida de todas as coisas e o consolo para todas as l&aacute;grimas.<br /> Jamais nos permitamos acreditar que n&atilde;o h&aacute; tempo. Fechemos os olhos, ou&ccedil;amos sua voz...<br /> L&aacute; ele est&aacute;: o tempo de um abra&ccedil;o, de um sorriso, de um ato de caridade, de uma mudan&ccedil;a de vida. O tempo para a fam&iacute;lia, para os amigos e para n&oacute;s mesmos.<br /> Sempre h&aacute; tempo...Sempre h&aacute; vida.<br /> Pense Nisso.<br /> <br /> <div style=''text-align: right;''><em>Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso, <br /> com base no texto De Volta Pra Casa de autoria de Fl&aacute;vio Siqueira e das percep&ccedil;&otilde;es do autor deste texto&rdquo;.<br /> Em 23.06.2017.</em></div> <br /> <br />

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