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PODCAST · 3271 EPISÓDIOS

PENSE NISSO

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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AMOR QUE PERMANECE
29 Set 20263:58EP 3263

AMOR QUE PERMANECE

Um senhor de idade avançada chegou ao pronto-socorro para fazer um curativo em sua mão, que apresentava um profundo corte. Quando o médico iniciou o atendimento, percebeu que o idoso estava muito agitado, como se estivesse tomado de profunda afobação. Enquanto vagarosamente higienizava suas mãos antes de iniciar o procedimento, o senhor, contrafeito, acelerou: — Vamos, meu filho, ande rápido com isso, que eu estou com muita pressa. O médico começou a cuidar do corte. O idoso, agitado, não conseguia permanecer muito tempo com a mão em repouso, dificultando o procedimento. O médico ficou curioso a respeito do motivo de tamanha pressa e questionou o paciente, que respondeu: — É que todas as manhãs eu visito a minha esposa, que está em uma casa de repouso, pois sofre do mal de Alzheimer. — Agora eu entendi o motivo de tamanha pressa — disse o médico, não contendo um sorriso. — Se nos demorarmos por aqui, ela poderá ficar preocupada com a sua demora. — Na realidade, doutor, ela já não sabe nem quem eu sou — disse o triste idoso. — Há quase cinco anos não me reconhece mais. — Mas, então, por que tanta pressa? E por que há necessidade de estar com ela todas as manhãs, se ela nem o reconhece mais? Com um sorriso terno e um grato brilho no olhar, o velhinho respondeu: — Ela não sabe quem eu sou, mas eu sei muito bem quem ela é. Ela é o amor da minha vida. No mundo em que ocultamos a aparência física, a beleza e a imagem se sobrepõem a princípios morais e éticos. No mundo em que expressar o que se sente é sinal de fraqueza e ingenuidade, nos questionamos: onde está o amor? O amor é, por excelência, o centro da natureza de todos os seres. Muitos já falaram sobre o amor durante milênios. Tudo para que pudéssemos aprender a amar. Mas o que sabemos sobre o amor? E quantos de nós ultrapassamos as barreiras do orgulho e do egoísmo para vivenciarmos esse que é o sentimento mais sublime de todos? O amor é um modo. Uma filosofia de vida. O amor é um caminho a ser percorrido. O amor é a fonte de todas as virtudes, pois, sem ele, não há caridade, resignação, benevolência, perdão, esperança. Sem o amor, não há a suma criação. O amor é o laço que nos liga a todos e nos direciona ao mesmo fim, por um mesmo meio e de uma mesma forma. Onde o amor? Ele deve se fazer presente onde há guerra, onde há violência, onde há tristeza, dor, ódio, sofrimento, fome, angústia, desespero e solidão. Quando, amor? Quando a verdade vacilar, o desânimo se abater, o medo se aproximar, o orgulho prevalecer. Quando a saudade apertar, o coração se ferir e o egoísmo correr. Por que o amor? Porque o amor é o caminho certo a ser percorrido por todos aqueles que desejam ser verdadeiramente felizes, ter paz, alcançar o equilíbrio, progredir e compreender a nossa própria existência. Pensemos nisso, mas agora.

A VIDA
28 Set 20263:46EP 3262

A VIDA

Durante muito tempo, tentei entender o que as pessoas pensavam a meu respeito. O que esperavam de mim? Parecia difícil separar meus diferentes papéis numa mesma sociedade. Ora, filho, um menino sonhador, cheio de expectativas. Ora, irmão, o mais velho, já assumindo responsabilidades e um pouco mais realista nesse mundo de tantas desigualdades. Mais tarde, o amigo, capaz de guardar confidências e ser um abrigo num dia mau. E, de repente, pai e homem de negócios. Tantos compromissos e muito medo de errar. Sempre tive muitas perguntas, mas eram poucas as respostas. Dias atrás, aprendi, com a sabedoria de Mário Quintana, que a vida pode ser mais leve. Carregar o mundo nas costas, pensar além do amanhã e em tudo de ruim que pode ou não acontecer não parece uma escolha produtiva. Eu precisava de leveza nos meus dias. Ah, e como isso é bom! Quando parei de me cobrar tanto, aprendi a me amar mais. E, quando me amei de verdade, pude compreender que, em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa. Percebi que o sofrimento emocional nada me agrega. É um sinal de que estou construindo uma história contra a minha verdade. Foi então que parei de desejar que a minha vida fosse diferente. E comecei a aceitar mais que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei menos. Desisti também de reviver o passado. Hoje, já não me preocupo nem com o futuro. Isso me mantém no presente, que é onde a vida acontece. Descobri que, na vida, quando alimentamos um sonho, a gente tem mais é que se jogar, porque os tropeços e tombos são inevitáveis. O que vai acontecer depois disso, a gente só vai saber se realmente tentar. Hoje eu sei que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar, mas, quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Sem amor, sem carinho e sem verdadeiros amigos, a vida é vazia, solitária e se torna amarga. Mas a minha felicidade não pode depender dos meus dias bons ou maus. Por isso, eu decidi ser feliz. Ser feliz é construir todos os dias a nossa história. Reconhecer que vale a pena viver, apesar dos desafios, incompreensões e períodos de crise. A grande sacada é ser grato por esse presente. Nós somos privilegiados por esse milagre. O milagre da vida. Pense nisso. Mas pense agora.

O MELHOR AMIGO DE TODO MUNDO
25 Set 20264:25EP 3261

O MELHOR AMIGO DE TODO MUNDO

“Pai, sabia que você é o meu melhor amigo de todo mundo?” Foi o que Bernardo, de 5 anos, disse ao seu pai algumas vezes. A noção de amizade para uma criança nessa idade é muito especial. E talvez nossa compreensão de adultos não consiga explicá-la racionalmente. O que ele entende como amigo? Quem está sempre junto? Quem brinca com ele? Quem está ali, por perto, quando ele precisa? Alguém em quem ele confia, falando sempre a verdade? Alguém com quem tem assuntos em comum? Os pais, que são também amigos de seus filhos, têm a oportunidade de conquistar seu amor de uma forma única e preciosa. Frisamos isso também, pois os pais, na posição em que estão, não podem ser apenas amigos. Têm outras responsabilidades, e há momentos em que a autoridade de pai e de mãe precisa sobressair. Porém, o ingrediente amizade na relação entre pais e filhos é fundamental. Quantos pais e filhos adolescentes estão por aí, hoje, desesperados, pois não conseguem se comunicar com seus filhos? Resolveram, tardiamente, serem amigos deles, bater um papo, serem confidentes, quem sabe, mas sem nunca antes terem se aproximado de forma adequada para que, hoje, pudessem desfrutar dessa posição. Sim, quem quer poder ter um bom diálogo com seus filhos adolescentes precisa merecer essa confiança; necessita ter conquistado esse lugar na vida deles desde cedo. E é isso que vemos pouco nas famílias. Vemos dois mundos afastados: o mundo das crianças e o mundo dos adultos. Crianças não podem falar sobre questões de adultos, e adultos não valorizam os assuntos das crianças. E assim vamos criando um vale entre nós e eles. Um em cada mundo. Os diálogos são poucos. Gradativamente, eles vão perdendo o interesse em conversar, em perguntar, pois desmerecemos a compreensão que eles têm do mundo. Grande erro nosso, como pais e educadores. As crianças precisam participar de nosso mundo, de nossos assuntos, de nossos problemas e soluções. Obviamente, com critério e cuidado, adequando a linguagem, as explicações e a profundidade do tema, veremos que podemos falar de tudo com elas, hoje em dia. E elas precisam opinar, precisam ter a possibilidade de debater sobre os mais variados temas do dia a dia. Assim, não as ignoremos quando dão suas opiniões, por mais absurdas que possam parecer. Amigos falam de tudo, são confidentes, não têm vergonha de expor suas fragilidades, suas dúvidas e incertezas. Amigos penetram um no mundo do outro. Assim, que tal, sempre que possível, fazer uma breve viagem pelo mundo das crianças, com seus heróis, brinquedos e sua imaginação fantástica? Elas gostam tanto quando nos veem mergulhados em suas histórias, em suas brincadeiras. Vamos perceber que nos será agradável também. Basta se deixar levar. Há tanto que eles podem nos ensinar sobre a vida. Criando esse diálogo, essa abertura com eles, desde cedo, desde a barriga da mãe, certamente seremos amigos de nossos filhos também. E, com isso, ganharemos confiança, uma via segura para alcançarmos seu coração. Para ser o melhor amigo de todo o mundo, precisamos estar lá, no mundo deles, e, sempre que possível, deixá-los conhecer o nosso. Pense nisso, mas pense agora.

SERVOS E ANJOS
23 Set 20264:39EP 3258

SERVOS E ANJOS

Servos e anjos, quando tuas mãos ainda cabiam dentro das minhas e, num abraço, eu te fazia como que desaparecer, a ventania passava veloz e enfurecida e, feito árvore de raiz profunda, nada nos fazia mover. Quando teus sonhos ainda cabiam dentro dos meus, e uma dúzia e meia eram os habitantes da terra, nem um dia sequer de sorriso se perdeu, e de meu rosto sempre tiveste a expressão mais sincera. Quando teus deuses do Olimpo eram apenas dois, socorrendo-te e atendendo-te na velocidade do pensar, percebi que servir me fez feliz, pois a entrega me deu sentido. Viver é se entregar. Novamente, ainda era a casa de brinquedo que eu conhecia cômodo a cômodo, do teto ao chão. Quando ainda tua morada não possuía sequer um segredo, e o teu respirar no colo era a letra da minha canção. Quando tua voz no mundo ainda era minha, eu me desafiava tentando te entender. Perdi-me de mim e encontrei a linha; teci no teu linho e aceitei te ensinar a tecer. Quando teu ir e vir dependia do meu, e ainda te levava para onde meu coração queria, já aceitava o futuro meu, o futuro teu, o dia em que esse meu amor, sem pesar, te libertaria. Estudos mostram que, até em torno dos 6 meses, os bebês se percebem como extensão das mães, isto é, não se veem ainda como um outro ser. As mães, por sua vez, pela intensa ligação que têm com os filhos desde a vida intrauterina, acabam tendo a impressão de que os filhos são como partes de si mesmas. Os filhos crescem, enxergam-se como individualidades, pensam por si só, têm vontade própria e tornam-se independentes em quase tudo. Por outro lado, muitos corações de mãe e de pai ainda permanecem com aquela impressão singela de que continuam sendo seus bebês, como se uma parte do seu amor tivesse ficado mergulhada no passado. Tornam-se nostálgicos, voltam a olhar os álbuns de fotografias para tentar entender quando foi que cresceram, quando foi que mudaram tanto, e não conseguem encontrar. Tudo isso é saudável quando serve para reforçar os laços, quando torna os vínculos cada vez mais fortes e perenes, impossíveis de serem afetados por qualquer dificuldade encontrada pelo caminho. Os pais devem apenas ter atenção quando esses sentimentos descambam para as esferas da superproteção, do excessivo cuidado que sempre traz prejuízo para todos na família. Há o tempo de carregar no colo, de atender as vontades, de seguir as escolhas dos pais. Depois, há o tempo de caminhar ao lado, atender uma ou outra vontade e lhes dar a chance de fazer algumas escolhas. E, por fim, o tempo de observar sua nova caminhada à distância, de permitir que eles mesmos satisfaçam suas vontades, aceitando as consequências de todas as suas decisões e escolhas. Não se trata de um abandono, mas é o momento em que os pais deixam de ser servos e não há nada de pejorativo nesta palavra e passam a ser anjos de guarda. Os anjos guardiões estão sempre presentes, atuam prontamente em toda necessidade, porém não interferem no livre-arbítrio das criaturas. Aconselham, advertem, consolam. A decisão final é sempre do protegido.

O SOLDADO E O MENINO
22 Set 20264:29EP 3257

O SOLDADO E O MENINO

O Senhor Deus narra Charles Windolke que, logo depois do término da Segunda Guerra Mundial, a Europa começou a juntar os cacos que restaram. Grande parte da Inglaterra estava destruída, as ruínas estavam por todo lugar e, possivelmente, o lado mais triste da guerra tenha sido assistir às criancinhas órfãs morrendo de fome nas ruas das cidades devastadas. Certa manhã de muito frio, na capital londrina, um soldado americano estava retornando ao acampamento. Numa esquina, ele viu um menino com o nariz pressionado contra o vidro de uma confeitaria. Parou o veículo, desceu e se aproximou do garoto. Lá dentro, o confeiteiro assoprava a massa para uma fornada de rosquinhas. Os olhos arregalados do menino diziam da fome que lhe devorava as entranhas. Ele observava todos os movimentos do confeiteiro, sem perder nenhum detalhe. Através do vidro embaçado pela fumaça, o soldado viu as rosquinhas quentes, que lhe davam água na boca, sendo retiradas do forno. Logo mais, o confeiteiro as colocou no balcão de vidro, com todo cuidado. Ele ouviu o gemido do menino e percebeu que ele salivava. Comoveu-se diante daquele órfão desconhecido. — Filho, você gostaria de comer algumas rosquinhas? O menino se assustou. Nem percebera a presença do homem, de tão absorto que estava em sua contemplação. — Sim — respondeu. — Eu gostaria. O soldado entrou na confeitaria e comprou uma dúzia de rosquinhas. Colocou-as dentro de um saco de papel e se dirigiu ao local onde o menino se encontrava. Na gélida e envolvente manhã de Londres, sorriu e lhe entregou as rosquinhas. Virou-se para se afastar. Entretanto, sentiu um puxão em sua farda. Olhou para trás e ouviu o menino perguntar baixinho: — Moço, você é Deus? Existem gestos pequenos, mas que significam muito para algumas vidas. Para uma criança faminta, um pedaço de pão é a glória. Para uma criança com fome e desejosa de doces, conseguir ter alguns para saciar sua vontade é a suprema delícia. Aprendamos a observar o que necessitam as pessoas ao nosso redor. Quase sempre são coisas pequenas que podemos realizar, ocasionando pequenas ou grandes alegrias. E sempre, em todas as ocasiões, a nossa atitude estará obedecendo, com certeza, ao desejo da nossa natureza, que faz com que, para muitos, nós sejamos Deus na atenção aos filhos do universo que são menos favorecidos. Pensemos nisso e não permitamos que as chances se percam nas guerras do mundo. Sejamos, neste planeta azul, as mãos que atendem os filhos da Mãe Terra. E, para isso, não se fazem necessários extraordinários feitos, nem saciar a fome de todos. Por vezes, basta alimentar uma criança ou satisfazer a enorme necessidade de alguém de comer um prato bem-feito, um pãozinho bem quente ou tomar um copo de leite. Ou mesmo adotar um cãozinho abandonado ou, ao menos, dar-lhe algo para comer. Não és um observador distante da vida. Estás na condição de membro do organismo universal, investido de tarefas e responsabilidades, de cujo desempenho por ti resultarão a ordem e o sucesso de muitas coisas. Considera-te pessoa valiosa no conjunto da criação, tornando-te cada dia mais atuante na obra universal. Não te permitas andar pela vida como quem observa de fora, mas, ao contrário, participa de forma consciente e ativa das ações que iluminam e enriquecem outras vidas. Isso faz com que a nossa vida tenha um sentido. Pense nisso. Faça isso!

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